Bruno Lisboa acumula mais de 760 mil seguidores nas redes sociais onde compartilha sua rotina como veterinário em uma clínica, em Belo Horizonte (MG). Vídeos nos quais ele mostra o atendimento de cãezinhos bravos em sua clínica já bateram mais de 9 milhões de visualizações no Instagram.
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O motivo não é para menos: a forma como Bruno consegue acalmar e realizar o atendimento de cachorros arredios encantou a internet. Não à toa, ele foi apelidado de 'encantador de feras'. A demanda começou por parte dos próprios amigos dele, também veterinários, pela dificuldade em atender cães de temperamento forte.
"Meus colegas começaram a pedir para que eu atendesse alguns animais deles que atacavam, ou mordiam. Com o tempo, decidi focar somente nos animais com comportamento agressivo e fui implementando uma técnica. Eu aprendi a ler os animais, eles comunicam o que sentem o tempo inteiro", conta em entrevista ao Terra.
Um dos conteúdos mais clicados no perfil de Bruno é um atendimento com um cãozinho chamado Rambo. Nas imagens, Bruno tenta segurar o cachorro para levar até a sala de atendimento, mas o animal tenta atacá-lo em todo momento. Após alguns segundos, o veterinário pega o animal no colo e o cãozinho imediatamente se acalma.
"Fiz um balancinho nele e vi que ele soltou o corpo. Coloquei uma música pra acalmar e comecei a dançar com ele. Ele relaxou e aí eu entendi que ele estava tranquilo. Fui aperfeiçoando essa dança com os animais e vi que funcionava com todos, principalmente com os agressivos", disse.
Ele diz que todas as técnicas que usa foram desenvolvidas por ele mesmo. A repercussão do trabalho foi tamanha que ele passou a dar aulas, palestras e ministrar cursos na área. "É uma carência na formação de médicos veterinários. Não tem esse estudo comportamental, por isso, muitas vezes, o profissional sai frustrado com o atendimento", explica.
O profissional ressalta que é normal cães se sentirem mais acuados ao entrarem em uma clínica veterinária, afinal, é um local onde são atendidos dezenas de outros animais com diferentes odores.
"É importante ressaltar que minha técnica não é de adestramento, sou especialista em atendimento médico em animais com comportamento agressivo sem o uso de drogas. Já fui convidado para falar sobre o assunto em países da Europa e nos Estados Unidos", afirma o médico.
Bruno revela que uma primeira consulta para um animal de temperamento forte custa em torno de R$ 950. O valor pode ser ajustado conforme a necessidade do animal, incluindo para atendimentos em domicílio. Além disso, ele seleciona os dias da semana em que atenderá cães pela primeira vez, para que possa realizar a aplicação da técnica de forma segura e sem pressa.
O veterinário explica que muitos profissionais acabam optando por sedar o animal agressivo antes do atendimento, para evitar acidentes. Ele diz que prefere não usar drogas para acalmar o animal, e que a técnica tem sido eficaz até então.
"Conforme fui aprendendo a ler o animal, até meu atendimento ficou mais ágil. Quanto menos tempo o cachorro fica no consultório, menos estresse ele sofre. Olho o cachorro da ponta do nariz até a ponta do rabo. Às vezes, chega com um problema e sai com três", diz.
A fama de Bruno é tamanha que muitas pessoas se deslocam de outros Estados até a capital mineira apenas para realizar uma consulta. Em média, ele atende 2 cãezinhos por dia, e as consultas costumam durar de 50 minutos a 1h e 30 minutos. O shape do veterinário também precisa estar em dia, já que ele leva ao colo animais de grande porte. "Eu tenho desgaste físico, claro, imagina levantar um cachorro de 60 kg e dançar?", brinca.
Pinscher, pitbull, SRD: não importa tamanho, peso e temperamento, Bruno se prepara para atender todos com calma, atenção e paciência. A sala de atendimento, por exemplo, tem musicoterapia, cromoterapia e luzes na cor azul para ajudar a acalmar os ânimos.
"Eu praticamente só atendo animais agressivos. Muitas vezes o cachorro não tem nada, mas a pessoa agenda uma consulta para o animal dançar comigo. Brinco que a gente virou pediatra, porque cachorros são filhos e, na cabeça dos tutores, eles têm o sonho de conhecer o 'encantador de feras'. Já cheguei na minha recepção e tinham pessoas para tirar fotos, fazer vídeos", conclui.