"Esse negócio de banco sempre falei é igual máfia", diz Daniel Vorcaro em mensagens obtidas pela PF

Em comunicações enviadas à CPMI, o banqueiro afirma que "ninguém sai bem" do setor e relata proximidade com o senador Ciro Nogueira

5 mar 2026 - 18h48

Registros de comunicações eletrônicas de Daniel Vorcaro, obtidos pela Polícia Federal (PF) após quebra de sigilo telemático, foram encaminhados à CPMI do INSS. Nas mensagens enviadas à sua namorada, Martha Graeff, Vorcaro utiliza termos específicos para descrever sua atividade profissional e as movimentações de mercado envolvendo o Banco Master.

Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro
Foto: Reprodução / Perfil Brasil

Em um dos diálogos, Vorcaro afirmou que o setor financeiro funciona sob uma lógica de permanência compulsória. "Esse negócio de banco sempre falei é igual máfia. Não dá para sair. Ninguém sai. Bem não sai. Só sai mal", escreveu o empresário no dia 7 de abril de 2025.

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A data do registro coincide com o período de negociações para que o Banco de Brasília (BRB) realizasse a compra do Banco Master. A operação, no entanto, foi vetada pelo Banco Central (BC) após uma análise técnica que durou cinco meses.

Nas mensagens, Vorcaro também comentou sobre uma suposta resistência de André Esteves, do BTG Pactual, à aprovação do negócio pelo órgão regulador. Ele relatou um momento de trégua na disputa: "André baixou a guarda e ataques diminuíram bem. Criaram um problema que não existia", registrou o banqueiro.

As mensagens interceptadas também detalham a relação de Daniel Vorcaro com o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Em seus textos, o banqueiro classificou o parlamentar como "um dos meus grandes amigos de vida" e celebrou a apresentação de uma emenda parlamentar por Nogueira que favoreceria as atividades do Banco Master.

A assessoria do senador Ciro Nogueira emitiu uma nota oficial sobre o caso. O texto afirma que o senador interage com centenas de pessoas por mensagens, o que não define proximidade pessoal. A nota reforça que Nogueira está "tranquilo quanto às investigações" e nega qualquer conduta inadequada relacionada às denúncias que envolvem o empresário.

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O material coletado pela Polícia Federal faz parte das apurações sobre a influência de agentes financeiros no cenário político e regulatório brasileiro. Os dados agora estão sob análise da comissão parlamentar para identificar possíveis irregularidades em transações envolvendo o sistema bancário nacional.

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