EUA esperam acordo em breve sobre Estreito de Ormuz; potências sunitas se unem em pacto de defesa

7 ago 2026 - 20h37
(atualizado às 21h25)

Uma autoridade norte-americana informou nesta sexta-feira que houve avanços nas ‌negociações entre o Irã e Omã que poderiam levar à reabertura em breve do Estreito de Ormuz, restaurando, potencialmente, as exportações de petróleo que foram interrompidas pela guerra entre os EUA e o Irã, que já dura cinco meses.

A autoridade norte-americana, que preferiu não se identificar, disse que Washington espera que em breve seja firmado um acordo entre os dois países, situados de cada lado do estreito, para que o tráfego normal de petróleo possa ser retomado.

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Um acordo entre o Irã e Omã sobre o controle dessa via navegável estratégica é considerado crucial para ⁠um acordo de paz mais amplo.

"Há avanços entre Omã e o Irã em relação ao estreito, e esperamos um acordo em breve", disse uma ‌autoridade dos EUA à Reuters nesta sexta-feira. "Assim que o acordo for anunciado para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos."

"Como sempre, as ações dos Estados Unidos continuarão a ser baseadas no desempenho e vinculadas ao cumprimento dos compromissos ‌assumidos pelo Irã", disse a autoridade.

Antes de os EUA e Israel iniciarem a guerra contra ‌o Irã em 28 de fevereiro, cerca de um em cada cinco barris de petróleo consumidos mundialmente transitava pelo estreito, mas ⁠o Irã tem usado as hostilidades para justificar a cobrança de pedágio de petroleiros e o disparo contra navios que tentam atravessar o estreito sem permissão.

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Essa interrupção nos embarques de petróleo causou um aumento nos preços da energia e alimentou a inflação.

Nas últimas semanas, o governo Trump sinalizou repetidamente que um acordo para reabrir o estreito poderia estar próximo, mas o Irã negou que houvesse negociações em andamento. Não ficou claro se a mais recente onda de negociações resultaria em um acordo mais duradouro.

Os ataques iranianos à navegação no Estreito de Ormuz têm sido ‌acompanhados por um aumento nos ataques de seus aliados no Iêmen, os houthis, que têm como alvo navios em outro ponto estratégico para o transporte ‌de petróleo, do outro lado da Península Arábica, ⁠entre o Mar Vermelho e o ⁠Golfo de Áden.

NOVO PACTO DE SEGURANÇA

Alarmados com uma conflagração regional que levou o Irã a disparar mísseis contra os exportadores de petróleo do Golfo Pérsico, a ⁠Arábia Saudita, o Paquistão e a Turquia assinaram um acordo de defesa conjunta em ‌Meca nesta sexta-feira.

O pacto entre os três aliados ‌dos EUA, cujas populações são majoritariamente de muçulmanos sunitas, tem como objetivo fortalecer a dissuasão coletiva contra agressões e estipula que um ataque armado contra qualquer um dos três será considerado um ataque a todos, afirmaram os países em um comunicado.

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A Turquia afirmou que o acordo não visa nenhum país específico e é puramente defensivo. No entanto, ele surge em um momento de tensões intensificadas ⁠com o Irã, de maioria xiita.

Enquanto isso, os EUA vêm tentando intermediar o fim dos combates em outra frente da guerra entre Israel e o grupo xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã, no sul do Líbano.

Uma autoridade libanesa afirmou nesta sexta-feira que o Líbano e Israel chegaram a um acordo sobre uma lista restrita de países que poderiam enviar tropas para verificar o desarmamento do Hezbollah, no âmbito de um acordo mediado pelos Estados Unidos. Os EUA escolheriam os países a partir dessa lista.

PRESIDENTE ‌DO IRÃ DEFENDE DIPLOMACIA

Washington e Teerã não mantêm negociações diretas de alto nível desde que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, se reuniu com autoridades iranianas na Suíça em junho, logo após as duas partes terem chegado a um acordo de cessar-fogo. Aquele memorando de ⁠entendimento de curta duração, assinado em 17 de junho, estabeleceu os termos para a retomada do transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz e levou a um cessar-fogo.

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Em meio à oposição interna ao acordo nos EUA e no Irã, as hostilidades foram retomadas em 7 de julho, mas acabaram sendo suspensas novamente. O Comando Central Militar dos EUA não relatou nenhum ataque ao Irã desde 29 de julho.

Analistas afirmaram que sinais de fissuras entre o presidente civil do Irã, Masoud Pezeshkian, e os outros centros de poder no país, notadamente o líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, e a Guarda Revolucionária Islâmica, podem estar complicando os esforços de paz.

Em entrevista à televisão estatal transmitida nesta sexta-feira, Pezeshkian defendeu as políticas de seu governo contra os linha-dura que se opõem às negociações com os Estados Unidos. Ele insistiu que a maioria dos comandantes militares de alto escalão apoiava as negociações para chegar a um acordo que pusesse fim aos combates.

"O maior inimigo dos Estados Unidos é a China; por que eles não lutam? A China segue seu próprio caminho e está ficando mais forte a cada dia", disse Pezeshkian. "Se podemos garantir nossos direitos por meio do diálogo, por que não fazê-lo?"

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