Em entrevista, o presidente Lula afirmou que a oposição tenta responsabilizá-lo pela crise no STF e defendeu a apuração de denúncias contra integrantes da Corte, citando Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. Ele justificou o pedido de vista de Flávio Dino, disse não poder intervir em decisões individuais e defendeu que ninguém está acima da lei, apontando como irreversível a discussão sobre reformas e novos critérios de escolha para o Judiciário.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou as pressões contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante entrevista à TV Globo nesta quinta-feira (15 de outubro). O chefe do Executivo afirmou que a oposição tenta responsabilizá-lo pela crise envolvendo integrantes da Corte e defendeu a investigação das denúncias relacionadas aos magistrados.
"Obviamente que a extrema-direita tenta jogar a Suprema Corte nas minhas costas. Eles querem caçar o Alexandre de Moraes porque ele mandou prender o pai do Flávio Bolsonaro", afirmou o presidente, ao responder a uma pergunta sobre a crise no STF e seus possíveis efeitos políticos.
O caso também envolve suspeitas relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. Lula foi questionado sobre a atuação do ministro Flávio Dino, indicado por ele ao Supremo, após um pedido de vista que interrompeu a análise de uma questão ligada à apuração sobre Moraes.
Lula afirmou que as suspeitas não envolvem apenas Alexandre de Moraes. Durante a resposta, citou os ministros Dias Toffoli, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. O presidente também declarou que não pode interferir nas decisões individuais dos integrantes do Supremo.
"O [Dias] Toffoli também está implicado, o André Mendonça também está, o Kassio [Nunes Marques] também. Está todo mundo implicado. Eu não tenho como interferir na decisão de um ministro. Ele queria que todos fossem julgados na mesma sessão. O Flávio Dino fez aquilo que é de direito dele. Todo dia se pede vista em alguma coisa lá", disse Lula.
"Não tem como imaginar que a sociedade brasileira vai aceitar que não seja tudo apurado, que se coloque um tapete nisso e se esqueça o que aconteceu. É muito grave! A gente vai ter que discutir a necessidade de uma reforma no Judiciário… Temos que discutir critérios para escolher as pessoas", explicou o presidente.
"Essa confusão toda trouxe um debate que será irreversível no próximo ano. Ninguém está acima da lei, nem os ministros da Suprema Corte. Não é possível que apareçam tantas e tantas denúncias na Suprema Corte", finalizou o presidente.