A Colômbia entrou nesta terça-feira, 11, no segundo dia de buscas por sobreviventes após o terremoto mais forte registrado no país na última década. Voluntários e equipes de resgate passaram a madrugada removendo escombros com as mãos, baldes e ferramentas improvisadas em cidades atingidas pelo tremor de magnitude 7,4. Ao menos 132 pessoas morreram e mais de 570 ficaram feridas, segundo a Associação Colombiana de Cidades Capitais, entidade que coordena as principais cidades do país.
O terremoto atingiu a região oeste da Colômbia pouco depois das 7h30 (horário local) de segunda-feira, 10. O tremor foi sentido em várias partes do país, inclusive em Bogotá, onde moradores deixaram suas casas às pressas. O abalo também foi percebido no Equador, no Panamá e em Manaus, no Amazonas.
Três dias depois de assumir a Presidência, Abelardo de la Espriella decretou estado de emergência e prometeu concentrar esforços nas operações de resgate. Mais cedo, o presidente havia informado que o número de mortos era de 111.
Pereira, uma das cidades mais atingidas, ficou parcialmente às escuras durante a noite de segunda-feira por causa de interrupções no fornecimento de energia. Enquanto voluntários procuravam sinais de vida sob prédios destruídos, moradores relatavam o temor de novos desabamentos.
Imagens de várias cidades mostraram móveis soterrados entre concreto, paredes e pisos deslocados. Cabos elétricos ficaram espalhados pelas ruas. Em Manizales, parte de uma torre da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Rosário, um dos principais cartões-postais da cidade, desabou.
Em Quibdó, capital do departamento de Chocó, os serviços públicos e as comunicações foram praticamente interrompidos, segundo a autoridade local Jenny Rivas.
Em Cali, terceira maior cidade da Colômbia, voluntários se juntaram às equipes de emergência. Com picaretas, ferramentas básicas e as próprias mãos, eles tentaram localizar pessoas presas sob os escombros.
As equipes formaram correntes humanas para retirar tijolos e pedaços de alvenaria. A cada poucos minutos, interrompiam o trabalho para tentar ouvir sinais de pessoas presas.
Hospitais de cinco cidades colombianas foram colocados em alerta máximo. Em Cali, as autoridades decretaram toque de recolher durante a noite. Pelo menos seis aeroportos também suspenderam as operações, de acordo com a autoridade de aviação civil.
O terremoto ocorreu a uma profundidade de 110 quilômetros. Segundo especialistas do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o tremor provavelmente foi provocado pelo movimento de uma falha profunda dentro da placa tectônica de Nazca.
Ajuda internacional
A dimensão da destruição levou governos e organizações internacionais a oferecerem apoio à Colômbia. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo americano acompanhava de perto a situação e estava pronto para auxiliar o país. Washington posteriormente anunciou R$79 milhões em ajuda emergencial.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a União Europeia mobilizou o programa Copernicus, sistema de observação por satélite que pode auxiliar as equipes nas operações de emergência. Israel, México, Equador e França também ofereceram assistência.
No Brasil, o Itamaraty comunicou sobre a intenção de colaborar nas atividades de resposta ao desastre, não há brasileiros entre as vítimas. /AFP