Violência de gangues: mais de 3.000 pessoas foram assassinadas no Haiti em 2025

"Entre 1º de janeiro e 30 de junho, 3.141 pessoas foram mortas no Haiti", afirmou nesta sexta-feira (11) Ravina Shamdasani, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Este dado abrange apenas os seis primeiros meses de 2025. O relatório da ONU, apresentado em Genebra, trouxe grande preocupação com a disseminação da violência de gangues no Haiti, que pode piorar a situação em relação à segurança do país da América Central e atravessar fronteiras dentro do continente.

11 jul 2025 - 13h38

"Entre 1º de janeiro e 30 de junho, 3.141 pessoas foram mortas no Haiti", afirmou nesta sexta-feira (11) Ravina Shamdasani, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Este dado abrange apenas os seis primeiros meses de 2025. O relatório da ONU, apresentado em Genebra, trouxe grande preocupação com a disseminação da violência de gangues no Haiti, que pode piorar a situação em relação à segurança do país da América Central e atravessar fronteiras dentro do continente.

Membro de gangue haitiana circula armado pelas ruas das regiões dominadas pelo medo. Foto feita em novembro de 2024.
Membro de gangue haitiana circula armado pelas ruas das regiões dominadas pelo medo. Foto feita em novembro de 2024.
Foto: AP - Odelyn Joseph / RFI

O estudo divulgado nesta sexta-feira detalha a evolução dos incidentes violentos relacionados a gangues desde outubro do ano passado. O documento aponta um crescimento exponencial da violência nos últimos meses no Haiti.

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Áreas como Artibonite e Centro são afetadas pela falta de segurança, uma vez que as gangues expandem suas influências ao longo de rotas importantes, principalmente no norte e no centro do país, e em direção à República Dominicana.

"Preso no meio dessa história de horror sem fim, o povo haitiano está à mercê da terrível violência de gangues e exposto a violações de direitos humanos por parte das forças de segurança e a abusos dos chamados grupos de autodefesa."

A declaração foi do comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk.

Números alarmantes

Em quatro departamentos analisados (Artibonite, Centro, Ganthier e Fonds Parisien), 1.018 pessoas foram mortas, 213 ficaram feridas e 620 foram sequestradas no período entre 1º de outubro de 2024 e 30 de junho de 2025.

Neste mesmo período, o número de assassinatos no Haiti chegou a 4.864, sendo 3.141 nos primeiros seis meses de 2025.

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No mês passado, o Haiti admitiu contratar justiceiros para exterminar as gangues que tomam conta de determinadas localidades do país. Organizações em defesa dos direitos humanos temem o impacto da presença de matadores no território haitiano. 

O estudo afirma que a expansão do controle territorial das gangues representa um grande risco à disseminação da violência e ao aumento do tráfico de pessoas e armas, "provavelmente levando a uma desestabilização significativa para os países da região do Caribe".

Para evitar o agravamento deste cenário, a ONU apelou à comunidade internacional para "reforçar seu apoio às autoridades haitianas, que têm a responsabilidade de proteger os direitos de seus cidadãos, bem como às organizações internacionais e nacionais que prestam assistência a grupos vulneráveis".

Não é de hoje que a ONU denuncia a violência das gangues no Haiti. Em junho deste ano, a organização havia contabilizado 1,3 milhão de deslocados internos, que tiveram que abandonar suas causas devido à ação das gangues. A ONU também alertou para a situação das crianças, cada vez mais visadas nas zonas de conflito. 

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(Com AFP)

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