A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro efetuou a prisão preventiva do motorista de aplicativo Gabriel Lessa Messa, de 45 anos, nesta quarta-feira (11). A ação foi coordenada por agentes da Delegacia de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá, que localizaram o suspeito na região da Barra da Tijuca. A investigação aponta que o homem é o principal suspeito de ter estuprado uma jovem de 29 anos, portadora de autismo nível 2, durante um episódio de crise de saúde da vítima. O caso gerou grande comoção devido à vulnerabilidade evidente da mulher no momento da abordagem.
Abordagem durante crise de saúde
O episódio ocorreu no dia 24 de fevereiro, quando a vítima tentava chegar sozinha a uma unidade hospitalar. Segundo informações da delegada Viviane Costa, titular da Deam de Jacarepaguá, a jovem utilizava acessórios de identificação claros no momento do ocorrido. No dia do crime, ela portava um cordão e um crachá que a identificava como autista. Após desembarcar de um ônibus, a mulher foi abordada pelo motorista em um posto de gasolina. Ele ofereceu carona até o Hospital Lourenço Jorge, mas desviou o trajeto original para a Praia da Reserva, local onde a violência teria sido consumada.
Em um depoimento impactante concedido ao telejornal RJTV, a vítima detalhou os momentos de angústia que viveu sob o domínio do agressor. Ela relatou que não desejava sair do veículo, mas foi coagida pelo homem. "Ele ficou dirigindo um tempo e parou o carro. Eu falei que não queria descer. Mas, ele falou que eu iria me sentir melhor. Ele pegou minha mão e a gente foi para a areia. E ali, ele me machucou", afirmou a jovem durante a entrevista. A perícia médica realizada posteriormente confirmou a ocorrência de violência sexual.
Identificação do veículo e prisão
A captura de Gabriel Lessa Messa foi viabilizada pelo uso estratégico de imagens de câmeras de segurança, que permitiram aos investigadores identificar o veículo utilizado no dia, um modelo Nissan de cor prata. O pai da vítima também expressou sua indignação com a crueldade do ato, reforçando que o estado de saúde da filha era perceptível. "Para mim foi uma dor muito grande saber o que tinha acontecido com minha filha. Ele sabia que minha filha era autista. Que estava em surto. E foi abusada", declarou o pai em tom de desabafo.
Consequências jurídicas e pena
Atualmente, o suspeito encontra-se detido e deve responder pelo crime de estupro de vulnerável. Ao chegar na sede da delegacia, o motorista optou pelo direito constitucional de permanecer em silêncio e não prestou depoimento formal aos agentes. De acordo com a delegada Viviane Costa, as implicações legais para este tipo de delito são severas no ordenamento jurídico brasileiro. Em caso de condenação, o crime de estupro de vulnerável prevê uma pena que varia de dez a 18 anos de prisão.
O próximo passo do rito processual será a audiência de custódia, onde o Poder Judiciário avaliará a legalidade da prisão e decidirá se o acusado permanecerá encarcerado durante o desenrolar do processo ou se poderá responder em liberdade. A comunidade local e grupos de apoio a pessoas com transtorno do espectro autista acompanham o desdobramento do caso, clamando por justiça diante da gravidade dos fatos relatados. A segurança no transporte por aplicativos volta a ser pauta central de debates na capital fluminense após este trágico incidente.