A Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu o inquérito que investigou o incêndio de grandes proporções que destruiu um prédio em construção em Gramado, na Serra Gaúcha, e indiciou três funcionários de uma empresa bilionária do setor de refrigeração contratada para atuar na obra. O incêndio ocorreu na noite de 9 de outubro de 2025, por volta das 22h, e resultou na destruição quase total da estrutura onde funcionaria o Castelo de Gelo - Icebar, empreendimento turístico de grande porte.
Foram indiciados Moisés Luís Picoli, Diego Ramos de Oliveira e Rodrigo Barth, funcionários da empresa Dufrio, responsável pela instalação das câmaras frigoríficas do projeto. De acordo com a Polícia Civil, o trio retirou do local, sem autorização formal, um equipamento considerado essencial para a apuração das causas do incêndio. O relatório final do inquérito foi assinado pela delegada Fernanda Seibel Aranha.
O equipamento, identificado como Sitrad In Box, realiza o monitoramento da temperatura das câmaras frias e poderia fornecer dados técnicos importantes para esclarecer a origem do fogo. Conforme a investigação, há indícios de que o incêndio tenha começado justamente em uma das câmaras de gelo, área mais afetada pela destruição, o que dificultou o trabalho pericial.
O incêndio atingiu um prédio de aproximadamente 1,2 mil metros quadrados, localizado na Avenida das Hortênsias, uma das principais vias turísticas de Gramado. O empreendimento tinha previsão de inauguração para 5 de novembro de 2025, com ingressos já à venda e expectativa de receber mais de 1,2 mil visitantes por dia. O investimento total no projeto foi estimado em cerca de R$ 10 milhões. Apesar da dimensão do incêndio, não houve registro de feridos.
Segundo a Polícia Civil, o elevado grau de destruição do imóvel impediu a identificação precisa da causa do incêndio. A retirada do equipamento de monitoramento, no entanto, é apontada como um dos fatores que comprometeram a análise técnica do sinistro.
Os três funcionários foram indiciados por crimes que incluem furto qualificado, fraude processual e incêndio qualificado, conforme a participação atribuída a cada um no inquérito. A empresa Dufrio, que atua em diversos estados brasileiros e registra faturamento anual bilionário, foi contratada especificamente para executar os sistemas de refrigeração do icebar. Até o momento, não há indiciamento da empresa como pessoa jurídica.
A defesa dos indiciados afirma que não houve intenção de ocultar informações ou prejudicar a investigação. Segundo os advogados, a retirada do equipamento teria ocorrido para preservar dados técnicos após o incêndio. O caso agora será analisado pelo Ministério Público, que decidirá sobre eventual oferecimento de denúncia.