"Esta manhã, 1º de janeiro, mães e familiares relataram novas libertações de presos políticos da prisão de Tocorón (100 km a oeste da capital Caracas)", publicou nas redes sociais o Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos (CLIPVE).
O Comitê de Mães pela Defesa da Verdade, outra entidade que atua e monitora a situação dessas pessoas, também divulgou um comunicado ratificando as 87 libertações.
"Isso nos enche de alegria. No entanto, é insuficiente. Trata-se de uma liberdade limitada", sob supervisão judicial, "e muitos outros de nossos entes queridos continuam sendo arbitrariamente encarcerados", escreveu a ONG.
"A injustiça continua a afetar centenas de famílias em todo o país. É por isso que insistimos que a Venezuela precisa de uma anistia geral que conceda liberdade plena e completa a todos os detidos arbitrariamente por motivos políticos", diz o comunicado.
Insatisfação pós-eleição de 2024
Nicolás Maduro foi declarado vencedor da eleição presidencial de 2024 pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que nunca divulgou os resultados detalhados do pleito, alegando um ataque cibernético. A oposição, que publicou relatórios de seções eleitorais — considerados falsificados pelo governo — denuncia fraude e afirma que seu candidato, Edmundo González Urrutia, seria o vencedor legítimo.
A repressão aos protestos pós-eleitorais resultou em 2,4 mil prisões e 28 mortes, segundo dados oficiais. Nas semanas seguintes, as autoridades anunciaram a libertação de mais de 2 mil manifestantes.
No Natal de 2025, mais 99 pessoas foram liberadas, conforme números oficiais. No entanto, a ONG Foro Penal alega que seriam apenas 61. A entidade, que presta assistência jurídica a muitos detidos, destaca que a medida de quarta-feira (31) também inclui dois "presos políticos" da prisão Rodeo 1, localizada no estado de Miranda (Caracas).
Segundo a ONG, existem cerca de 700 presos políticos no país. Uma missão da ONU destacou recentemente que a repressão se intensificou nos últimos meses.
Com AFP