PF abre inquérito para apurar tentativa de suicídio de ‘Sicário’ de Vorcaro na prisão

Luiz Phillipi atentou contra a própria vida enquanto estava sob custódia na Superintendência Regional da PF em Minas Gerais

5 mar 2026 - 12h39
(atualizado às 12h41)
Luiz Phillipi Machado Moraes Mourão, conhecido como "Sicário" de Daniel Vorcaro
Luiz Phillipi Machado Moraes Mourão, conhecido como "Sicário" de Daniel Vorcaro
Foto: Reprodução/PMMG

A Polícia Federal abriu inquérito nesta quinta-feira, 5, para investigar o suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” de Daniel Vorcaro. Ambos foram presos na Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira, 4. Mourão atentou contra a própria vida enquanto estava sob custódia na Superintendência Regional da PF em Minas Gerais.

De acordo com a PF, ao tomarem conhecimento da situação, policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato, iniciando procedimentos de reanimação e acionando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

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A equipe médica deu continuidade ao atendimento no local, e o custodiado foi encaminhado à rede hospitalar para avaliação e atendimento médico.

Em nota, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), em consonância com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), informou ao Terra que, em conformidade à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), não pode disponibilizar qualquer dado individualizado que diz respeito à privacidade do paciente.

A Polícia Federal comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), e informou que entregará todos os registros em vídeo que demonstram a dinâmica do ocorrido. O procedimento apuratório busca esclarecer as circunstâncias do fato.

Em última atualização informada em nota pública divulgada pela corporação às 22h desta quarta-feira, 4, a PF informou que “não confirma a morte do custodiado” e que “informações sobre o estado de saúde do preso serão divulgadas após atualização da equipe médica”. A reportagem solicitou nova atualização sobre o estado de saúde dele à corporação, mas não obteve retorno.

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No entanto, fontes da Polícia Federal afirmaram ao Estadão que ele teria se enforcado com a própria camiseta e não resistiu. Segundo os relatos, o custodiado foi inicialmente reanimado por cerca de 30 minutos por agentes do Grupo de Pronta Intervenção da PF em Minas Gerais (GPI). Com a chegada da equipe do Samu, ele foi encaminhado ao Hospital João XXIII, mas veio a óbito, segundo informaram as fontes.  O Terra não conseguiu localizar a defesa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão.

O que a investigação aponta sobre "Sicário"?

Segundo a apuração da PF, Mourão atuava como articulador de um grupo conhecido como "A Turma", responsável por acompanhar e intimidar pessoas consideradas adversárias do Vorcaro.

Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro é preso em operação da PF
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De acordo com a investigação, ele recebia cerca de R$ 1 milhão por mês, valor que seria posteriormente distribuído entre integrantes do grupo. Ele era descrito pelos investigadores como responsável por coordenar práticas de pressão e vigilância, além de executar ações consideradas mais agressivas contra pessoas que desagradavam o banqueiro.

Entre os casos, foi revelado uma conversa em que Vorcaro comenta que uma empregada estaria o ameaçando e, por isso, Sicário precisava "moer essa vagabunda". Vorcaro também teria pedido que Sicário agredisse o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, em um assalto forjado.

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A assessoria do banqueiro afirmou que, no ato da prisão, ele se manifestou sobre as conversas. "Ele jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto".

"Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência".

Antecedentes criminais 

Na decisão de Mendonça, a qual o Terra teve acesso, foi descrito que Mourão também invadiu sistemas restritos de órgãos públicos para obter dados dos alvos. "Sicário", como era conhecido, foi preso preventivamente em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, no âmbito da operação.

A trajetória de Mourão já incluía outros problemas com a Justiça. Ele era réu em processos que investigam agiotagem, organização criminosa e lavagem de dinheiro no Estado. Em 2020, chegou a ser preso em Contagem durante apurações sobre crimes financeiros e patrimoniais.

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Registros da Polícia Civil de Minas Gerais também associam seu nome a práticas de estelionato e clonagem de cartões de crédito, segundo informações publicadas pelo Estadão.

Além das investigações criminais, Mourão também enfrentou disputas judiciais de natureza civil. Em 2025, foi processado por inadimplência pelo condomínio onde tinha residência, em uma ação de cobrança no valor de cerca de R$ 6 mil. Posteriormente, a parte autora decidiu retirar o processo.

*Atenção! Em caso de pensamentos suicidas, procure ajuda especializada como o CVV (Centro de Valorização da Vida), que funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, por e-mail, chat ou pessoalmente. Confira um posto de atendimento mais próximo de você (clique aqui).

Fonte: Portal Terra
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