Ataques israelenses matam 15 pessoas em Gaza; ministro afirma que não há acordo para interromper ataques

2 ago 2026 - 14h31
(atualizado às 15h03)

Ataques aéreos israelenses atingiram Gaza pelo segundo dia ‌consecutivo no domingo, matando pelo menos 15 palestinos, disseram médicos, apesar do anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de um avanço nos esforços para implementar o acordo de cessar-fogo do ano passado.

Desde o amanhecer, aviões de guerra israelenses atingiram a Cidade de Gaza, no norte, a cidade central de Deir al-Balah e a área de Khan Younis, no sul, causando o maior número de mortes diárias em semanas, de acordo com autoridades de saúde palestinas.

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A afirmação de Trump ⁠na quinta-feira de que militantes palestinos do Hamas e outros grupos armados haviam concordado em se desarmar aumentou as esperanças de ‌uma virada nos esforços para pôr fim ao conflito.

No domingo, o ministro da Energia israelense, Eli Cohen — membro do gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu — disse que o governo daria ao Hamas a oportunidade de se desarmar, mas ‌que estava "muito cético" de que isso aconteceria.

Cohen declarou à Rádio do Exército ‌de Israel que não houve acordo para interromper os ataques a Gaza e que ele via a necessidade ⁠de Israel — que já controla 70% do enclave — assumir o controle total caso o Hamas não se desarmasse.

"No acordo que assinamos com os Estados Unidos, nossa posição é que o Hamas deve ser desmantelado. Esta é a primeira coisa que deve acontecer", acrescentou.

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ATAQUES ATINGEM BARRACAS, APARTAMENTO E CASA EM GAZA, DIZEM MÉDICOS

Ataques em Deir al-Balah mataram pelo menos quatro pessoas, disseram autoridades de saúde palestinas, e um ataque separado feriu cinco pessoas e incendiou algumas tendas em Mawasi, perto de Khan ‌Younis, de acordo com o serviço de emergência civil.

Um casal e seu filho de 9 anos foram mortos em um ‌ataque a uma casa em Mawasi, disseram ⁠autoridades palestinas.

Outro casal foi morto ⁠com seu filho em um ataque a um apartamento na Cidade de Gaza, onde outras duas pessoas morreram em um ataque a uma ⁠tenda perto do escritório da representação diplomática egípcia, disseram médicos. Mais ‌tarde, no domingo, outras duas pessoas foram ‌mortas no bairro de Zeitoun, na zona leste da cidade, acrescentaram.

Uma pessoa foi morta perto de Jabalia, no norte de Gaza, disseram autoridades palestinas.

As Forças Armadas de Israel afirmaram que um ataque a um apartamento em Deir al-Balah tinha como alvo dois comandantes da força de elite "Nukhba" do Hamas.

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Os ataques na Cidade de Gaza e ⁠em Jabalia também tiveram como alvo "operativos militares", mas os militares ainda estavam avaliando a situação, acrescentou a fonte.

Pelo menos 1.230 palestinos foram mortos em ataques israelenses desde o cessar-fogo alcançado em outubro, segundo autoridades de saúde de Gaza. O Hamas não divulga números sobre seus mortos em combate.

De acordo com dados israelenses, quatro soldados israelenses foram mortos no mesmo período.

HAMAS AFIRMA TER DEMONSTRADO FLEXIBILIDADE

O Conselho de Paz de Trump, órgão ‌liderado pelos EUA que supervisiona o cessar-fogo, publicou na sexta-feira um roteiro de 15 pontos que define as etapas finais para a implementação do acordo.

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O Hamas afirmou que Israel deve cessar seus ataques em Gaza e retirar suas tropas, ⁠em conformidade com outros termos essenciais do acordo de cessar-fogo, antes de concordar em entregar armas a um novo órgão palestino designado para administrar Gaza.

Um autoridade de alto escalão do Hamas afirmou no domingo que o grupo demonstrou "considerável flexibilidade", mas acusou Israel de querer impor uma situação de facto no terreno, intensificando os seus ataques.

"Essa escalada, que coincide com os avanços na via política, demonstra claramente que o governo de ocupação busca minar os esforços para pôr fim à guerra e impor a realidade no terreno pela força", disse Basem Naim em um comunicado.

Mohammed Dahlan, ex-alto funcionário do Fatah e residente nos Emirados Árabes Unidos, afirmou em uma publicação no Facebook que Jared Kushner, genro de Trump e importante conselheiro envolvido na iniciativa norte-americana, lhe disse que estava trabalhando com o lado israelense para impedir ataques a Gaza.

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Dahlan afirmou que os contatos com os EUA continuavam para garantir a plena implementação do acordo, acrescentando que seu sucesso agora dependia do fim completo dos ataques diários de Israel contra Gaza.

A Reuters entrou em contato com o Departamento de Estado dos EUA para comentar as declarações de Dahlan. Não houve resposta imediata de Israel.

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