O município de Pombal vive dias de profunda consternação após um grave surto de intoxicação alimentar que atingiu 118 pessoas. O incidente, ocorrido após o consumo de pizzas em um estabelecimento local, resultou na morte de uma servidora pública e mobilizou as autoridades de saúde de toda a região. Entre o domingo e a noite de terça-feira, a Unidade de Pronto Atendimento e o Hospital Regional de Pombal ficaram repletos de pacientes que apresentavam sintomas severos como náuseas, vômitos, dores abdominais intensas e diarreia. A situação gerou um alerta sanitário imediato na cidade, levando à interdição do local envolvido e ao início de uma rigorosa investigação policial para apurar as responsabilidades criminais e administrativas.
Surto atinge mais de cem pessoas no Sertão
De acordo com os registros oficiais, a UPA de Pombal prestou assistência a 44 pacientes, enquanto o Hospital Regional recebeu outros 74 cidadãos com o mesmo quadro clínico. Em todos os relatos colhidos pelas equipes médicas, o ponto em comum era o consumo de pizzas provenientes do mesmo estabelecimento comercial na noite de domingo. Embora a maioria das vítimas tenha recebido alta após o tratamento sintomático, o caso da engenheira agrônoma Raíssa Maritein Bezerra e Silva, de 44 anos, tomou um rumo trágico. Ela e o namorado compartilharam uma pizza de carne de sol e logo começaram a passar mal. Segundo nota oficial do Hospital Regional de Pombal, a "paciente apresentou rápida evolução clínica, sendo prontamente assistida pela equipe médica e encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), já em estado geral gravíssimo, com sinais compatíveis com um quadro infeccioso grave".
Falhas graves de higiene e interdição imediata
A fiscalização conduzida pela Agência Estadual de Vigilância Sanitária revelou um cenário alarmante nas dependências da pizzaria. O inspetor sanitário da Agevisa, Sérgio Freitas, foi enfático ao descrever o que encontrou durante a vistoria técnica no local. "O estabelecimento estava em total desconformidade com a legislação sanitária. Não tinha condições de funcionar em hipótese alguma. Com relação à falta de higiene, não foi apresentado nenhum documento comprobatório de protocolos. Foram observados insetos, conforto térmico terrível, falta de conservação adequada dos alimentos, equipamentos oxidados e reaproveitamento de vasilhames de alimentos já utilizados. Está em total desconformidade", afirmou Sérgio Freitas. A ausência de protocolos básicos de higiene e o acondicionamento inadequado de insumos foram apontados como fatores críticos que podem ter colaborado para a proliferação de agentes patogênicos nos alimentos servidos aos clientes.
Polícia Civil investiga responsabilidade criminal
A memória de Raíssa Maritein, descrita como uma pessoa "alegre e acolhedora" por seus entes queridos, agora motiva a busca por justiça. Sua prima, Izabele Freitas, relembrou com carinho a personalidade da servidora: "Era uma pessoa alegre, simples, acolhedora. Raíssa era servidora pública, engenheira agrônoma, não tinha filhos e não era casada. (Era) divertida". O delegado Rodrigo Barbosa já iniciou a oitiva do proprietário da pizzaria e de clientes que sobreviveram ao surto. Material colhido no corpo da vítima e amostras dos alimentos foram encaminhados ao Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba para análises detalhadas. A expectativa é que os laudos periciais, fundamentais para a conclusão do inquérito, sejam liberados em cerca de uma semana, esclarecendo definitivamente a causa da morte e a origem da contaminação em massa.