Com informações de Najet Benrabaa, correspondente da RFI em Medellín, e agências
A Colômbia está em choque após um forte terremoto de magnitude 7,4 atingir a região de Chocó, no oeste do país, na segunda‑feira (10). Com o estado de emergência decretado e ao menos seis aeroportos fechados, equipes de resgate correm contra o tempo para localizar sobreviventes sob os escombros.
Até o momento, as autoridades contabilizam 181 mortos e mais de 1.300 feridos - números que devem aumentar nas próximas horas. Só em Cali, no oeste do país, a terceira maior cidade da Colômbia, foram registradas 35 mortes, 700 feridos e 188 desaparecidos.
Mais de 160 edifícios foram destruídos e milhares de moradias sofreram danos. Os esforços de socorro se concentram no departamento de Chocó, onde fica San José del Palmar, pequena cidade próxima à costa do Pacífico e epicentro do tremor, registrado às 7h34 da manhã, pelo horário local.
Até o momento, nenhum alerta de tsunami foi emitido. Um toque de recolher foi instaurado, e militares foram mobilizados em várias cidades após episódios de saques.
Governo marcou presença
Três dias após tomar posse, o presidente colombiano visitou as áreas mais afetadas, primeiro Quibdó, depois Cali. Depois de expressar suas condolências e solidariedade à população de Chocó, Abelardo de la Espriella anunciou um conjunto de medidas de emergência para apoiar as vítimas, como um subsídio para aluguel, permitindo que as famílias possam se realojar enquanto suas casas são reparadas e restauradas. Segundo ele, até 1.400 moradias foram afetadas.
De acordo com o novo presidente, a segunda prioridade do governo é a saúde. Com um sistema hospitalar já fragilizado e agora totalmente saturado, Abelardo de la Espriella anunciou um plano de apoio emergencial. Segundo ele, os doentes e feridos contabilizados em Chocó serão transferidos para Medellín, onde já foi organizada a estrutura necessária para receber a população necessitada e garantir atendimento médico.
Para Pascal Drouhaud, presidente da associação Latfran e especialista em política da América Latina, a catástrofe permite a Abelardo de la Espriella aplicar o que ele prometeu durante a campanha presidencial, principalmente restaurando a autoridade do Estado. "Seria impossível estar bem preparado para esta tragédia, levando-se em conta a intensidade do terremoto, mas é importante destacar que o governo marcou presença e reagiu imediatamente, diferentemente do que aconteceu durante o terremoto na Venezuela. O presidente colombiano fez um apelo à união nacional, como um Estado que age a serviço de todos, o que é coerente com a linha que ele definiu durante sua campanha", avalia.
Apesar de imagens do terremoto na Venezuela, em junho, ainda estarem presentes na memória coletiva, a situação na Colômbia é bem diferente, tanto pela reação imediata do governo quanto pela natureza dos danos. Embora a magnitude tenha sido quase a mesma, as consequências foram menos devastadoras na Colômbia porque o tremor ocorreu em maior profundidade (cerca de 100 km, contra aproximadamente 20 km no caso venezuelano). Além disso, a resposta das autoridades colombianas foi rápida. Poucas horas após o terremoto, bombeiros e máquinas já atuavam nas zonas destruídas para facilitar as buscas por sobreviventes.
Terremoto mais intenso do século
Em Cali, os socorristas estabeleceram correntes humanas para tirar os destroços dos edifícios, com picaretas e ferramentas básicas. Em alguns momentos, gritam "silêncio" para poder ouvir os sinais de vida dos soterrados. O tremor faz os colombianos reviverem a a tragédia do forte terremoto de 1999, que deixou quase 1.200 mortos na região.
Várias instalações hospitalares sofreram danos na cidade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que mencionou em particular o colapso dos serviços de cardiologia e pediatria do Hospital Universitário del Valle. As escolas públicas permanecerão fechadas na terça e quarta-feira.
O papa Leão XIV se declarou profundamente "consternado" e afirmou que reza pelas vítimas, segundo um telegrama enviado em seu nome pelo número dois do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, ao presidente da Conferência Episcopal Colombiana.
A estrela pop Shakira, natural de Barranquilla, no norte da Colômbia, escreveu uma mensagem emotiva na rede social X: "Meu coração (...) está com as famílias que estão passando momentos de angústia".
Vários países oferecem apoio à Bogotá, entre eles, México, Chile, Argentina e El Salvador. Os Estados Unidos, aliados do novo governo, ofereceram uma ajuda de US$ 15,5 milhões. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco pôs à disposição seu serviço de satélite Copernicus para as operações de resgate.
O terremoto foi sentido inclusive em países vizinhos, como em algumas regiões da Venezuela, na capital equatoriana, Quito, e em diversas províncias do Panamá. Esses países estão localizados no Cinturão de Fogo do Pacífico, uma região altamente sísmica e vulcânica onde se registra a atividade das placas tectônicas de Nazca e do Caribe.