Americano que votou três vezes em Trump questiona política migratória após prisão da esposa pelo ICE

Brent Jindra apoiou o presidente por sua agenda anti-imigração, mas mudou de postura após a mulher ser detida

19 ago 2026 - 13h30
Prisão de mulher levou o americano Brent Jindra a questionar o alcance da política migratória que ajudou a levar Trump novamente à Casa Branca
Prisão de mulher levou o americano Brent Jindra a questionar o alcance da política migratória que ajudou a levar Trump novamente à Casa Branca
Foto: Megan Varner/Getty Images

O americano Brent Jindra, de 48 anos, votou três vezes em Donald Trump, atraído principalmente pela agenda anti-imigração do republicano. Mas a prisão da esposa,  a russa Galina Bobreneva, pelo ICE, Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, fez com que ele passasse a questionar a política migratória do presidente. O caso foi relatado pelo The New York Times. 

No mês passado, poucos minutos depois de o casal desembarcar de um voo em Burbank, na Califórnia, Bobreneva foi abordada por um agente federal, interrogada por cerca de 15 minutos e levada algemada para um veículo sem identificação. Em seguida, a mulher foi conduzida para uma cela no centro de detenção de Adelanto. 

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Segundo o relato do casal, Bobreneva passou 16 dias detida. Ela foi libertada mediante fiança de US$ 35 mil (cerca de R$ 182 mil), com uma tornozeleira eletrônica, e agora responde a acusações federais por ter permanecido no país além do prazo de seu visto.

Bobreneva chegou aos Estados Unidos com visto de turista no fim de 2021, prorrogou a permanência duas vezes após a invasão da Ucrânia pela Rússia e pediu asilo em 2022. Em dezembro de 2025, casou-se com Jindra, que em abril deste ano entrou com um pedido de green card para a esposa. 

Conforme o casal, o processo havia sido aceito oficialmente e ela já havia fornecido as impressões digitais. “Eu tinha absoluta certeza de que aquilo era um erro. Expliquei que estava em processo de obtenção de um green card e apresentei os documentos”, disse Bobreneva.

A prisão levou Jindra a questionar o alcance da política migratória de Trump. “O apelo da militância do Maga (Faça os Estados Unidos Grandes Novamente, na sigla em inglês) era relacionado a entrada ilegal de criminosos. Nunca houve respaldo para que este presidente mudasse o alvo e começasse a perseguir pessoas que entraram legalmente no país”, afirmou.

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Ele também criticou a prisão da mulher: “Ela não pulou um muro, não atravessou um rio a nado. Ela entrou pela bela e grande porta da frente de Trump.”

Ao jornal americano, Bobreneva relatou condições precárias, falta de atendimento médico e superlotação no centro de detenção de Adelanto. “Eu me senti como um pedaço de carne, não como um ser humano.”

Após duas semanas, Bobreneva deixou a unidade sob fiança e com a obrigação de se apresentar periodicamente ao ICE.  A primeira audiência judicial está marcada para 22 de outubro. Enquanto aguarda uma definição, ela permanece usando tornozeleira eletrônica e com restrições de circulação. 

O Departamento de Segurança Interna, questionado pelo  New York Times sobre o caso, classificou Bobreneva como uma “estrangeira ilegal” e afirmou que ela foi presa porque “ultrapassou o prazo de permanência permitido, violando as leis de nossa nação”. 

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Fonte: Portal Terra
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