Em ato na Avenida Paulista com aliados e entidades estudantis, o presidente Lula convocou a militância a mobilizar os quase 30 milhões de eleitores abstencionistas. O petista criticou a gestão de Jair Bolsonaro na pandemia, defendeu o fim da escala 6x1 ao cobrar votação no Senado e questionou decisões da Justiça Eleitoral contra sua campanha, como o bloqueio do canal de André Janones, prometendo acionar o TSE.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu apoiadores, aliados e lideranças políticas neste domingo (11) durante um ato na Avenida Paulista, em São Paulo. O evento, organizado em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) por entidades ligadas à educação e à ciência como a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), teve como foco o engajamento de eleitores que não compareceram no primeiro turno.
Falando para a militância ao lado da primeira-dama Janja, do vice-presidente Geraldo Alckmin, da ex-ministra Marina Silva, do ministro Guilherme Boulos e dos governadores Elmano de Freitas, Jerônimo Rodrigues e Rafael Fonteles, o candidato à reeleição ressaltou a necessidade de convencer a população abstencionista.
"Nós tivemos quase 30 milhões de pessoas que não foram votar. Muita gente que tem acima de 70 anos não foi votar porque a lei não exige que vote. Entre abstenção e pessoas que não foram votar, são 30 milhões. Nós temos a obrigação de conversar com as pessoas que acham que não têm mais direito de votar. Porque, se essa pessoa não quer votar por ela, tem filho, tem filha, tem neto, tem bisnetos e tem a pátria dela para cuidar. Portanto, temos que convencer as pessoas".
Mobilização de Lula em SP e duras críticas ao governo anterior
Em seu pronunciamento na capital paulista, o presidente relembrou a condução do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a crise sanitária recente e sublinhou o contraste entre a reconstrução de políticas públicas e a destruição de conquistas sociais. Ao abordar os desafios do país, o chefe do Executivo enfatizou o compromisso com avanços tecnológicos e com a segurança da população. "Vocês sabem que construir qualquer coisa é muito difícil, mas destruir é simples. Vocês sabem o que a família bolsonarista fez nesse país. Vocês sabem o que é um presidente rir de pessoas que estavam morrendo asfixiadas. Vocês viram quantos milhões de pessoas foram enterradas em sacos pretos sem poder se despedir da sua família, porque tivemos um presidente irresponsável, que duvidou da ciência, que não acreditou na medicina".
Rumo à vitória! 🇧🇷🇧🇷🇧🇷
— Lula (@LulaOficial) October 11, 2026
Pautas trabalhistas e atuação da Justiça Eleitoral
Antes da caminhada com os apoiadores, o mandatário concedeu entrevista aos jornalistas e tratou de temas centrais da pauta legislativa, como a proposta de fim da jornada de trabalho 6 por 1 e a PEC da Segurança Pública.
O chefe do Governo revelou que conversou com o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, para assegurar a votação do tema trabalhista na quarta-feira, exigindo um posicionamento claro do PL e dos congressistas de oposição.
"Já está conversado com o Alcolumbre. Já está marcada a data da votação. Portanto, a única coisa que a oposição pode fazer é o seguinte: demonstrar se vão ter coragem de votar contra ou a favor. Eles vão ter só isso. O que eles não podem é tentar protelar para enganar o povo depois das eleições. É agora. Agora é a hora da verdade".
Ainda em conversa com a imprensa, a liderança do PT reprovou a decisão do ministro Nunes Marques que determinou a remoção do canal do deputado federal André Janones. O presidente acusou a existência de medidas desfavoráveis à sua campanha e indicou que a equipe jurídica entrará com pedido de esclarecimentos junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra bloqueios nas redes sociais.
"Eu acho um absurdo. Acho um absurdo. Acho que os nossos advogados vão ter que entrar, sabe, com um pedido de explicação ao presidente da Corte Eleitoral. Porque já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura. Nós vamos hoje, sabe, entrar na Justiça com um pedido do nosso partido, da nossa força, para que a gente equilibre esse jogo. Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral na eleição".