Ataques dos EUA são uma 'afronta gravíssima à soberania da Venezuela', diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como uma "afronta gravíssima" à soberania da Venezuela os ataques dos Estados Unidos no país latino-americano e a captura do presidente Nicolás Maduro, anunciada por Donald Trump neste sábado (3).

3 jan 2026 - 12h00
(atualizado às 12h24)

"Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável" e ameaçam a "preservação da região como zona de paz", afirmou o líder brasileiro no X. Lula também chamou a comunidade internacional, por meio das Nações Unidas, a "responder de forma vigorosa" aos ataques. 

Ataques dos EUA são uma 'afronta gravíssima à soberania da Venezuela', diz Lula
Ataques dos EUA são uma 'afronta gravíssima à soberania da Venezuela', diz Lula
Foto: © Pablo PORCIUNCULA, Andrew CABALLERO-REYNOLDS / AFP / RFI

Durante seus primeiros governos (2003 a 2010), Lula foi um importante aliado do chavismo, movimento político liderado por Hugo Chávez que, após sua morte em 2013, levou Maduro ao poder.

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Mas a relação do líder brasileiro com o presidente venezuelano se desgastou nos últimos anos, especialmente após a reeleição de Maduro em 2024, quando foi acusado de cometer fraude e de se manter ilegalmente no poder.

Lula não reconheceu a vitória de Maduro devido à falta de transparência na divulgação das atas eleitorais, embora também não tenha admitido o triunfo do candidato opositor. Apesar disso, condenou a "interferência" dos EUA nos países latinos.

A ação dos Estados Unidos neste sábado "lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe (...) A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado", advertiu o presidente brasileiro.

Em dezembro, Lula chegou a se oferecer como mediador para dialogar com Trump e Maduro, buscando evitar um conflito armado na América Latina, uma vez que Brasil e Venezuela compartilham mais de 2 mil quilômetros de fronteira.

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Julgamento nos EUA

Os ataques foram feitos com helicópteros a partir da 1h50 da manhã (2h30 de Brasília) na capital Caracas, no estado Aragua (região central) e em La Guaira, costa central da Venezuela.

Horas mais tarde, o presidente dos Estados Unidos, Trump, anunciou a captura de Maduro e de sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores, após um "ataque em grande escala" contra a capital venezuelana e outras regiões do país.

Trump informou ainda que Maduro e sua esposa estão sendo levados para Nova York, a bordo de um navio da Marinha norte-americana posicionado no Caribe. Nos EUA, os dois serão julgados pelos crimes de conspiração de narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, com base em um processo movido pelo Distrito Sul de Nova York.

Por meio do X, a Procuradora-Geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, afirmou que Maduro "enfrentará em breve toda a severidade da Justiça dos EUA, em solo americano, em tribunais americanos".

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RFI com AFP

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