Apesar do acordo de cessar-fogo com duração de duas semanas anunciado pelos Estados Unidos com relação do Irã, os ataques continuam acontecendo em outros países da região nesta quarta-feira, 8. O acordo não especificou o horário para a suspensão dos ataques, e com isso, países do Golfo continuaram a relatar a interceptação de mísseis iranianos.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Em Israel, três crianças tiveram ferimentos leves ao serem atingidas por fragmentos de munição iraniana, que atingiu a cidade de Tel Sheva, no sul do país. Um porta-voz militar israelense afirmou, em entrevista à CNN Internacional, que Israel segue atacando o Irã com aviões.
O Líbano também registrou bombardeios feitos por Israel. Um ataque aéreo israelense atingiu uma ambulância na cidade de Qlaileh, perto da cidade costeira de Tiro.
Nesta madrugada, Israel publicou um comunicado concordando em parar os ataques, mas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que o acordo não se estende ao Líbano.
“Israel apoia a decisão do presidente Trump de suspender os ataques contra o Irã por duas semanas, condicionada à abertura imediata do Estreito de Ormuz pelo Irã e à cessação de todos os ataques contra os EUA, Israel e países da região”, disse. “O cessar-fogo de duas semanas não inclui o Líbano”, acrescentou.
O primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif afirmou em um comunicado, mais cedo, que os Estados Unidos e o Irã, junto com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato, incluindo o Líbano.
Acordo de cessar-fogo
Apesar do impasse relacionado ao Líbano, o mundo celebrou o cessar-fogo. António Guterres, secretário-geral da ONU, emitiu um posicionamento. “O secretário-geral saúda o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas pelos Estados Unidos e pelo Irã”, disse seu porta-voz, Stéphane Dujarric, em um comunicado.
Os preços do petróleo despencaram quase 15% depois da decisão, e o valor chegou a US$ 93, menor preço em um mês, mostrando uma reação do mercado em relação à guerra.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o país poderá ajudar o Irã a lidar com o aumento do tráfego no Estreito de Ormuz após o acordo. Nas redes sociais, na madrugada desta quarta-feira, Trump chamou o cessar-fogo de um “grande dia para a paz mundial”.
“Um grande dia para a paz mundial! O Irã quer que isso aconteça, eles já não aguentam mais! Da mesma forma, todos os outros também! Os Estados Unidos da América ajudarão a lidar com o aumento do tráfego no Estreito de Ormuz. Haverá muitas ações positivas! Muito dinheiro será ganho”, escreveu.
O que diz o acordo
O Irã exigiu dez pontos para concordar com o cessar-fogo com os Estados Unidos, e a imposição teria sido acatada pelo país. A condição da Casa Branca foi a reabertura imediata do Estreito de Ormuz. Veja quais foram as exigências:
- Garantia de que não haverá novos ataques contra o Irã;
- Manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz;
- Reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio;
- Suspensão de todas as sanções, incluindo primárias e secundárias;
- Encerramento de resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA);
- Pagamento de compensações ao Irã;
- Retirada das forças de combate dos Estados Unidos da região;
- Fim das ações militares em outras frentes, incluindo contra grupos aliados do Irã no Líbano;
- Liberação de ativos iranianos bloqueados no exterior;
- Aprovação de todos os pontos em uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU.