Lula na Globo: o que disse o candidato à Presidência na segunda entrevista à emissora

Presidente e candidato à reeleição respondeu sobre assuntos como a relação com Donald Trump, o caso Master e o endividamento das famílias.

15 out 2026 - 23h10
(atualizado às 23h46)
Resumo
Em sabatina à TV Globo antes do segundo turno contra Flávio Bolsonaro, o presidente Lula defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos e uma reforma no STF diante da crise gerada pelo escândalo do Banco Master. O petista também abordou as relações comerciais e de segurança com os EUA de Donald Trump, contestando a classificação de facções brasileiras como terroristas e prometendo a criação do Ministério da Segurança Pública para fortalecer a atuação federal na área.
Lula sorrindo para foto, sentado em bancada da Globo
Lula sorrindo para foto, sentado em bancada da Globo
Foto: Globo/Manoella Mello / BBC News Brasil

Candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quinta-feira (15/10), em entrevista à TV Globo, ser favorável à redução da maioridade penal para crimes hediondos e defendeu uma reforma no Supremo Tribunal Federal (STF).

O candidato enfrentará Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, no dia 25 de outubro. Lula está três pontos atrás de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto, segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. O candidato do PL aparece com 48% e Lula, 45%.

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Lula foi o primeiro entrevistado da sabatina na TV Globo, de acordo com sorteio da emissora que definiu a ordem das participações.

A entrevista foi conduzida pela jornalista Renata Lo Prete. Flávio Bolsonaro será sabatinado nessa sexta-feira (16/10).

O candidato do PL liderou os votos no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Flávio teve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de 1,87 ponto percentual, ou cerca de 2,2 milhões de votos.

Na entrevista à Globo, Lula respondeu sobre assuntos como a relação com Donald Trump, o caso Master e o endividamento das famílias. Confira os principais momentos:

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Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentarão no segundo turno, em 25 de outubro
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Redução da maioridade penal

Lula afirmou ser favorável à redução da maioridade penal para 16 anos para crimes hediondos (aqueles considerados mais graves e definidos em lei) — foi a primeira declaração do petista na campanha apoiando a medida.

"Enquanto cidadão brasileiro, todo e qualquer crime hediondo eu sou favorável a diminuir a penalidade", disse, confirmando logo depois estar se referindo à maioridade penal.

Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre a segurança pública, de autoria da Presidência foi retirada da pauta de votação do Senado nessa quinta-feira (15/10).

Durante a tramitação da PEC, Rogério Marinho (PL-RN), senador e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, apresentou uma emenda reduzindo a maioridade penal como regra geral para 16 anos, e para 14 anos em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas.

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Então, o petista Camilo Santana (PT-CE) propôs uma emenda mantendo 18 anos como regra geral de maioridade penal, mas baixando para 16 anos em casos de crimes hediondos. A medida causou oposição entre parte dos próprios aliados do governo Lula.

Relação com Trump

Questionado sobre ser um dos poucos países da América Latina considerados não alinhados ao atual governo dos EUA em uma eventual próxima gestão, o petista voltou a afirmar que mantém uma boa relação com o presidente americano, Donald Trump.

"Eu acho que minha relação com Trump foi a relação mais civilizada que ele teve com outro presidente da República. Ela começou muito tensa. Eu disse ao Trump que era importante que dois homens de 80 tivessem juízo e se entendessem, porque não era possível a gente ficar passando desavença com as duas maiores democracias do Ocidente", afirmou Lula.

A tensão comercial se intensificou após o governo Trump ampliar as tarifas sobre produtos brasileiros. Em julho de 2026, os Estados Unidos anunciaram sobretaxas adicionais de 25% sobre determinados produtos brasileiros, após uma investigação que apontou supostas práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos.

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O governo brasileiro contestou as medidas e abriu um processo para avaliar contramedidas com base na Lei da Reciprocidade Econômica.

O presidente disse que seu governo continua negociando com os EUA e demonstrou confiança no diálogo. "Acho que vamos chegar ao acordo", afirmou.

Apesar das perdas comerciais com os americanos, Lula afirmou que os Estados Unidos é que devem estar preocupados neste momento.

"Não fiz a lei da reciprocidade, não quero fazer e vamos continuar negociando, mas, se for necessário fazer. Vamos fazer porque temos coisas que eles precisam mais do que preciso deles."

O presidente citou números da balança comercial para sustentar sua avaliação. Segundo ele, embora o Brasil tenha perdido 9% nas relações comerciais com os EUA, ampliou o comércio com países como China, Indonésia, Alemanha e Vietnã, além de outros 50 países.

