Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, movimentou R$ 19,5 milhões nos últimos quatro anos. A quebra de sigilos bancário e fiscal do empresário, que é filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mostra que ele também reativou empresas ao longo do terceiro mandato do pai e recebeu um valor considerável do chefe do Executivo.
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Em uma conta do Banco do Brasil constam R$ 721.309,70 enviados pelo pai em três transferências, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Duas delas, que somaram R$ 337.309,70 são de 27 de dezembro de 2023. A outra, no valor de R$ 384.000, foi paga em 22 de julho de 2022.
As transações mapeadas pelo veículo são de 3 de janeiro de 2022 a 30 de janeiro de 2026. A movimentação mostra que, a partir de 2023, Lulinha reativou seus negócios. Dos R$ 19,5 milhões movimentados, R$ 3,6 milhões foram por meio das próprias empresas, referentes a créditos e débitos de CNPJs antigos de Lulinha, a G4 e a LLF Tech.
Desse montante, R$ 3,2 mi foram referentes a transferências das empresas para a conta dele e R$ 381 mil eram de valores enviados por ele para os quatro CNPJs das próprias firmas. As empresas de Lulinha estão em funcionamento. Em julho do ano passado, os CNPJs foram transferidos para uma sala em um edifício na Rua Cunha Gago, em Pinheiros, bairro nobre de São Paulo.
Em nota, a defesa do filho de Lula alegou que os pagamentos feitos pelo presidente dizem respeito a “adiantamento de legítima herança aos filhos”, “devolução de custos arcados por Fábio Luís da época emergencial em que Lula esteve ilegalmente preso” e “empréstimo à L.I.L.S. Palestras, da qual Fábio Luís possui cotas recebidas por herança”.
A esposa de Lulinha, Renata de Abreu Moreira, foi nomeada administradora das empresas em dezembro do ano passado, mas, atualmente, apenas atua como dono dos negócios. Ela é amiga da lobista Roberta Luchsinger que, segundo investigações, teria sido intermediária de repasses ilegais de Antônio Antunes Camilo, o "Careca do INSS", principal operador do esquema.
Mensagens extraídas do celular de Antônio Carlos citam a transferência de ao menos R$ 300 mil para "o filho do rapaz". A Operação Sem Desconto investiga se o apelido faz referência ao filho do presidente Lula. A defesa de Lulinha afirma que ele não tem relação com o esquema do INSS.