Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York.
A expectativa era de que o pronunciamento trouxesse detalhes sobre os próximos passos da operação militar, mas o presidente optou por reforçar mensagens anteriores, alternando ameaças de escalada com sinais vagos de abertura para negociação.
Trump afirmou que a guerra está "se aproximando do fim", embora tenha indicado que os ataques devem continuar por até três semanas. Segundo ele, caso não haja acordo, os Estados Unidos poderão atingir com muita força a infraestrutura energética iraniana.
Apesar de manter um tom duro, Trump voltou a sugerir que o conflito poderia ser resolvido pela via diplomática, uma postura que contrasta com declarações recentes, nas quais afirmou não depender de negociações para encerrar a guerra.
Sobre o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial, Trump afirmou que a reabertura ocorreria de forma natural, mas defendeu que outros países deveriam assumir a responsabilidade pela segurança da rota marítima.
No campo econômico, o presidente insistiu no discurso de que os Estados Unidos vivem um momento de prosperidade, sem comentar os impactos já perceptíveis da guerra sobre os preços de energia e a inflação.
Continuidade da ofensiva e resposta do Irã
O presidente americano também tentou relativizar a duração do conflito, comparando a guerra atual com operações militares do século 20, como Vietnã e Iraque, e destacando que a ofensiva no Irã ainda está no início do segundo mês. Apesar disso, não apresentou qualquer plano concreto de saída, mantendo um discurso marcado por ambiguidades.
Trump também afirmou em seu pronunciamento que a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones foi significativamente reduzida, embora autoridades reconheçam que parte do arsenal segue intacta e continua sendo utilizada.
Nesta quinta, Teerã respondeu às declarações de Donald Trump ameaçando ataques "mais amplos e mais esmagadores". O Irã denunciou as exigências "maximalistas e irracionais" dos Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que negou a existência de negociações sobre um cessar‑fogo entre os dois países, segundo a imprensa iraniana.
Referência aos aliados europeus
Nos últimos dias, Trump havia elevado o tom contra aliados europeus e contra a OTAN, chegando a ameaçar rever o papel dos Estados Unidos na aliança militar. No pronunciamento desta quarta‑feira, porém, ele evitou repetir essas críticas de forma direta.
Ainda assim, a sua retórica recente - que descreve a Europa como fraca e dependente - aumentou a tensão entre Washington e seus aliados históricos, em meio a um conflito que segue sem definição clara de duração ou desfecho.