"Eu acho que eles vão ter problema com a gente", disse, em referência aos Estados Unidos.

Facções criminosas

Em maio, o governo Trump anunciou a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, com medidas previstas na legislação americana.

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A decisão foi criticada pelo governo brasileiro, que vê riscos à soberania nacional e questiona a necessidade de enquadrar as facções nessa categoria para combater o crime organizado.

Em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU, Trump disse que poderá usar força militar na América Latina para garantir os "interesses" do país sobre a região.

No mesmo dia, um grupo de 14 países latino-americanos e caribenhos, liderado pelos EUA, conhecido como Escudo das Américas, divulgou um comunicado no qual afirma estar disposto a impor sanções a 24 facções criminosas, entre elas duas brasileiras, classificadas pelo grupo como "narco-terroristas".

Questionado sobre a classificação, Lula voltou a contestar a posição americana.

"Quando os EUA falam em terrorismo, eles falam em terrorismo de Estado, como aqueles que atentaram com duas torres americanas, aqueles querem dar golpe de Estado. Não é o fato das facções e do crime organizado do Brasil, que só querem o dinheiro", afirmou o presidente.

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"O que nós temos consciência é que, aqui do Brasil, tanto o PCC como o CV são terroristas para a comunidade brasileira, bairros brasileiros e cidades. Mas não é o terrorismo de Estado que os EUA querem que seja."

Lula falando ao microfone
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Lula lembrou que enviou a Trump, por escrito, uma proposta de combate ao crime organizado e às facções, baseada na experiência da Polícia Federal brasileira. Também citou a aprovação do Lei Antifacção e defendeu a ampliação da atuação do governo federal na área de segurança pública.

O projeto de lei foi aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente em março, aumentou penas para líderes de facções e milícias. Lula sancionou o texto com vetos a trechos como a equiparação de penas entre integrantes e não integrantes faccionados (pessoas que cometem crimes sob influência de facções, mas que não são consideradas formalmente integrantes destas).

"A Constituição Federal nunca permitiu que a União se metesse na segurança pública, que era questão dos Estados. Eu agora quero me meter, por isso votamos a PEC", afirmou em referência à PEC da Segurança Pública, aprovada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado e que aguarda votação em plenário.

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"Para o trabalhador, comunidade e território, queremos tranquilidade, segurança e proteção. Para os bandidos, queremos prisão", disse o petista, que endureceu o discurso sobre o tema após o primeiro turno, em meio à avaliação de que a segurança pública é uma das fragilidades da esquerda.

Lula também prometeu criar o Ministério da Segurança Pública, com a atribuição de redefinir e organizar o papel de órgãos como a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Crise no STF

Outro tema em que Lula tem endurecido o discurso é a crise no Supremo Tribunal Federal (STF).

A crise no STF se intensificou após a divulgação de informações sobre relações entre Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e Alexandre de Moraes.

As investigações sobre suspeitas de fraudes financeiras trouxeram à tona mensagens, documentos e vínculos pessoais e profissionais envolvendo Moraes e pessoas próximas a ele.

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Já o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do inquérito sobre o Banco Master em fevereiro, após a PF enviar um relatório ao presidente da Corte, Edson Fachin, com menções ao seu nome. O relatório da PF citava conversas e menções a pagamentos ou relações com a empresa familiar Maridt e ligações com o próprio ministro.

Renata Lo Prete lembrou que o petista passou a se posicionar de forma mais explícita sobre o assunto apenas no segundo turno, quando chegou a classificar como "promiscuidade" a suposta relação de ministros da Corte com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Lula disse não saber avaliar se a crise do Supremo afetou sua campanha e afirmou que opositores tentam responsabilizá-lo pelo escândalo para atingir o ministro Alexandre de Moraes.

"A extrema-direita tenta jogar a Suprema Corte nas minhas costas porque eles querem caçar o Alexandre de Moraes. Não é por causa do Banco Master apenas, mas porque Moraes prendeu o pai do Flávio Bolsonaro. É o que está em jogo", afirmou.

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O presidente também mencionou outros ministros ao comentar as suspeitas envolvendo integrantes da Corte. "Alexandre de Moraes era o mais implicado. Mas o Toffoli está implicado, o André Mendonça está implicado, o Kássio. Agora tá todo mundo implicado", afirmou.

