Trump pediu aos países que enviassem navios para assegurar a circulação na rota estratégica, por onde passa cerca de 20% da produção de petróleo mundial. O bloqueio parcial do Estreito fez disparar os preços do petróleo. Japão e Austrália — aliados históricos dos Estados Unidos na região do Indo-Pacífico — já haviam excluído o envio de ajuda militar.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou em entrevista coletiva que o Reino Unido trabalha com seus aliados em um "plano coletivo e viável que permita restabelecer a liberdade de navegação na região o mais rápido possível". Esse plano "não será e nunca foi considerado como uma missão da Otan", insistiu, após o presidente americano Donald Trump afirmar que seria "muito ruim" para organização se os aliados de Washington se recusassem a se mobilizar.
"Será necessária uma aliança de parceiros, e por isso estamos colaborando com parceiros na Europa, no Golfo e com os Estados Unidos", acrescentou o líder britânico. Keir Starmer também declarou nesta segunda que o Reino Unido "não será arrastado para uma guerra maior" e que espera que o conflito termine "o mais rápido possível".
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, Londres autorizou os Estados Unidos a utilizarem duas bases militares britânicas para conduzir "operações defensivas" contra o Irã e enviou meios aéreos para apoiar seus aliados na região diante de ataques de drones iranianos.
Um destroyer da Marinha Real britânica também está destacado no Mediterrâneo oriental para proteger, entre outros objetivos, as importantes bases militares britânicas em Chipre. "Já dispomos de sistemas autônomos de detecção de minas na região. Estamos estudando as opções e as capacidades disponíveis", afirmou Starmer na mesma coletiva. Ele também anunciou um plano de £ 53 milhões (cerca de R$ 371 mil) para apoiar as famílias britânicas mais afetadas pela alta do preço do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio.
Para a Alemanha, a guerra lançada por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã "nada tem a ver com a Otan". "A Otan é uma aliança para a defesa do território" de seus membros, e "não há mandato que permita o envolvimento da Otan" fora de suas fronteiras, declarou o porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, em entrevista coletiva.
O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, que se opôs a qualquer "nova escalada militar" na região, afirmou que a Alemanha não oferecerá "nenhuma participação militar", mas está disposta a "garantir, por via diplomática, a segurança da passagem no Estreito de Ormuz". Já os ministros das Relações Exteriores da Lituânia e da Polônia defendem que os membros da Otan deveriam "estudar" um eventual pedido formal dos Estados Unidos por contribuição.
The closure of the Strait of Hormuz hurts the global economy and helps Russia fund its war.
It is affecting our partners in the region and is dangerous for global energy supplies.
Today, EU Foreign Ministers will discuss how to better protect shipping in the region, including… pic.twitter.com/iJSVdT7FqA
— Kaja Kallas (@kajakallas) March 16, 2026
Missão Aspides
Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia devem discutir nesta segunda o possível uso, no Estreito de Ormuz, da missão Aspides para proteção do tráfego marítimo, segundo a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas.
A missão, criada originalmente para proteger navios mercantes contra ataques dos rebeldes houthis, aliados do Irã, está atualmente destacada no mar Vermelho. A França mencionou em 9 de março a possibilidade de uma missão internacional "puramente defensiva" para reabrir o estreito, sem especificar se seria no âmbito da Aspides.
Mas vários ministros europeus — entre eles espanhóis, alemães e holandeses — demonstraram cautela diante do eventual uso da missão, que inclui três navios militares em patrulha no mar Vermelho: um grego, um francês e um italiano. "Não devemos fazer nada que acrescente ainda mais tensão, ainda mais escalada", afirmou o ministro espanhol José Manuel Albares, à margem da reunião.
Com agências