Em meio à guerra no Irã, colonos israelenses intensificam ataques a palestinos na Cisjordânia

13 mar 2026 - 09h46

Grupos de direitos humanos denunciam onda de violência que se espalha pela Cisjordânia desde o início da ofensiva de Israel e EUA contra o Irã.Grupos de direitos humanos e observadores internacionais alertaram para o recente aumento da violência de colonos israelenses contra palestinos e suas propriedades, à medida que a atenção diplomática e da mídia se volta para a guerra no Irã. Na Cisjordânia ocupada, cinco palestinos foram mortos desde o início da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o regime iraniano, em 28 de fevereiro.

"Sob o pretexto da guerra, a cooperação entre os militares e as milícias de colonos israelenses está aprofundando a limpeza étnica da Cisjordânia", escreveu o grupo israelense de direitos humanos B'Tselem nas redes sociais em 6 de março, antes da publicação de um relatório que detalhava as mortes de vários palestinos. "Logo após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irã, Israel impôs amplas restrições de movimento aos palestinos."

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Segundo a B'Tselem, "os colonos deliberadamente levam o rebanho para pastar nos campos cultivados dos palestinos, destroem plantações e alimentos armazenados, roubam animais e vandalizam painéis solares e reservatórios de água."

Após o tiroteio mais recente, neste domingo, o Serviço Europeu para a Ação Externa (Seae) afirmou em um comunicado que "o nível de violência na Cisjordânia é inaceitável". O serviço diplomático da União Europeia (UE) pediu às autoridades israelenses que "tomem medidas imediatas e eficazes para evitar novos ataques contra palestinos e garantir a punição" dos responsáveis.

Violência dos colonos aumenta

Nos primeiros dez dias da guerra contra o Irã, o grupo israelense de direitos humanos Yesh Din documentou 109 incidentes separados de violência de colonos contra palestinos em 62 comunidades, incluindo tiroteios, agressões físicas, danos à propriedade e ameaças.

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Em 2 de março, dois dias após o início da guerra, dois irmãos palestinos foram mortos ao tentar impedir que colonos israelenses danificassem um olival em Qaryut, uma pequena vila no norte da Cisjordânia. Mohammed Taha Muammar foi morto a tiros junto com Fahim Taha Muammar.

O jornal The Times of Israel noticiou que o suspeito do tiroteio era membro das chamadas forças de defesa de área das Forças de Defesa de Israel (FDI), conhecidas pela sigla em hebraico Hagmar. Essas unidades geralmente são compostas por colonos que servem como reservistas.

"Segurança e estabilidade"

Em 7 de março, um colono atirou e matou Amir Muhammad Shanaran, de 28 anos, e feriu gravemente seu irmão Khaled em Wadi A-Rakhim, nas colinas do sul de Hebron. Um vídeo divulgado pela B'Tselem mostrou um colono armado que parecia vestir um uniforme militar no local.

Grupos de direitos humanos palestinos e israelenses documentaram uma estreita colaboração entre colonos e o Exército israelense, com soldados deixando de fazer cumprir as leis criadas para proteger os palestinos da violência dos colonos. Parte dessa violência foi impulsionada por soldados da reserva provenientes de assentamentos, que são destacados na Cisjordânia ocupada. Essas unidades e unidades de guarda privatizadas têm operado abertamente contra palestinos nos últimos meses.

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O terceiro ataque mortal ocorreu nas primeiras horas de domingo, em Abu Falah, uma vila perto de Ramallah. Moradores disseram que tentaram impedir uma multidão de israelenses mascarados de vandalizar oliveiras em campos ao redor do vilarejo. Dezenas de colonos armados invadiram a localidade e mataram Thaer Faruq Hamayel e Fara Jawdat Hamayel. Ambos os homens foram baleados na cabeça, de acordo com os serviços de resgate palestinos.

As forças israelenses chegaram mais tarde e lançaram gás lacrimogêneo no vilarejo, segundo testemunhas. Outro morador morreu após sofrer uma parada cardíaca, provavelmente devido à inalação de gás, informou o Ministério da Saúde palestino em Ramallah.

O chefe do comando central das Forças de Defesa de Israel, responsável pela Cisjordânia ocupada, Avi Bluth, classificou o incidente como "inaceitável". Em um comunicado, ele disse que "haverá tolerância zero para civis que fizerem justiça com as próprias mãos. Essas ações são perigosas, não representam o povo judeu nem o Estado de Israel e nos desviam de nossa missão de defender a população e impedir o terrorismo, além de minarem a segurança e a estabilidade na região."

Até o momento, não há informações sobre a possível detenção dos agressores.

Ataques e expulsões se intensificam

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Desde os ataques terroristas perpetrados pelo grupo islamista Hamas em Israel, em 7 de outubro de 2023, e a reação israelense que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza, a ONU e grupos de direitos humanos palestinos e israelenses documentaram um aumento massivo da violência de colonos israelenses contra palestinos em toda a Cisjordânia ocupada, onde membros de pelo menos 45 comunidades foram expulsos de sus casas.

Em 5 de março, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) relatou que oito famílias palestinas, totalizando cerca de 45 pessoas, foram forçadas a deixar sua comunidade na província de Nablus após uma série de ataques e ameaças de colonos de um posto avançado recém-estabelecido.

O Ocha também relatou que, desde o início dos ataques ao Irã, mais postos de controle foram bloqueados e portões de estradas que levam a vilarejos e cidades foram fechados, restringindo severamente a capacidade das pessoas de se locomoverem livremente.

Em seu parecer consultivo de 2024 sobre as consequências jurídicas das políticas e práticas de Israel nos territórios palestinos ocupados, a Corte Internacional de Justiça concluiu que a ocupação prolongada de Israel e o empreendimento sistemático de assentamentos violam o direito do povo palestino à autodeterminação, e declarou ilegais essas práticas.

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