O escândalo do Master, no entanto, também atingiu o campo petista. Entre os interlocutores de Daniel Vorcaro, segundo a PF, estaria o senador e ex-líder do governo no Senado Jaques Wagner (PT-BA).

Sobre a investigação da conduta de Alexandre de Moraes, Lula disse que não tem como interferir nas decisões do Supremo.

"Eu não tenho como interferir na decisão de um ministro da Suprema Corte. Eles pedem vistas quando querem pedir vistas e não pedir vistas. Por que o Flávio Dino pediu vistas? Porque ele queria que tudo fosse julgado na mesma sessão, porque a denúncia paira sobre todos", afirmou.

Lula disse que o tema continuará em evidência no próximo ano e descartou a possibilidade de a sociedade esquecer o escândalo.

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"Não é possível imaginar que a sociedade brasileira vai aceitar que não seja apurado tudo e sobre tudo, e que não fique pedra sobre pedra e que se puna quem precisar punir", afirmou.

Diante da crise, o presidente prometeu discutir uma reforma do Poder Judiciário em um eventual quarto mandato, com mudanças nos critérios de escolha dos integrantes da Corte, na duração dos mandatos e nas exigências éticas para o exercício do cargo.

"Essa situação toda trouxe um debate que será irreversível no próximo ano. A sociedade está exigindo", afirmou. "Ninguém está acima da lei, nem os ministros da Suprema Corte."

Banco Master

Após a jornalista Renata Lo Prete mencionar que o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, esteve em uma festa em Londres realizada por Daniel Vorcaro, Lula afirmou que nem Rodrigues e nem "ninguém" deveria ter comparecido ao evento do dono do Banco Master.

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"Quando eu fiquei sabendo que ele tinha ido a Londres, eu chamei ele a atenção de que o papel do diretor da Polícia Federal não permite que ele tivesse ido a Londres. Ele me deu uma explicação, não foi convincente pra mim. Ele não precisava ter ido".

"Aliás, ninguém precisava ter ido para aquela festa."

Lula afirmou que o caso Master deve servir para mostrar a necessidade de "moralizar muitas coisas no país".

"É inacreditável você imaginar as festas noturnas, a quantidade de mulheres, a quantidade de pessoas envolvidas da República, envolvendo um ministro da Suprema Corte, que é a instância maior deste país. Quando eles tomam uma decisão, ninguém pode mais tomar a decisão, ninguém pode voltar atrás."

"Eu já disse uma vez que quem quiser ser rico não pode ser ministro da Suprema Corte. Ali é um sacerdócio."

A jornalista abordou também um encontro que ocorreu entre Lula e Vorcaro em 2024.

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"Ele foi me procurar como todos que estão com problema vão me procurar. O que você acha que o Silvio Santos fez quando o Banco Panamericano deu problema? Foi me procurar", exemplificou o petista.

A imprensa revelou em janeiro que Lula esteve com Vorcaro em dezembro de 2024 num encontro fora da agenda oficial, junto a Gabriel Galípolo, então indicado à Presidência do Banco Central.

Vorcaro foi levado ao Planalto por Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda dos governos do próprio Lula (até 2010) e, posteriormente, de Dilma Rousseff (PT).

Segundo relatos de fontes, Vorcaro teria reclamado com Lula sobre a concentração do mercado bancário no Brasil. O presidente teria falado que o assunto deveria ser analisado pelo Banco Central e pedido que Galípolo analisasse o assunto de forma técnica.

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De acordo com a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), o encontro encontro entre Lula e Vorcaro aconteceu em 2024 após uma audiência entre Mantega, acompanhado de Vorcaro, e o chefe de gabinete de Lula.

Após o encontro, segundo a Secom, Vorcaro e outros presentes pediram para cumprimentar o presidente Lula. O presidente, então, teria recebido Vorcaro na presença dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, de Minas e Energia, Alexandre Silveira, da Casa Civil, Rui Costa, e de Galípolo.

De acordo com a Secom, Vorcaro teria feito queixas sobre a suposta concentração de mercado no setor bancário e o presidente Lula teria dito que o assunto precisava ser tratado de forma técnica.

Quem é Lula?

Lula em 2019, ao deixar a prisão na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba
Foto: RODOLFO BUHRER/REUTERS / BBC News Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva tem 80 anos de idade e busca o seu quarto mandato como presidente da República. Ele já presidiu o país por dois mandatos consecutivos, entre 2003 e 2011.

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O petista se classifica como um político de esquerda e defende maior participação do Estado na economia, políticas de distribuição de renda e a ampliação de programas sociais.

