Liberdade nos EUA tem retrocesso inédito, afirma organização americana

O grau de liberdade nos Estados Unidos atingiu o menor nível já registrado, informou nesta quinta-feira (19) a ONG Freedom House, que aponta um uso agressivo da autoridade executiva pelo presidente Donald Trump no país. A organização, com sede em Washington, destacou que a liberdade diminuiu em todo o planeta em 2025 pelo 20º ano consecutivo, o que classificou de "marco sombrio".

19 mar 2026 - 11h21

Os Estados Unidos mantêm a classificação de país "livre", mas sua nota caiu para 81 pontos em 100, a menor pontuação desde o início da publicação do índice, em 1972. O índice posiciona os Estados Unidos no mesmo nível da África do Sul e abaixo de vários países europeus, assim como da Coreia do Sul e do Panamá.

Atuação de agentes anti-imigração levou a duas mortes de americanos. (14/01/2026)
Atuação de agentes anti-imigração levou a duas mortes de americanos. (14/01/2026)
Foto: REUTERS - Ryan Murphy / RFI

A Freedom House afirma que o retrocesso nos Estados Unidos se deve à "disfunção legislativa e ao predomínio do poder executivo, ao aumento crescente da pressão sobre a capacidade das pessoas de se expressarem livremente e aos esforços do novo governo para minar as salvaguardas anticorrupção".

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A organização sem fins lucrativos, que recebe financiamento do governo dos EUA, publica um ranking anual baseado em um índice que inclui, para cada país, o grau de democracia e liberdades civis. O governo Trump, no entanto, cortou seus subsídios, deixando de priorizar a promoção da democracia.

Os Estados Unidos recuaram três pontos, nível de queda registrado apenas pela Bulgária, outro país na categoria "livre", onde as eleições de 2024 foram marcadas por denúncias de fraude. Desde seu retorno ao poder há mais de um ano, Trump ordenou o fechamento de agências governamentais e mobilizou agentes contra a imigração armados e com o rosto coberto em todo o país.

Recuo mundial

Apenas 21% da população mundial vive em países classificados como "livres". Grande parte do retrocesso na África foi provocada por golpes militares, pela violência contra manifestantes e o enfraquecimento das garantias constitucionais, segundo a Freedom House.

Nas últimas duas décadas, mais países "caíram para a categoria 'não livres' do que aqueles que se democratizaram ou ascenderam à categoria 'livres'", afirmou Cathryn Grothe, analista de pesquisa na Freedom House e coautora do relatório.

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O mundo está se tornando menos livre, o meio-termo está diminuindo, enquanto os países livres permanecem relativamente estáveis", acrescentou ela.

Três países 'subiram'

Em uma nota positiva, três países passaram de "parcialmente livres" para "livres": Bolívia e Malaui, que organizaram eleições competitivas, e Fiji, que reforçou o Estado de Direito.

O único país que obteve pontuação perfeita de 100 foi a Finlândia, enquanto o Sudão do Sul recebeu a nota 0.

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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