Trump endurece sanções contra Cuba e ameaça assumir a ilha após guerra contra Irã

O presidente dos Estados Unidos ordenou, nesta sexta-feira (1º), a imposição de novas sanções destinadas a asfixiar o governo de Cuba. O anúncio coincidiu com o Dia dos Trabalhadores, marcado na ilha por uma manifestação em Havana para "defender a pátria" e denunciar as ameaças de agressão militar dos Estados Unidos. Também na sexta-feira, Donald Trump afirmou durante um evento na Flórida que poderia "assumir" Cuba "quase imediatamente" após o fim da guerra contra o Irã.

2 mai 2026 - 08h15

As novas sanções, detalhadas em um decreto presidencial, dirigem-se especificamente a bancos estrangeiros que colaboram com o governo cubano e impõem restrições migratórias. As medidas visam aumentar a pressão sobre Havana, mergulhada em uma grave crise econômica devido ao bloqueio petrolífero imposto por Washington.

Trump anunciou a imposição de novas sanções contra Cuba durante a mobilização do 1º de Maio em Havana.
Trump anunciou a imposição de novas sanções contra Cuba durante a mobilização do 1º de Maio em Havana.
Foto: © AFP / RFI

Trump não esconde o desejo de ver uma mudança de regime na ilha, que, segundo ele, representa uma "ameaça extraordinária" para a segurança nacional dos Estados Unidos. Na sexta-feira, durante um evento na Flórida, subiu o tom e disse que poderia posicionar o porta-aviões americano, "de volta do Irã", a cerca de 90 metros da costa da ilha caribenha.

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O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, rejeitou as novas sanções e qualificou o bloqueio como "genocida" em uma mensagem no X.

"Hoje, o governo dos #EUA anunciou novas medidas coercitivas que reforçam o brutal #BloqueioGenocida, como evidência de sua pobreza moral...", escreveu Díaz-Canel.

"Nenhuma pessoa honesta pode aceitar a desculpa de que #Cuba seja uma ameaça para esse país", acrescentou, acusando Washington de ter uma "conduta intimidatória e arrogante".

Dia do Trabalhador

O anúncio de novas sanções coincidiu com o Dia dos Trabalhadores, que Cuba celebrou com um desfile em frente à embaixada americana em Havana. O líder revolucionário Raúl Castro, de 94 anos, e o presidente Miguel Díaz-Canel participaram do ato.

Sob o lema "defendemos a pátria", o governo convocou trabalhadores de empresas estatais, funcionários públicos e membros do Partido Comunista de Cuba, PCC único, a se reunirem ao amanhecer em uma praça do Malecón, a avenida à beira-mar de Havana, em frente à embaixada americana, no que foi chamado de "plataforma anti-imperialista". As autoridades disseram que centenas de milhares de pessoas participaram do ato.

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O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, também denunciou as novas sanções, que constituem "um castigo coletivo ao povo cubano".

Apesar da situação tensa, os dois países mantêm conversações. Em 10 de abril, foram realizadas reuniões diplomáticas de alto nível em Havana. Na ocasião, um funcionário americano se reuniu com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro.

Com AFP

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