Após crise em Ceuta, Espanha cobra que Itália revogue controles de passaportes

'A zona Schengen nunca esteve em perigo', garantiu ministro

4 ago 2026 - 12h48
(atualizado às 14h24)

O governo da Espanha cobrou nesta terça-feira (4) que a Itália revogue de imediato os controles nas fronteiras aéreas e marítimas entre os dois países, restabelecidos por Roma na esteira da crise migratória em Ceuta.

O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska
O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

"Peço que esses controles adicionais sejam revogados imediatamente porque claramente não correspondem ao que foi reconhecido, ou seja, que a zona Schengen nunca esteve em perigo", disse o ministro espanhol do Interior, Fernando Grande-Marlaska, em coletiva de imprensa após reunião por videoconferência com seus homólogos da União Europeia.

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Realizado a pedido de Madri, o encontro virtual durou cerca de três horas e teve como objetivo chegar a uma posição unificada do bloco após as divergências vistas na esteira da emergência em Ceuta, sobretudo entre Espanha e Itália.

Durante a videoconferência, o ministro do Interior da Itália, Matteo Piantedosi, tentou colocar panos quentes nas tensões e disse "compreender muito bem" a pressão migratória enfrentada pelo país ibérico.

Na semana passada, Roma suspendeu por um mês o Acordo de Schengen, que regulamenta a livre circulação dentro da UE, para viajantes provenientes do território espanhol, alegando riscos de os migrantes que entraram em Ceuta na semana passada tentarem chegar ao território italiano.

A medida provocou reações do governo da Espanha, que alegou que seu exclave no norte da África não faz parte da Área Schengen e acusou a Itália de "não estar à altura" da crise.

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"Gostaria de esclarecer de modo claro a natureza de nossa decisão sobre a retomada temporária dos controles nas fronteiras aéreas e marítimas. Não se trata, de modo algum, de uma medida contra a Espanha, é uma escolha de natureza preventiva, voltada a tutelar a segurança nacional", afirmou Piantedosi, que ainda expressou "sincera solidariedade da Itália".

Na última quinta-feira (30), 72 mil migrantes provenientes do Marrocos entraram em Ceuta a nado com o objetivo de chegar à Espanha continental e à UE. No entanto, segundo o ministro Grande-Marlaska, 70 mil deles já foram repatriados.

"Não entendi o fechamento de Schengen por parte da Itália, me pareceu uma medida totalmente sem necessidade. Não havia qualquer risco de movimento secundário, já que Ceuta tem um regime especial", salientou.

Já o comissário de Interior e Migração da UE, o austríaco Magnus Brunner, disse depois da videoconferência que a "Área Schengen não foi atingida" pela crise da semana passada.

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