As eleições estaduais na Alemanha que podem definir o futuro de Merz

19 set 2026 - 17h51
Resumo
As eleições estaduais em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental ameaçam o futuro do chanceler alemão Friedrich Merz, em meio à queda de popularidade de seu partido, a CDU, e ao avanço da sigla de ultradireita AfD. Com projeções desfavoráveis para os conservadores e o crescimento de legendas rivais como SPD e A Esquerda, o premiê enfrenta forte pressão interna, risco de motim partidário e recordes de rejeição popular, enquanto outras forças políticas tentam barrar a ascensão da extrema-direita.

Votações em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental deverão registrar avanços da AfD e nova queda da CDU, partido do chanceler federal, que enfrenta fortes críticas internas.As atenções na Alemanha se voltam neste domingo (20/09) para as eleições estaduais em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, apenas duas semanas depois do pleito no estado da Saxônia-Anhalt que registrou a inédita vitória, com uma votação de quase 44%, do partido da ultradireita e anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD).

Assim como na eleição precedente, os pleitos em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental ultrapassam a relevância regional e são decisivos também para o futuro político do chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, cuja popularidade está em baixa e que enfrenta um crescente questionamento dentro do seu próprio partido, a conservadora União Democrata Cristã (CDU).

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Na Saxônia-Anhalt, a CDU viu sua votação diminuir pela metade e chegar a apenas 17,2% após uma campanha dominada por temas nacionais e críticas ao governo federal.

Pesquisas indicam que o partido, que hoje governa a cidade-Estado de Berlim em coalizão com o Partido Social-Democrata (SPD), deverá amargar nova queda na capital, onde disputa a liderança nas urnas com A Esquerda. Ambos alcançam em torno de 20% dos votos, e algumas projeções dão uma pequena vantagem para o partido esquerdista. A AfD aparece um pouco atrás, com 18%, devido sobretudo à votação na antiga parte oriental da capital alemã, e o Partido Verde aparece com 16%.

Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, as pesquisas dão apenas 7% dos votos para a CDU. A AfD está à frente nas sondagens nesse antigo estado da Alemanha Oriental, com até 38% das intenções de voto. A legenda, porém, é seguida de perto pelo SPD, que é liderado no estado pela carismática governadora Manuela Schwesig e aparece com até 34% nas sondagens. Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental é um bastião do SPD, que governa o estado desde 1998.

Apesar do forte avanço da AfD em ambos os estados, a situação neles é diferente da verificada na Saxônia-Anhalt. Em nenhum deles a AfD deverá chegar ao governo, mesmo se vencer em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Isso porque os demais partidos, com exceção da pequena sigla antiwoke Aliança por Justiça Social e Racionalidade Econômica (BSW), rejeitam categoricamente uma coalizão com a ultradireita, e as pesquisas mostram que, tanto em Berlim como em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, deverá ser possível formar um governo sem a AfD.

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Problemas para Merz

Se as pesquisas eleitorais se confirmarem, sobretudo a pior votação da história da CDU em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental trará novas dores de cabeça para Merz e a liderança do partido - o chanceler está sendo abertamente criticado por integrantes da CDU, que internamente especula sobre um sucessor para o impopular líder. O nome mais frequentemente mencionado é o do governador da Renânia do Norte-Vestfália, Hendrik Wüst.

Merz chamou a liderança do partido para uma reunião em Berlim na noite deste domingo para discutir os resultados das duas eleições e suas consequências. Há especulações de que líderes estaduais da CDU possam até mesmo tentar destituir Merz, que já afirmou que, para ele, "desistir não é uma opção".

Pesquisas nacionais elevam ainda mais a pressão sobre o chanceler federal. Uma recente sondagem da Insa mostrou que 78% dos alemães não consideram Merz o melhor nome para liderar o país. Num levantamento recente do YouGov, a aliança conservadora entre CDU e CSU tem apenas 18% da preferência dos eleitores - o pior resultado já registrado - e a AfD chega a 29%. Outras sondagens mostram percentuais parecidos.

A atual situação é extremamente amarga para Merz, que, em novembro de 2018, quando disputava o posto de presidente da CDU, havia prometido que, sob sua liderança, o apoio eleitoral à AfD poderia ser reduzido pela metade. Na Saxônia-Anhalt aconteceu o contrário: a AfD dobrou sua votação.

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Governo em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental

Com 1,3 milhão de eleitores aptos a votar, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental tem ainda menos eleitores do que a Saxônia-Anhalt. As pesquisas revelam duas tendências na eleição desse estado do norte da Alemanha: a AfD está na liderança, como em todos os estados do Leste da Alemanha, mas o SPD, liderado pela atual governadora Manuela Schwesig, ganhou terreno. Na última pesquisa, o partido estava apenas ligeiramente atrás da AfD, com 37% contra 34%.

A segunda tendência é a queda da CDU para apenas 7%. Os democratas-cristãos agora temem que possam até mesmo não conseguir, pela primeira vez, ultrapassar a cláusula de barreira de 5%. Isso se deve também ao fato de Schwesig estar mirando especificamente os eleitores que querem impedir a ascensão da AfD ao poder com sua campanha "Frau statt blau" (Mulher em vez de azul, a cor da AfD).

A continuidade da atual coalizão do SPD com A Esquerda é considerada bastante improvável, pois A Esquerda tem apenas 10% das intenções de voto, o que pode não bastar para uma maioria no parlamento. Se o Partido Verde, ao qual as pesquisas dão em torno de 5% das intenções de voto, conseguir superar a cláusula de barreira, ele poderá se unir à coalizão de Schwesig.

Governo em Berlim

Quase 2,5 milhões de pessoas estão aptas a votar na capital federal. Nas pesquisas, a CDU e A Esquerda disputam a liderança, com percentuais quase iguais. O tema dominante na campanha é a crise habitacional e a expropriação das grandes empresas imobiliárias. Há cinco anos, os berlinenses apoiaram essa medida num referendo não vinculativo.

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O candidato da CDU, Stefan Evers, substituiu no último momento o prefeito Kai Wegner, que teve de desistir de sua candidatura por causa de suas atitudes durante e após um grande corte de energia no sudoeste de Berlim. Wegner foi jogar tênis no meio do apagão, enquanto milhares de berlineses estavam sem luz.

Wegner governa a capital em coalizão com o SPD, desde 2023, mas seus índices de aprovação vinham caindo desde o início do ano. Com a mudança de candidato, os percentuais da CDU se estabilizaram em torno de 20%.

A Esquerda, com a carismática candidata Elif Eralp, que faz uma campanha inspirada no prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, aparece nas pesquisas como uma das candidatas com chances de liderar um governo de coalizão, mas dois tópicos causaram discussão recentemente. Por um lado, a legenda enfrenta acusações de tolerar o antissemitismo em suas fileiras devido a membros radicais pró-Palestina.

Além disso, a promessa feita por Eralp de desapropriar as grandes empresas imobiliárias está se tornando um empecilho para uma possível coalizão. O SPD já descartou uma aliança por causa disso, o que pode levar a uma coalizão entre conservadores, social-democratas e verdes. A dificuldade dessa opção é que ela não seria bem recebida pela base do Partido Verde, que, ao contrário da posição externada pelo candidato do SPD, é a favor da expropriação.

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Caso o partido de Eralp consiga ficar em primeiro lugar na eleição e formar uma coalizão, essa seria a primeira vez que A Esquerda governaria a capital alemã.

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