Representantes dos Estados Unidos e Irã se reúnem para conversações em Bürgenstock, na Suíça, após assinatura do acordo de paz preliminar.Representantes dos Estados Unidos e do Irã deram início a negociações mediadas por representantes do Paquistão e do Catar, após assinatura do acordo preliminar de paz, ou memorando de entendimento, entre as duas partes na semana passada.
Os negociadores vão tentar, ao longo de 60 dias, acertar os detalhes para um acordo de paz definitivo, o que inclui o controverso programa nuclear iraniano.
Os primeiros dias de vigência do acordo preliminar foram marcados por violações, com o prosseguimento dos combates entre Israel e o grupo pró-iraniano Hezbollah, no Líbano.
Em seguida, as Forças Armadas iranianas anunciaram que haviam fechado o Estreito de Ormuz, uma via de navegação vital, por onde transita em condições normais um quinto do petróleo e do gás natural comercializados a nível mundial. O Comando Central dos Estados Unidos contestou essa alegação.
O Irã advertiu que não iniciará negociações sobre um acordo mais amplo com os Estados Unidos se a guerra no Líbano não chegar ao fim.
Acompanhe abaixo os desdobramentos das negociações.
Líbano intensifica esforços por cessar-fogo com Israel
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, conversou nesta segunda-feira (22/06) com altos funcionários dos Estados Unidos e do Catar sobre a consolidação de um cessar-fogo em seu território e a formação de uma "célula de prevenção de conflitos", informou seu gabinete, após as negociações entre os EUA e o Irã na Suíça.
Os confrontos entre Israel e o Hezbollah arrastaram o Líbano para a guerra no Oriente Médio, em 2 de março, quando o grupo islamista lançou foguetes contra o território israelense em apoio ao Irã, seu aliado, ameaçando repetidamente os esforços de paz na região.
Segundo um comunicado da Presidência libanesa, Aoun recebeu um telefonema do vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, do conselheiro sênior da Casa Branca Jared Kushner, e do primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani.
Eles discutiram "a questão da consolidação do cessar-fogo no Líbano, a interrupção da escalada militar israelense e as medidas que devem ser tomadas a esse respeito, incluindo a possibilidade de formar uma célula para esse fim", informou o gabinete de Aoun.
Os ataques israelenses e os confrontos com o Hezbollah no final da semana passada ameaçaram inviabilizar o acordo, mas os combates no Líbano foram interrompidos desde a noite de sábado, depois que o Irã afirmou ter fechado novamente o Estreito de Ormuz em resposta aos ataques de Israel.
Israel remove restrições a suas forças na fronteira
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse neste domingo que as forças israelenses permaneceriam no sul do Líbano "enquanto fosse necessário", enquanto o chefe do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou qualquer zona de segurança israelense dentro do Líbano.
O ministro israelense da Defesa, Israel Katz, afirmou que suas forças permaneceriam no sul do Líbano "enquanto fosse necessário", enquanto o chefe do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou qualquer zona de segurança israelense dentro do Líbano.
Israel também informou que todas as restrições relacionadas à guerra em suas fronteiras do norte foram suspensas a partir da manhã desta segunda-feira.
Os acontecimentos ocorrem antes da quinta rodada de negociações diretas entre autoridades libanesas e israelenses em Washington, com início previsto para esta terça-feira.
As autoridades libanesas buscam a retirada das tropas israelenses do país e têm procurado separar as negociações do acordo EUA-Irã, para determinar o futuro das relações entre as duas nações após décadas de hostilidades.
rc (AFP)
Irã fala em "progressos significativos" nas negociações na Suíça
O ministro do Exterior do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que houve "progressos significativos" nas negociações entre os EUA e o Irã realizadas na Suíça.
"A incansável mediação do Paquistão e do Catar trouxe grandes avanços para o fim da guerra no Líbano", escreveu o ministro em postagem no X, após o primeiro dia de negociações.
"As exportações de petróleo e petroquímicos foram suspensas, o bloqueio [ao Estreito de Ormuz] foi levantado, alguns ativos congelados foram liberados e um importante plano de reconstrução e desenvolvimento foi lançado para o Irã", disse Araghchi. Ele acrescentou que o "primeiro teste real" será a "célula de prevenção de conflitos" criada na primeira rodada de negociações.
O Ministério do Exterior da Suíça, por sua vez, afirmou que as negociações criaram "as condições para a retomada imediata de novas discussões técnicas". Não houve reação imediata dos negociadores americanos.
Os preços do petróleo bruto caíram, enquanto as ações subiram na maioria dos mercados asiáticos, à medida que o progresso relatado pelos mediadores alimentou o otimismo nas bolsas de valores.
rc (AFP, DW)
Mediadores destacam ambiente "construtivo" nas negociações EUA-Irã
Um comunicado conjunto divulgado nesta segunda-feira (22/06) pelo Ministério do Exterior do Paquistão - um dos mediadores das conversas de paz na Suíça ao lado do Catar - informou que "progressos encorajadores foram feitos" entre Washington e Teerã, "incluindo a criação de um mecanismo para futuras negociações técnicas".
Os mediadores disseram que as delegações concordaram em estabelecer um "comitê de alto nível, que fornecerá supervisão política à mediação".
"Os negociadores-chefes reportarão regularmente ao comitê de alto nível e liderarão grupos de trabalho focados em questões nucleares, sanções e um grupo de monitoramento e resolução de disputas para garantir a implementação efetiva do Memorando de Entendimento [o acordo de paz preliminar assinado por Irã e EUA], bem como em outros assuntos", dizia nota.
Também foi acordado um roteiro para alcançar um acordo final em 60 dias, o que levará a novas "conversas técnicas".
"Uma linha de comunicação entre as partes foi estabelecida para o período mencionado no parágrafo 5 do Memorando de Entendimento, a fim de evitar incidentes e falhas de comunicação, com o objetivo de garantir a passagem segura de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz."
As delegações também concordaram com a criação de uma "célula de prevenção de conflitos" envolvendo as partes, o governo do Líbano e os mediadores, "para garantir o cumprimento do término das operações militares no Líbano, conforme o Memorando de Entendimento".
As conversas técnicas devem continuar durante a semana.
rc (DW, Reuters)
Novas ameaças de Trump elevam tensão em conversas com Irã
A delegação do Irã interrompeu, neste domingo (21/06), as conversas com os Estados Unidos na Suíça após as novas ameaças feitas pelo presidente americano, Donald Trump, contra a República Islâmica, informou a agência de notícias Irna.
"A delegação da República Islâmica do Irã abandonou o local das negociações", relatou a agência oficial do governo iraniano, explicando que a decisão é uma resposta às ameaças de Trump em meio às negociações que as partes mantinham neste domingo em Bürgenstock, na Suíça.
De acordo com Irna, a delegação iraniana interrompeu tanto as conversas com os EUA, que eram realizadas com a mediação de Catar e Paquistão, quanto abandonou a sede das negociações após uma reunião com o intermediário catari. Não está claro ainda se a saída do Irã era definitiva ou uma demonstração simbólica de protesto.
Um diplomata a par das negociações, disse à agência AFP que os iranianos não haviam abandonado completamente as tratativas.
"A delegação iraniana permanece engajada nas conversas", afirmou o diplomata sob condição de anonimato.
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