Em encontro com Zelenski, Merz promete ampliar apoio à Ucrânia

3 nov 2026 - 17h41
Resumo
Em Berlim, o chanceler alemão Friedrich Merz reuniu-se com o presidente Volodimir Zelenski e anunciou um pacote de 200 milhões de euros para apoiar a infraestrutura de energia e a defesa aérea da Ucrânia no inverno. Diante dos constantes ataques russos, Zelenski alertou para a escassez urgente de mísseis Patriot. O envio de mais armas será debatido pela Coalizão dos Dispostos, enquanto novas negociações técnicas de paz, envolvendo Ucrânia, Rússia e EUA, estão previstas para ocorrer em Abu Dhabi.

Chanceler federal alemão anuncia novo pacote de 200 milhões de euros para enfrentar o inverno, e destaca defesa aérea e energia como prioridades.O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, reforçou nesta terça-feira (03/11) o compromisso alemão com a Ucrânia durante encontro com o presidente Volodimir Zelenski, em Berlim. Recebido com honras militares na Chancelaria, o líder ucraniano participou de reuniões reservadas, sob fortes medidas de segurança.

Merz recebeu Zelenski em Berlim e reafirmou o apoio de seu país à Ucrânia
Merz recebeu Zelenski em Berlim e reafirmou o apoio de seu país à Ucrânia
Foto: DW / Deutsche Welle

"Continuaremos a ajudar até que esta guerra termine", afirmou Merz. Segundo ele, a Alemanha pretende ampliar sua ajuda emergencial para o inverno com um pacote adicional de 200 milhões de euros (cerca de R$ 1,26 bilhão).

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Após o encontro, o chanceler destacou duas prioridades para os próximos meses: reforçar a defesa aérea ucraniana e garantir o funcionamento do setor de energia durante o inverno. A infraestrutura energética do país é alvo frequente de ataques russos, que provocam interrupções no fornecimento de eletricidade e aquecimento.

Escassez de mísseis Patriot preocupa Kiev

Zelenski afirmou que a Ucrânia enfrenta uma grave escassez de sistemas de defesa aérea. Segundo ele, o país necessita urgentemente de mais mísseis interceptadores Patriot para se proteger dos ataques russos com mísseis balísticos.

Os armamentos produzidos pela fabricante americana Lockheed Martin, porém, são escassos no mercado internacional. Diversos aliados de Kiev já reduziram seus próprios estoques para abastecer as Forças Armadas ucranianas.

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Embora os Estados Unidos tenham aprovado recentemente a venda de 500 mísseis Patriot para a Ucrânia, com financiamento de países como Alemanha, Canadá e Noruega, as entregas devem ocorrer apenas nos próximos anos. Por isso, Zelenski pressiona por soluções mais rápidas para suprir as lacunas na defesa aérea.

Merz evitou detalhar futuras entregas de armamentos, mas informou que o assunto será discutido em uma reunião da chamada "Coalizão dos Dispostos", marcada para 19 de novembro, em Berlim.

Segundo o chanceler, um grande número de chefes de Estado e de governo deverá participar do encontro, que terá como foco principal a ampliação da ajuda militar à Ucrânia.

Merz afirmou que a Alemanha é atualmente o maior apoiador europeu de Kiev, mas ressaltou que o esforço não pode recair sobre um único país.

Já na próxima semana, a coalizão realizará seu primeiro exercício militar, principalmente em território polonês. O treinamento buscará simular cenários para a manutenção da paz após o fim do conflito. A Alemanha participará com uma aeronave de transporte e um contingente reduzido de militares de estado-maior.

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O presidente russo, Vladimir Putin, porém, já afirmou que qualquer tropa ocidental enviada à Ucrânia será considerada um "alvo legítimo" para a Rússia.

Conversas sobre a guerra devem ocorrer em Abu Dhabi

As tentativas diplomáticas para encerrar o conflito não produziram resultados até agora. Uma nova rodada de negociações técnicas está prevista para a próxima semana em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos.

Segundo o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, representantes da Ucrânia, da Rússia e dos EUA devem se reunir na terça e na quarta-feira para discutir acordos de segurança para o período pós-guerra, medidas de desescalada, ações humanitárias e possíveis passos em direção à paz.

O tema também foi tratado durante o encontro entre Merz e Zelenski.

O presidente ucraniano reiterou que seu país está disposto a negociar, mas condicionou qualquer acordo a garantias de segurança. Merz, por sua vez, afirmou que Moscou ainda não demonstra disposição para negociações efetivas.

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"É importante que a Rússia finalmente conduza negociações sérias sobre um cessar-fogo e sobre um acordo de paz subsequente. Até agora, não vejo isso", disse o chanceler federal. A mensagem dirigida ao Kremlin foi direta: "É hora de pôr fim a esta guerra".

Apesar das iniciativas diplomáticas, Moscou não sinalizou disposição para fazer concessões. Nesta segunda-feira, um ataque russo atingiu uma fila de distribuição de ajuda humanitária e levou as Nações Unidas a apontar uma possível violação ao direito internacional. Ao mesmo tempo, a possibilidade de os Estados Unidos apoiarem parte das exigências russas é vista como um fator que pode enfraquecer a posição de Kiev nas negociações.

Também permanece indefinido qual será o papel dos países europeus nesse processo. Zelenski defendeu a participação do continente nas conversas. "Não pode haver uma paz estável se a Europa não estiver à mesa de negociações", afirmou.

O presidente ucraniano acrescentou que não vê utilidade em uma conversa telefônica com Vladimir Putin. Na sua avaliação, o avanço das negociações exige um encontro direto entre as partes. "Se quisermos pôr fim à guerra, precisamos nos encontrar e dar o primeiro passo: um cessar-fogo."

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Enquanto a Ucrânia continua a enfrentar a ofensiva russa, cresce na Alemanha a pressão de setores que questionam os bilhões de euros destinados à ajuda ao país. Diante dessas críticas, Merz reiterou que o apoio a Kiev também atende aos interesses estratégicos da própria Alemanha.

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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