Por Marcello Campo - Wilmer Antonio Cruz, conhecido como "a toupeira de La Guaira", voluntário que se tornou símbolo da resistência durante os resgates após os terremotos que devastaram o norte da Venezuela, foi detido por agentes do governo durante a semana e libertado na noite de sexta-feira (3), sob medidas cautelares, após pressão de organizações de direitos humanos.
O balanço provisório da tragédia já soma 2.645 mortos, mais de 12 mil feridos e 86 mil desabrigados.
Cruz ganhou notoriedade ao liderar buscas com as próprias mãos e ferramentas simples nos escombros de Caraballeda, enquanto denunciava em vídeos virais a falta de maquinário pesado, equipamentos especializados e apoio estatal para os socorristas.
"Cadê os recursos do governo?", questionava ele em uma das gravações, mostrando as mãos machucadas e desafiando o regime chavista. Segundo a organização Provea, ele foi abordado na última quarta-feira (1º) por agentes sem identificação, que se apresentaram como membros da Direção de Investigações Criminais (DIP) e o levaram sob a justificativa de fornecer um martelo perfurador.
A família ficou dois dias sem notícias de Cruz, e a detenção gerou reação imediata de entidades como a Provea, que pediu uma investigação criminal "transparente e rápida" e alertou para o risco de "desaparecimento forçado e detenção arbitrária".
O Comitê pela Liberdade dos Prisioneiros Políticos também condenou o caso. Suspeitava-se que Cruz teria sido levado para a sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), em Caracas, mas a informação não foi confirmada.
Em seu primeiro vídeo após a libertação, "El Topo" agradeceu pelo apoio e reafirmou seu compromisso: "Obrigado a todos, estou aqui para continuar lutando". A detenção, no entanto, levanta temores de que, com a saída gradual de equipes internacionais e jornalistas estrangeiros, o governo chavista retome práticas repressivas contra vozes críticas.
O caso ainda não foi oficialmente comentado pelo Executivo venezuelano, porém a Provea disse que Cruz foi libertado mediante medidas cautelares e é acusado de um suposto furto.