Ex-juíza do TPI Navi Pillay ganha o Prêmio Nobel da Paz de 2026

9 out 2026 - 07h50
Resumo
A sul-africana Navi Pillay, ex-juíza do Tribunal Penal Internacional e ex-Alta Comissária da ONU, venceu o Prêmio Nobel da Paz de 2026 por sua defesa do direito internacional e dos direitos humanos. O comitê destacou a relevância de sua trajetória, que inclui a luta contra o apartheid e a liderança de um inquérito da ONU sobre Gaza, em um momento de crescentes ataques a instituições jurídicas globais. A premiação ocorrerá em 10 de dezembro, em Oslo.

Navi Pillay, ex-juíza do ‌Tribunal Penal Internacional (TPI) que supervisionou um relatório da ONU que concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza, conquistou na sexta-feira o Prêmio Nobel da Paz "por seus esforços em promover a paz e o direito internacional".

O Prêmio Nobel da Paz deste ano destacou a importância de manter uma ordem internacional organizada, afirmou o comitê em sua justificativa.

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"O sistema do direito internacional ⁠está sob enorme pressão, e suas instituições estão sob ataque", declarou.

"Observamos uma tendência em direção ‌à política do poder em detrimento dos marcos jurídicos e do respeito global pela lei e pela justiça. Sempre que a força se sobrepõe ao direito, isso prejudica a ‌estabilidade, a confiança e a coexistência pacífica."

Nascida em Durban, na ‌província de Natal, na África do Sul, em uma família de origem tâmil ⁠indiana, Navi Pillay, de 85 anos, atuou como juíza em vários tribunais internacionais, incluindo o TPI e o Tribunal Penal Internacional para Ruanda.

Ela também foi presidente da Comissão de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, que concluiu no ano passado que Israel cometeu genocídio em Gaza. Israel rejeitou o relatório, classificando-o de "escandaloso".

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Ela também atuou como Alta Comissária das Nações ‌Unidas para os Direitos Humanos.

Em 1967, tornou-se a primeira mulher a abrir um escritório de ‌advocacia em Natal e a ⁠primeira mulher não branca ⁠a atuar na Alta Corte da África do Sul.

"BÚSSOLA MORAL FIRME"

Pillay responsabilizou Estados e líderes nacionais, levou ⁠esperança às vítimas de violência e conflitos e ‌demonstrou um firme senso moral em ‌sua longa carreira, afirmou o comitê.

"Há um fio condutor que vai desde seus primeiros trabalhos na defesa de Nelson Mandela e de outros que se levantaram contra o apartheid até sua atuação como juíza em alguns dos principais processos judiciais internacionais de ⁠nossa época", acrescentou.

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O TPI, com sede em Haia, tem sido alvo de uma campanha cada vez mais intensa por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, que no mês passado instou os países a se retirarem do tribunal.

Washington já impôs sanções direcionadas a vários promotores e juízes do tribunal e, segundo fontes, ‌está considerando sanções mais amplas em retaliação às medidas tomadas contra líderes israelenses.

O comitê não estava criticando Trump diretamente ao premiar Pillay, segundo Haakon Gjerloew, diretor interino do Instituto ⁠de Pesquisa para a Paz de Oslo.

"Acho que, de modo geral, trata-se mais de uma promoção de uma ordem jurídica internacional. É claro que ele pode reagir a alguém que fez parte do TPI, mas não é um ataque direto a Trump", disse Gjerloew.

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O Prêmio Nobel da Paz é o quinto Nobel concedido nesta semana, depois dos de literatura, química, física e medicina. A líder da oposição venezuelana María Corina Machado foi a vencedora em 2025.

O Prêmio Nobel da Paz, no valor de 12 milhões de coroas suecas, ou cerca de US$1,2 milhão, será entregue em Oslo no dia 10 de dezembro, data do aniversário da morte do industrial sueco Alfred Nobel, que instituiu os prêmios em seu testamento de 1895.

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