Após terremotos, Venezuela enfrenta ameaça de epidemias

Riscos de contaminação e doenças infecciosas têm crescido em meio ao caos

29 jun 2026 - 17h09
(atualizado às 17h20)

Após o desastre causado pelo terremotos devastadores, a Venezuela enfrenta outra ameaça alarmante: o risco de epidemias.

Infectologista vê risco aumentado de transmissão de cólera, hepatites A e E e disenteria
Infectologista vê risco aumentado de transmissão de cólera, hepatites A e E e disenteria
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Enquanto as operações de socorro prosseguem, as esperanças de encontrar sobreviventes sob os escombros diminuem a cada hora, ao mesmo tempo em que aumenta o perigo de contaminação e doenças infecciosas.

Publicidade

Segundo especialistas da Sociedade Italiana de Doenças Infecciosas e Tropicais (Simit), para evitar que a catástrofe se agrave, é fundamental garantir à população acesso a água segura, vacinação e controle de vetores.

A Venezuela "já se encontrava em uma situação precária no que diz respeito à saúde, com grave escassez de medicamentos, serviços hospitalares em dificuldades, escassez de profissionais de saúde e um sistema de vigilância epidemiológica enfraquecido.

Um evento trágico como este pode transformar doenças já endêmicas em epidemias generalizadas", explicou Antonio Cascio, infectologista e membro da Simit, em entrevista à ANSA.

Cascio lembrou que os danos causados pelos tremores à rede de abastecimento de água "aumentam o risco de infecções transmitidas pela água e alimentos contaminados", citando como exemplos cólera, hepatites A e E, febre tifoide, disenteria bacilar e leptospirose.

Publicidade

O especialista também mencionou atenção especial às infecções gastrointestinais agudas, que são uma das principais causas de mortalidade em emergências humanitárias.

Ao mesmo tempo, a superlotação nos centros de acolhimento também facilita a propagação de infecções respiratórias, incluindo a tuberculose, apesar de seu longo período de incubação.

Entre os feridos, há também um risco aumentado de infecções de pele e tétano, especialmente quando a situação vacinal é desconhecida.

"Além disso, o acúmulo de água parada após os terremotos pode levar à rápida proliferação de mosquitos e outros insetos vetores, favorecendo a transmissão de dengue, malária, chikungunya, Zika e leishmaniose", acrescentou Cascio.

A destruição de moradias também pode aumentar o contato com triatomíneos, insetos responsáveis pela transmissão da doença de Chagas.

Publicidade

No entanto, o infectologia reforçou que os "cadáveres, por si sós, não constituem uma fonte de epidemias".

"O risco sanitário decorre, na verdade, das condições ambientais e da contaminação da água", salientou.

De acordo com Cascio, "as medidas mais urgentes incluem: garantir água potável segura por meio de cloração e sistemas de distribuição protegidos; restaurar instalações de saneamento para prevenir a contaminação da água e dos alimentos; lançar campanhas de vacinação, priorizando o tétano; e implementar programas de controle de vetores mediante a eliminação de água parada, o uso de larvicidas e a distribuição de mosquiteiros e repelentes".

"Agir rapidamente nesta fase significa evitar que uma segunda emergência se some ao desastre natural", concluiu o especialista. 

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações