A decisão de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de escolher o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor sua chapa na disputa pela Presidência da República deve alterar o cenário da corrida ao Senado em Alagoas. Com a saída do parlamentar da disputa estadual, Arthur Lira (PP) tende a ampliar seu espaço entre os eleitores de perfil conservador e pode absorver parte dos votos que antes era destinada ao colega do PL.
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Antes de ser anunciado como candidato a vice-presidente, Gaspar aparecia entre os favoritos na disputa por uma das duas vagas ao Senado no Estado. Levantamento do Paraná Pesquisas do dia 3 de julho apontava o deputado com 40,4% das intenções de voto, seguido de Arthur Lira, com 39,8%, e de Renan Calheiros (MDB), com 36,4%. Os três estavam tecnicamente empatados dentro da margem de erro de 2,7 pontos percentuais. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número AL-04491/2026.
O PL e a federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP), já haviam firmado uma aliança para a eleição ao Senado em Alagoas, com as candidaturas de Gaspar e Lira. Na prática, porém, ambos disputavam o mesmo segmento do eleitorado de direita. Com Gaspar fora da corrida, Arthur Lira passa a enfrentar menor concorrência entre esse grupo de eleitores.
O movimento ocorre após a federação União Progressista manter posição independente na eleição presidencial, sem aderir à candidatura de Flávio Bolsonaro. Mesmo sem formalizar apoio ao senador, a definição da chapa do PL acaba beneficiando um dos principais nomes da federação na disputa por uma vaga no Senado.
A candidatura de Arthur Lira ao Senado foi oficializada pela federação União Progressista durante convenção realizada no último domingo, 2, em Maceió. Deputado federal pelo PP de Alagoas, Lira está no quarto mandato consecutivo na Câmara dos Deputados. Ele presidiu a Casa entre 2021 e 2025 e, antes de chegar ao Congresso Nacional, foi vereador por Maceió e deputado estadual.
Escolha de Gaspar reforça estratégia eleitoral contra Lula
Após não conseguir ter em sua chapa nomes femininos ligados a partidos do Centrão, que recusaram formalizar alianças com o PL, a campanha de Flávio Bolsonaro precisou rever seus planos para a composição da vice. Diante da impossibilidade de ampliar a coligação, a legenda optou por uma chapa formada apenas por filiados do partido e escolheu Alfredo Gaspar, que pode fortalecer o discurso de oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na avaliação da campanha, o deputado fortalece três eixos estratégicos da disputa: segurança pública, as investigações sobre as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a ampliação da presença da chapa no Nordeste.
Ex-promotor de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, Gaspar tem um histórico ligado à área de segurança, tema que aparece entre as principais preocupações do eleitorado. Pesquisa BTG/Nexus divulgada na segunda-feira, 3, mostra que, em todas as regiões do País, prevalece a percepção de piora da segurança pública em relação a 2022.
No cenário nacional, 47% dos entrevistados afirmaram que suas famílias estavam mais seguras há quatro anos, enquanto 32% consideram que a situação atual é melhor. Outros 17% disseram não perceber mudanças, e 4% não souberam ou preferiram não responder.
CPMI do INSS vira ativo político da campanha de Flávio
Outro fator considerado pela campanha é a atuação de Gaspar na CPMI do INSS. Como relator da comissão que investigou descontos indevidos em aposentadorias, o deputado ganhou projeção nacional ao conduzir uma das principais frentes de ataques da oposição ao governo. Isso porque as investigações alcançaram pessoas próximas ao presidente Lula. Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é investigado por suposto tráfico de influência para favorecer o Careca do INSS. Além disso, Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente, recebeu recursos de uma lobista investigada no caso, segundo a Polícia Federal.
Durante o anúncio da chapa, Flávio Bolsonaro, inclusive, deu grande destaque a atuação de Gaspar na comissão. "Ele é alguém que enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPMI do INSS. Alguém que pediu a prisão do Lulinha porque tinha culpa no cartório. E alguém que representa o Nordeste de fato", afirmou. O relatório da CPMI e o pedido de prisão de Lulinha foram rejeitados por 19 votos a 12 após mobilização da base governista.
Apesar dos argumentos apresentados pela campanha para a escolha do deputado, a indicação também gerou desconforto entre integrantes do próprio grupo de Flávio Bolsonaro. Integrantes da equipe afirmam que foram surpreendidos pela decisão, principalmente por ela contrariar a expectativa de que a vaga seria ocupada por uma mulher.
A escolha ainda trouxe de volta questionamentos envolvendo o deputado. Durante uma sessão da CPMI do INSS, Gaspar foi alvo de acusações feitas por parlamentares da base do governo relacionadas a um caso de estupro de vulnerável, que ele nega. O deputado afirma que a história foi distorcida e que o episódio citado envolve outro familiar.
Ele também sofreu uma investigação no Tribunal de Contas da União (TCU) que apurou suspeitas relacionadas ao repasse de cerca de R$ 6 milhões em emendas parlamentares destinadas ao município de São José da Laje, em Alagoas. No entanto, uma denúncia relacionada ao caso foi arquivada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).