No último sábado (7), um bombardeio americano contra uma central de tratamento na ilha iraniana de Qeshm interrompeu o abastecimento de cerca de 30 cidades, segundo o regime islâmico. Um dia depois, Teerã revidou e atacou uma usina de dessalinização no Bahrein, que fornece água potável a uma base americana.
Segundo o Arab Center Washington, cerca de 400 usinas de dessalinização estão presentes na região, produzindo centenas de milhares de metros cúbicos de água todos os dias. Os países do Golfo Pérsico são ricos em petróleo, mas sofrem com a escassez de água.
O clima árido, o rápido crescimento populacional e as mudanças climáticas dificultam o preenchimento dos lençóis freáticos. "Mais de 60% da população do Oriente Médio vive em áreas expostas a forte estresse hídrico, e 70% das atividades econômicas também estão situadas nessas regiões", diz um estudo do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri).
Ironia do destino: é o dinheiro do petróleo que financia o desenvolvimento no Oriente Médio destas infraestruturas, das quais várias nações da região são extremamente dependentes. Na Arábia Saudita, 70% da água potável vem destas empresas, enquanto no Kuwait essa proporção chega a 90%.
Calcanhar de Aquiles
Se a produção de energia está no centro das preocupações mundiais, a água é o "calcanhar de Aquiles" da região, aponta o site da emissora France Info. Desde o início da guerra, cinco ataques a usinas de dessalinização foram registrados, um atribuído aos Estados Unidos e quatro ao Irã, o que é suficiente para preocupar os especialistas na questão.
Em entrevista à France Info, Isabel Ruck, responsável pela pesquisa e pela coordenação científica no Centro Árabe de Pesquisas e Estudos Políticos destaca o enorme desafio que a região enfrenta. "Não há muita reserva. Se você atinge uma usina, tudo acontece muito rápido. Os países da península [arábica] conseguem funcionar por cinco dias; depois disso, acabou", diz.
Essa não é a primeira vez que essas usinas de dessalinização são alvo de ameaças. Em 1991, durante a Guerra do Golfo, as forças iraquianas sabotaram esse tipo de infraestrutura no Kuwait. Mais tarde, em 2019 e 2022, os rebeldes houthis do Iêmen também lançaram drones e mísseis contra usinas sauditas.