Em meio a uma crise inédita no STF, o presidente da Corte, Edson Fachin, assumiu a relatoria do caso que apura elos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, retirando o processo de André Mendonça. Fachin também paralisou apurações sobre o Master e fraudes no INSS. O tribunal decidirá na terça-feira sobre a inédita investigação contra Moraes, enquanto os dois magistrados trocam acusações mútuas de irregularidades e disputam o acesso a provas recolhidas pela PF.
Presidente do STF paralisou processos sobre fraudes no Master e no INSS e poderá também assumi-los. Tribunal tenta estancar crise sem precedentes.O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, é agora o relator do caso sobre a suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, o ex-controlador do Banco Master.
No sábado (12/09), ele determinou que deixasse a relatoria o ministro André Mendonça, que trava uma guerra aberta contra Moraes. A disputa está centro da crise sem precedentes que atinge múltiplos nomes no mais alto tribunal do país.
No mesmo despacho, Fachin paralisou os processos relacionados ao Banco Master e às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele remeteu os casos à Presidência do STF e deverá decidir, uma vez que tiver acesso aos autos, se assumirá também a relatoria destes casos.
O presidente do Supremo já havia suspendido, três dias antes, qualquer procedimento sobre a investigação de integrantes da Corte. Ele, então, tirou de Moraes a relatoria do inquérito das fake news, sob sua responsabilidade desde 2019, depois que o ministro incluiu nele acusações contra Mendonça.
Análise sobre Moraes na terça
O tribunal vai discutir, na terça-feira, as evidências reunidas pela Polícia Federal (PF) que apontam para relações suspeitas entre Moraes e Vorcaro. Em sessão extraordinária, os magistrados vão determinar se cabe a abertura de uma investigação contra Moraes, o que seria inédito dentro do Supremo.
Mais cedo no sábado, Fachin rejeitara um pedido de Moraes para julgar supostos crimes de responsabilidade de Mendonça na mesma sessão plenária.
A petição que apura a conduta de Mendonça como relator do caso Master deverá, de acordo com Fachin, ser julgada na quarta-feira da semana seguinte, 23 de setembro. Ao fazer o pedido, Moraes havia alegado "risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual" se ambas as petições fossem julgadas separadamente.
Para Fachin, entretanto, os dois processos estão em fases distintas, com o referente a Moraes mais adiantado, o que inviabiliza a apreciação simultânea.
A regra do STF aponta que se for um caso de crime comum, como corrupção ou prevaricação, o próprio tribunal é responsável por processar e julgar o ministro. Isso porque não há, nesse tipo de processo, uma instância acima do Supremo. Já os crimes de responsabilidade, que são infrações político-administrativas de agentes no exercício de seus cargos, são apurados no Senado Federal.
Troca de acusações
O relatório da PF que contém conversas entre Moraes e Vorcaro fora tornado público por Mendonça, que também pediu a investigação do colega. No diálogo, Vorcaro pede ao ministro do STF informações sobre as investigações policiais contra ele e solicita orientação sobre se deveria sair do Brasil, poucos dias antes de ser detido.
Moraes, então, retaliou e pediu que também Mendonça fosse investigado. Ele acusou Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro durante seu mandato presidencial, por suposta quebra da imparcialidade e favorecimento a determinados grupos políticos enquanto relator dos casos sobre as fraudes no INSS e do Banco Master.
Em ofício enviado a Fachin na sexta-feira, Moraes afirmou que Mendonça teria cometido os crimes de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crimes de responsabilidade na relatoria dos processos relacionados às operações Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS, e na Compliance Zero, sobre o Master.
Mendonça também levantou suspeitas após ter confirmado um encontro, em março de 2025, com Vorcaro. Segundo o ministro, o objetivo era tratar uma questão relacionada a precatórios.
Acesso a celular de Vorcaro
Outra discussão corrente no STF diz respeito ao acesso a evidências coletadas pela PF sobre o caso Master. No sábado, Fachin deu 24 horas para a corporação enviar informações sobre a custódia do material extraído do celular de Vorcaro e o estado em que ele se encontra.
Tanto Moraes quanto os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, também do Supremo, solicitaram a cópia integral da mídia que armazena o conteúdo.
Segundo Mendonça, a mídia que está em seu gabinete é uma cópia de segurança, "lacrada" e "inacessível", "a ser utilizada apenas em caso de necessidade ou em decorrência da perda ou do extravio do material original", que está com a PF.
Desde sexta-feira, Fachin determinou a derrubada do sigilo envolvendo o Banco Master, pressionando Mendonça a liberar a totalidade dos documentos relevantes para as diferentes frentes do escândalo. Os magistrados do STF, entretanto, continuaram sem acesso ao conteúdo extraído do celular de Vorcaro, o que vem sendo requisitado também pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
ht (Agência Brasil, ots)