O americano Brent Jindra, de 48 anos, votou três vezes em Donald Trump, atraído principalmente pela agenda anti-imigração do republicano. Mas a prisão da esposa, a russa Galina Bobreneva, pelo ICE, Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, fez com que ele passasse a questionar a política migratória do presidente. O caso foi relatado pelo The New York Times.
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No mês passado, poucos minutos depois de o casal desembarcar de um voo em Burbank, na Califórnia, Bobreneva foi abordada por um agente federal, interrogada por cerca de 15 minutos e levada algemada para um veículo sem identificação. Em seguida, a mulher foi conduzida para uma cela no centro de detenção de Adelanto.
Segundo o relato do casal, Bobreneva passou 16 dias detida. Ela foi libertada mediante fiança de US$ 35 mil (cerca de R$ 182 mil), com uma tornozeleira eletrônica, e agora responde a acusações federais por ter permanecido no país além do prazo de seu visto.
Bobreneva chegou aos Estados Unidos com visto de turista no fim de 2021, prorrogou a permanência duas vezes após a invasão da Ucrânia pela Rússia e pediu asilo em 2022. Em dezembro de 2025, casou-se com Jindra, que em abril deste ano entrou com um pedido de green card para a esposa.
Conforme o casal, o processo havia sido aceito oficialmente e ela já havia fornecido as impressões digitais. “Eu tinha absoluta certeza de que aquilo era um erro. Expliquei que estava em processo de obtenção de um green card e apresentei os documentos”, disse Bobreneva.
A prisão levou Jindra a questionar o alcance da política migratória de Trump. “O apelo da militância do Maga (Faça os Estados Unidos Grandes Novamente, na sigla em inglês) era relacionado a entrada ilegal de criminosos. Nunca houve respaldo para que este presidente mudasse o alvo e começasse a perseguir pessoas que entraram legalmente no país”, afirmou.
Ele também criticou a prisão da mulher: “Ela não pulou um muro, não atravessou um rio a nado. Ela entrou pela bela e grande porta da frente de Trump.”
Ao jornal americano, Bobreneva relatou condições precárias, falta de atendimento médico e superlotação no centro de detenção de Adelanto. “Eu me senti como um pedaço de carne, não como um ser humano.”
Após duas semanas, Bobreneva deixou a unidade sob fiança e com a obrigação de se apresentar periodicamente ao ICE. A primeira audiência judicial está marcada para 22 de outubro. Enquanto aguarda uma definição, ela permanece usando tornozeleira eletrônica e com restrições de circulação.
O Departamento de Segurança Interna, questionado pelo New York Times sobre o caso, classificou Bobreneva como uma “estrangeira ilegal” e afirmou que ela foi presa porque “ultrapassou o prazo de permanência permitido, violando as leis de nossa nação”.