Na política externa, Lula costuma defender o multilateralismo, parcerias com países fora do eixo Estados Unidos-Europa e a criação de foros como os BRICS, grupo que hoje tem 11 países e que foi fundado por Brasil, Rússia, China e Índia.

Nascido em Garanhuns, no interior de Pernambuco, ele migrou ainda criança com a família para São Paulo, no início dos anos 1950. Foi lá que ele começou a trabalhar como metalúrgico e deu início à sua carreira sindical e política.

Lula ganhou projeção nacional no final da década de 1970, quando presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema e liderou greves de trabalhadores da região conhecida como ABC Paulista durante a ditadura militar.

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Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), legenda à qual continua filiado.

Em 1986, ele foi eleito deputado federal por São Paulo e participou da Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela elaboração da Constituição de 1988.

Esta é a sétima vez que Lula disputa as eleições presidenciais. A primeira foi em 1989, quando foi derrotado no segundo turno por Fernando Collor de Mello, que era filiado ao agora extinto Partido da Renovação Nacional (PRN).

Em 1994, ele chegou a liderar pesquisas de intenção de voto durante parte do período eleitoral, mas foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que aproveitou a popularidade pela implantação do Plano Real.

Lula voltou a disputar as eleições em 1998, mas foi derrotado novamente por Fernando Henrique, no primeiro turno.

Em 2002, com um discurso mais voltado ao centro, Lula venceu sua primeira eleição presidencial e passou a governar o país a partir de 2003. Ele foi reeleito em 2006 e deixou o cargo, em 2010, com índices de aprovação acima dos 80%, segundo pesquisas de opinião pública.

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Na época, ele usou sua popularidade para apoiar e eleger sua ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), em 2010 e 2014.

Os dois primeiros governos de Lula ficaram marcados pela expansão de programas sociais, como o Bolsa Família, pela adoção de uma política de valorização do salário mínimo e por um período de crescimento econômico impulsionado pelo aumento no consumo interno e pela alta no preço internacional de commodities produzidas pelo Brasil, como soja, carne e minério de ferro.

O período, porém, também foi marcado por denúncias de casos de corrupção. Em 2005, veio à tona o caso conhecido como Mensalão, que apontou para o pagamento de parlamentares da base governista em troca de apoio político no Congresso Nacional.

Lula sempre negou ter conhecimento das irregularidades e não foi denunciado no processo, mas importantes aliados vinculados ao PT foram condenados e levados à prisão. Entre eles estavam o ex-presidente do PT, José Genoíno, o ex-deputado federal João Paulo Cunha, e o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

Anos depois, investigações da Operação Lava Jato atingiram novamente o PT, executivos de grandes empreiteiras e dirigentes de empresas estatais como a Petrobras.

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Os investigadores e delatores apontaram a existência de um esquema de pagamento de vantagens indevidas, seja por meio de propina ou por meio de doações eleitorais regulares por empreiteiras em troca de contratos públicos com o governo ou estatais.

Lula foi investigado pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF) por diversos crimes, entre eles lavagem de dinheiro, corrupção e tráfico de influência. Ele sempre negou ter conhecimento sobre o esquema e afirma, até hoje, que as suspeitas levantadas sobre ele eram fruto de perseguição política.

Entre 2017 e 2018, ele foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Suas condenações foram confirmadas em segunda instância. Mesmo assim, em 2018, ele foi lançado como candidato do PT à Presidência da República.

Em abril de 2018, no entanto, ele foi preso e acabou impedido de prosseguir na disputa.

Lula ficou preso por 580 dias, entre abril de 2018 e novembro de 2019, e não pôde disputar a eleição presidencial de 2018.

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Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações ao concluir que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os casos.

Com isso, Lula recuperou seus direitos políticos, e, em 2022, disputou e venceu, em segundo turno, as eleições para presidente da República, derrotando Jair Bolsonaro (PL), que buscava a reeleição.

O petista recebeu 50,9% dos votos válidos, contra 49,1% de Bolsonaro.

Em seu terceiro mandato, ele retomou programas lançados em seus dois primeiros mandatos como Minha Casa, Minha Vida, voltado para habitação.

Durante seu governo, o Congresso também aprovou trechos da reforma tributária e ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda.

Por outro lado, seus adversários criticam o aumento das despesas públicas, a situação das contas federais e o aumento no custo de vida.

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Lula, em contrapartida, atribui parte das dificuldades econômicas ao cenário internacional e afirma que seu governo recuperou políticas públicas abandonadas durante a gestão Bolsonaro.

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