Após passar a terça-feira em Montevidéu, capital do Uruguai, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi recebido com festa na capital argentina nesta quarta-feira. Em Buenos Aires, Maduro se reuniu pela manhã com a presidente Cristina Kirchner e, na sequência, seguiu para uma homenagem ao ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, morto no dia 5 de março, e ao ex-presidente argentino Néstor Kirchner, falecido em outubro de 2010.
Um multidião de mais ou menos 20 mil pessoas lotou o estádio Ilhas Malvinas, sede da equipe de futebol All Boys, localizado no bairro Floresta, região oeste da cidade de Buenos Aires. O ato intitulado "Homens como eles não morrem, semeam", trouxe como figuras principais o ex-presidente argentino ao lado da figura de San Martin e o venezuelano ao lado do retrato de Simón Bolívar em uma imagem reproduzida a exaustão.
Maduro chegou ao local com um hora e meia de atraso. Simpático, ele cumprimentou todos os presentes e logo vestiu uma manta com as cores da bandeira venezuelana. Uma multidão de militantes ligados à organização que promoveu o ato, a La Campora, festejou o presidente recém-eleito. "Eu não sei se aqui também se diz assim, mas temos casa cheia, não cabe mais nenhum um alfinete", brincou Maduro. Cristina Kirchner não compareceu ao evento.
O "presidente eleito constitucionalmente da Venezuela", como foi apresentado pela mestre de cerimônias do ato, fez questão de ressaltar que seu país está em “combate permanente”. Com a Constituição em punho, contou toda a história da tomada de poder por Hugo Chávez. "Hoje, no dia 8 de maio, eu posso dizer que das 18 eleições que participamos desde o começo da revolução bolivariana, ganhamos 17. Tudo isso, seguindo a risca o que diz a Constituição bolivariana, a qual permitiu que tivéssemos o que se chama por ai de uma 'ditadura' na Venezuela", ironizou.
Ele fez questão de enfatizar que o sistema eleitoral venezuelano é, em suas palavras, "transparente e impecável".
A recepção na Argentina foi calorosa, mesmo após toda a polêmica e apertada vitória nas urnas no dia 14 de abril, quando derrotou seu opositor Henrique Capriles por uma margem de menos de 300 mil votos. Um dos principais atores do governo argentino, o ministro das Relações Exteriores, Héctor Timerman, declarou em entrevista à Rádio Del Plata que o governo argentino considera Maduro "o novo presidente, um presidente que apoiamos muito".