Após eleição, governo Meloni nega ser 'trumpista' e recebe críticas da oposição

Tajani disse que premiê é uma líder conservadora, mas não apoiadora do movimento MAGA

4 nov 2026 - 12h08
Resumo
Após a derrota eleitoral de Donald Trump, o vice-premiê italiano Antonio Tajani negou que ele e a primeira-ministra Giorgia Meloni sejam trumpistas ou membros do movimento MAGA, definindo a gestão como de direita conservadora e autônoma. Meloni evitou comentar o pleito. Em resposta, a oposição de esquerda criticou a postura do governo, acusando as lideranças de hipocrisia e de tentar apagar um histórico recente de subserviência e alinhamento político a Washington por conveniência eleitoral.

O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antônio Tajani, negou nesta quarta-feira (4) que ele e a primeira-ministra Giorgia Meloni sejam apoiadores do movimento "Make America Great Again" (MAGA), ligado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

    "Nunca fomos trumpistas. E Meloni certamente não é uma apoiadora do MAGA. Pelo amor de Deus! Nós somos conservadores. Quanto a mim, sou 'berlusconiano'", afirmou Tajani em entrevista ao jornal "Il Messaggero.it", em frente à sede do Força Itália (FI), em Roma, fazendo referência ao falecido ex-premiê italiano Silvio Berlusconi.

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    Segundo o chanceler da Itália, manter relações políticas com os republicanos americanos não significa necessariamente "ser trumpista".

    Tajani também ressaltou que nunca foi apoiador do MAGA e não pretende ser.

    "Meloni não é uma apoiadora do MAGA. Ela é uma líder conservadora italiana e europeia. É uma mulher de direita, não de extrema-direita", declarou ele, acrescentando que a primeira-ministra já disse "não" a Trump em diversas ocasiões.

    O chanceler italiano também afirmou que as eleições americanas nunca influenciaram o equilíbrio político da Itália. Como exemplo, destacou que o governo de Meloni manteve boas relações com a administração do ex-presidente Joe Biden e do então secretário de Estado Antony Blinken.

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    Além disso, Tajani lembrou que cancelou uma visita aos Estados Unidos em razão de declarações feitas por Trump sobre Meloni.

    Na avaliação do vice-premiê, as eleições de meio de mandato americanas não sinalizam um indicativo dos resultados políticos na Itália. "O que Ohio ou Texas têm a ver com a Basilicata ou Molise?", questionou, ao comentar a possibilidade de uma vitória democrata impulsionar a esquerda italiana antes das próximas eleições gerais.

    Paralelamente, Meloni evitou comentar o pleito americano.

    "Falaremos sobre a América em outra ocasião. Neste momento, é o Dia das Forças Armadas, 4 de novembro", respondeu a primeira-ministra a jornalistas durante as celebrações no Altar da Pátria, em Roma.

    As declarações de Tajani provocaram uma reação do deputado Angelo Bonelli, da Aliança Verdes e Esquerda (AVS), que acusou os integrantes do governo de tentarem se distanciar de Trump por constrangimento político.

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    "Agora, todos se envergonham de seu passado", afirmou Bonelli, lembrando os elogios feitos por Meloni ao presidente americano e sua visita à residência de Trump em Mar-a-Lago antes mesmo de assumir o cargo de primeira-ministra.

    O parlamentar também recordou que, em janeiro, Meloni manifestou esperança de que Trump pudesse receber o Prêmio Nobel da Paz.

    Em relação a Tajani, Bonelli mencionou uma fotografia do ministro segurando um boné MAGA durante a primeira reunião do chamado Conselho pela Paz, em Washington.

    O político da AVS ampliou as críticas à política externa e econômica do governo italiano, acusando-o de atender aos interesses americanos em temas como gastos militares, tributação das grandes empresas de tecnologia e mudanças climáticas.

    "Este governo disse 'sim' a Trump em tudo: no rearmamento, ao ceder à corrida de gastos militares imposta por Washington; em relação às 'Big Techs', ao abandonar os planos de taxar as gigantes americanas da internet - deixando que as famílias e empresas italianas paguem a conta; e no clima; ao se entregar a uma forma de negacionismo que está custando vidas e bilhões em prejuízos", afirmou.

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    Por fim, Bonelli enfatizou que "agora que Trump se tornou um constrangimento até para eles": "Tentam apagar o passado com uma única frase", declarou o deputado.

    Para ele, as escolhas políticas de Meloni e Tajani demonstram que o governo colocou os interesses do presidente americano acima dos interesses da Itália. "A subserviência não pode ser eliminada em uma entrevista; ela é medida pelas escolhas que se faz".

    Hoje, o Partido Democrata conquistou a maioria nas duas Casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3), impondo uma derrota histórica a Trump. .

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