EUA impõem novas sanções ao presidente de Cuba e Trump diz que 'cuidará' da ilha após impasse com o Irã

O governo dos Estados Unidos intensificou sua pressão sobre Cuba e impôs, nesta quinta-feira (4), sanções econômicas a diversas figuras do regime, incluindo o presidente Miguel Díaz-Canel e membros da família Castro. O presidente já estava sujeito a sanções impostas em julho de 2025 pelo Departamento de Estado dos EUA, que o acusa de atos de repressão contra manifestantes em 2021.

5 jun 2026 - 05h48

O filho e um dos netos de Raúl Castro, que não ocupa mais um cargo oficial, mas permanece, aos 95 anos, no centro das decisões sobre o futuro da ilha comunista, também estão na nova lista divulgada pelo Departamento do Tesouro dos EUA.

O único filho do ex-líder, Alejandro Castro Espín, foi uma figura-chave nas negociações secretas entre Cuba e os Estados Unidos que levaram à restauração das relações diplomáticas entre os dois países em 2015. A esposa do presidente cubano, Lis Cuesta, e seu filho também estão sancionados, juntamente com o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias. Essas sanções "visam fortalecer o bloqueio e o clima de conflito entre Cuba e os Estados Unidos", declarou o chefe de Estado cubano na quinta-feira.

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"A agressão e a perversidade do governo ianque irão colidir com nossa determinação de enfrentar os piores cenários e resistir ao ataque imperial", acrescentou Miguel Díaz-Canel, enquanto o presidente americano reiterou na quinta-feira sua intenção de em breve "lidar com" a ilha comunista.

O Departamento do Tesouro já havia sancionado recentemente ministros cubanos, vários generais e os serviços de inteligência.

Impacto das sanções

Quando Washington impõe sanções a indivíduos e organizações, quaisquer bens que eles possam ter nos Estados Unidos são congelados. Empresas e cidadãos americanos são proibidos de negociar com eles, sob pena de também serem submetidos a sanções.

Outro neto de Raúl Castro, Raúl Guillermo Rodríguez Castro, que, segundo a imprensa americana, está desempenhando um papel nas difíceis negociações em andamento há vários meses entre os dois países, não está entre os sujeitos às medidas restritivas.

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"As entidades e indivíduos designados hoje dirigem ou financiam o regime e seus esforços para mobilizar seus movimentos revolucionários radicais nos Estados Unidos", afirmou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, de origem cubana e opositor ferrenho do governo de Havana, em um comunicado.

Rubio disse que continua "o desmantelamento do cartel militar que se apoderou de todo o poder econômico em Cuba em benefício de um pequeno círculo de elites do regime", referindo-se ao conglomerado de empresas ligadas aos militares cubanos, que foi sancionado por Washington no início de maio.

Esse Grupo de Administração Empresarial, conhecido como GAESA, foi enfraquecido nas últimas semanas pela retirada sucessiva de diversos parceiros estrangeiros da ilha de 9,6 milhões de habitantes.

Pessoas fazem fila para retirar dinheiro em Havana, após paralisação de operações com cartões Visa e Mastercard no país. (03/06/2026)
Pessoas fazem fila para retirar dinheiro em Havana, após paralisação de operações com cartões Visa e Mastercard no país. (03/06/2026)
Foto: RFI

Temendo sanções americanas, vários grupos hoteleiros internacionais se desvincularam da gestão de quase uma centena de estabelecimentos turísticos na ilha, a maioria dos quais associados à GAESA. Os pagamentos com Visa e Mastercard tiveram que ser suspensos.

Rubio afirmou que continua "desmantelando o cartel militar que tomou conta de todo o poder econômico em Cuba, beneficiando uma pequena parcela da elite do regime. Washington impôs um bloqueio de petróleo à ilha e indiciou Raúl Castro em um caso que remonta a 1996.

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Trump focado no Irã, mas com Cuba na mira

Donald Trump acredita que Cuba, localizada a 150 quilômetros da costa da Flórida, representa "uma ameaça extraordinária" à segurança nacional dos EUA. O presidente americano ameaçou repetidamente "assumir o controle" do país.

Questionado na quinta-feira, no Salão Oval da Casa Branca, se essas sanções visavam causar o colapso da economia cubana, Donald Trump disse que simplesmente queria "que fosse um país bem administrado, capaz de alimentar seu povo".

"O país está passando fome. Não tem dinheiro, não tem nada. Tem um belo pedaço de terra. Poderiam ter resorts turísticos magníficos lá", continuou o presidente americano. "Nós cuidaremos disso assim que terminarmos. Gosto de fazer uma coisa de cada vez e nós cuidaremos da República Islâmica do Irã", acrescentou.

Com AFP

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