Arábia Saudita emite alertas de segurança abrangentes após uma semana de ataques

15 set 2026 - 14h04
Resumo
A Arábia Saudita emitiu alertas de segurança abrangentes, incluindo Meca e Jeddah, após intensos ataques de grupos alinhados ao Irã. A ofensiva houthi no Mar Vermelho e o fechamento do Oleoduto Leste-Oeste, alvo de ataque no Iraque, ameaçam 4% da oferta global de petróleo e elevaram os preços da commodity. Enquanto o conflito escala, Riad busca apoio diplomático e militar dos EUA para assegurar rotas marítimas estratégicas.

A Arábia Saudita emitiu alertas de segurança em várias regiões ‌do país nesta terça-feira, incluindo a cidade sagrada de Meca e a segunda maior cidade, Jeddah, após uma semana de ataques por parte de combatentes alinhados ao Irã, o que a envolveu ainda mais na guerra no Oriente Médio.

Os alertas foram rapidamente suspensos e as autoridades sauditas não informaram imediatamente se algum projétil havia atingido o solo, nem houve qualquer reivindicação imediata de responsabilidade pelos ataques.

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No entanto, esses alertas foram os de maior abrangência desde a escalada do conflito na semana passada, e o alarme em Meca foi o primeiro da guerra na cidade, que ⁠abriga santuários sagrados para todos os muçulmanos.

Os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, anunciaram uma série de ataques importantes contra a Arábia Saudita na ‌última semana, incluindo ataques a uma base aérea na segunda-feira, que, segundo eles, foram em retaliação aos ataques aéreos no Iêmen.

A Arábia Saudita atribuiu a um movimento pró-iraniano distinto, com base no Iraque, a autoria de um ataque na sexta-feira que interrompeu uma das mais importantes ‌rotas de transporte de petróleo do Reino, o Oleoduto Leste-Oeste que atravessa o deserto da ‌Arábia.

Uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita que combate os houthis no Iêmen informou que 13 civis ficaram feridos nos ataques ⁠de segunda-feira perpetrados pelos houthis contra a Arábia Saudita.

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Os combatentes apoiados pelo Irã lançaram um avanço relâmpago ao longo da costa oeste do Iêmen na semana passada, culminando na tomada de uma ilha na foz do Mar Vermelho.

NOVO TEATRO DE OPERAÇÕES FORTALECE A POSIÇÃO DO IRÃ

A escalada em um novo teatro de operações no conflito do Oriente Médio fortaleceu a posição do Irã em sua guerra contra os EUA e colocou ainda mais em risco o abastecimento global de petróleo.

Autoridades do governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita — que tem sede no sul do país ‌e se opõe aos houthis — afirmaram que as forças aéreas sauditas e iemenitas vinham respondendo aos avanços houthis intensificando os bombardeios aéreos contra alvos do ‌grupo. Isso incluiu ataques próximos ao histórico porto ⁠de Mocha, no Mar Vermelho, que ⁠os combatentes capturaram na semana passada.

Mas as autoridades iemenitas reconheceram que os houthis já assumiram o controle efetivo de quase toda a costa ocidental do país ⁠ao longo do Mar Vermelho.

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"Os houthis estão sob forte pressão. Por sua vez, estão ‌exercendo cada vez mais pressão sobre os sauditas, ‌intensificando sua campanha de ataques com mísseis e drones", disse uma das autoridades iemenitas.

NOVA AMEAÇA AO PETRÓLEO

O Oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, com 1.200 km, que liga seus campos de petróleo do Golfo Pérsico ao Mar Vermelho, tem sido a principal rota de exportação do Reino, enquanto o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz foi interrompido por seis meses de guerra.

Desde que o oleoduto foi fechado ⁠após o ataque de sexta-feira, os comerciantes afirmam que um fechamento prolongado poderia reduzir em até 4% o abastecimento global de petróleo. Riad não informou quando as operações poderão ser retomadas.

A nova presença dos houthis em Bab el-Mandeb, ou "Portão das Lágrimas" — o estreito na foz do Mar Vermelho —, pode comprometer ainda mais essa rota de exportação crucial.

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Os preços do petróleo subiram desde a semana passada para níveis não vistos desde maio. Os futuros do petróleo bruto Brent ultrapassaram US$108 por barril nesta terça-feira, enquanto o ‌preço médio de varejo do diesel nos EUA — um indicador politicamente sensível — atingiu um novo recorde histórico de quase US$6,27 por galão (3,8 litros).

O Conselho de Segurança das Nações Unidas discutirá o agravamento da crise em Bab el-Mandeb na tarde desta terça-feira, afirmaram dois diplomatas franceses.

EUA HESITAM ⁠EM INTERVIR

A Arábia Saudita lidera uma coalizão que combate os houthis desde 2015. O conflito havia se acalmado em grande parte sob um cessar-fogo nos últimos anos, mas os combates recomeçaram neste mês, com os houthis fazendo recuar as forças alinhadas ao governo reconhecido internacionalmente.

Os Estados Unidos, que bombardearam os houthis por dois meses no ano passado, enfrentam agora um dilema: ficar à margem e arriscar novas ameaças à economia global ou oferecer apoio militar aos sauditas e correr o risco de serem arrastados para outro cenário de guerra oneroso.

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O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, se reuniu com o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, no Cairo nesta terça-feira. Um comunicado da Presidência egípcia após a reunião afirmou que os líderes enfatizaram a necessidade de garantir a liberdade e a segurança da navegação em Bab el-Mandeb e no Mar Vermelho.

O príncipe herdeiro se reuniu com o comandante militar regional dos EUA, o almirante Brad Cooper, em Jeddah na segunda-feira, e ligou para o presidente Donald Trump na semana passada em busca de apoio militar, que até o momento se limitou a assistência de inteligência.

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