Em meio a onda de calor, chamas já destruíram 5% da Floresta de Fontainebleau, a primeira reserva natural criada no mundo. Centenas de pessoas são evacuadas e autoridades suspeitam de incêndio intencional.Mais de 800 bombeiros e diversos aviões foram deslocados para combater um enorme incêndio na emblemática floresta de Fontainebleau, nos arredores de Paris. O incêndio começou no domingo (12/07) em meio a mais uma onda de calor extremo e, em poucas horas, avançou em mais de 1.000 hectares dos 23.000 da floresta, que fica a 60 quilômetros ao sudeste da capital francesa, devastando pelo menos 5% da área.
Patrimônio natural da França desde 1861, a floresta de Fontainebleau é considerada a primeira reserva natural criada por decreto governamental no mundo, após ser usada como área de caça por diversos monarcas franceses ao longo de séculos. Popular entre visitantes desde o século 19, a floresta recebe anualmente quase 15 milhões de visitantes.
A Floresta de Fontainebleau também é famosa por ter inspirado trabalhos de artistas do século 19, incluindo pintores da Escola de Barbizon e os impressionistas, além de ter servido de primeiro laboratório para o turismo de "trilha" na história, com caminhos cênicos especialmente demarcados para visitantes.
Mas a floresta também tem samambaias e coníferas especialmente vulneráveis a incêndios. As espécies têm ficado cada vez mais inflamáveis conforme a região vem sendo atingida com frequência maior por ondas de calor e seca nos últimos anos.
Suspeita de incêndio criminoso
Apesar das condições naturais favoráveis ao aparecimento de incêndios, as autoridades suspeitam de atividade criminosa. "Houve 10 pontos de início de fogo em um perímetro de 1.000 metros, o que sugere que pode ter origem criminosa", afirmou nesta segunda-feira (13/07) o ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, durante uma visita à região.
A mesma hipótese foi levantada pela presidente da região administrativa da Ilha de França, Valérie Pécresse. "Espero que os piromaníacos sejam encontrados e punidos com o castigo exemplar que merecem", disse.
No domingo, o incidente provocou o fechamento parcial da rodovia A6 — a principal via de ligação norte-sul da França — e interrompeu o funcionamento de importantes linhas ferroviárias.
Quase 900 pessoas que moravam perto da floresta foram obrigadas a abandonar suas casas, disse Nuñez. Nenhuma residência foi danificada e não foram registrados feridos. A prefeitura proibiu nesta segunda-feira que os agricultores da região trabalhem nos campos, assim como o acesso da população a todo o maciço florestal.
O prefeito da cidade de Fontainebleau, Julien Gondard, declarou-se chocado e indignado. "Esta área excepcional está sendo consumida pelas chamas; nunca vimos nada parecido", disse ele à emissora de TV local ICI Paris Île-de-France. "A floresta é frágil e encontra-se em situação crítica."
No domingo, a nuvem de fumaça chegou a ser visível a 20 km de distância, após o início do incêndio "de magnitude excepcional", segundo as autoridades locais.
Combate às chamas
Dois hidroaviões de combate a incêndios Canadair coletaram água do Sena nesta segunda-feira para ajudar a apagar as chamas da floresta. É a primeira vez que esses aviões de combate a incêndios são utilizados na região de Paris.
Na véspera, duas aeronaves do modelo Dash já haviam lançado um produto para retardar o avanço das chamas. Helicópteros também foram utilizados na operação.
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que "todos os recursos foram mobilizados" contra o incêndio. "A floresta de Fontainebleau está sendo afetada por um incêndio de uma magnitude excepcional", declarou Macron em mensagem em redes sociais, na qual expressou solidariedade aos habitantes do departamento de Sena e Marne, onde fica a floresta.
Além disso, expressou sua "profunda gratidão" aos bombeiros e forças de resgate "empenhados sem descanso".
Emergência
A emergência se insere em uma situação especialmente crítica em todo o país. A França mantém nesta segunda-feira 37 departamentos em alerta vermelho por causa de temperaturas extremas, incluindo Paris e sua região, enquanto outros permanecem em alerta laranja.
A França vive atualmente sua terceira onda de calor desde o fim de maio, o que favoreceu vários incêndios em diferentes pontos do país na semana passada.
Desde o início do ano, os incêndios na França queimaram 32.000 hectares, "mais do que em toda a temporada de 2025, apesar de ainda estarmos em 13 de julho", afirmou o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Nuñez também informou que as forças de segurança já realizaram 44 prisões relacionadas a incêndios florestais, das quais aproximadamente dois terços correspondem a focos provocados de maneira deliberada e o restante a causas acidentais.
As temperaturas elevadas prosseguirão em boa parte da França pelo menos até terça-feira, segundo a agência meteorológica Météo-France, que prevê para Fontainebleau a máxima de 35°C nesta segunda e de 36°C na terça-feira.
jps (AFP, EFE, ots)
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