Em texto publicado no Washington Post, presidente afirma que Brasil dispõe de instrumentos para reagir às tarifas americanas e classifica medidas de Washington como injustas.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em artigo publicado neste domingo (26/07) no jornal americano Washington Post, que o Brasil dispõe de mecanismos para garantir a reciprocidade diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos. No texto, ele classificou as medidas adotadas por Washington como um "erro estratégico".
"Respeitamos a soberania de outros Estados e negociamos com todos aqueles que saibam respeitar a nossa. A reciprocidade é a base de toda relação entre nações e temos mecanismos apropriados para assegurá-la", escreveu Lula. O presidente também chamou de "infundadas" as justificativas apresentadas pelo governo do presidente americano Donald Trump para taxar produtos brasileiros.
No último mês, os Estados Unidos impuseram tarifas de 25% sobre produtos do Brasil, alegando práticas comerciais desleais. Também aplicaram ao país uma alíquota de 12,5%, sob a justificativa de que produtos oriundos de trabalho forçado circulam em cadeias produtivas brasileiras.
Para Lula, as sanções têm motivação política. Segundo ele, a nova taxação, que em alguns casos eleva a carga tarifária a 37,5%, desconsidera as negociações realizadas entre equipes técnicas dos dois países. O presidente também argumentou que os Estados Unidos acumulam superávit recorde no comércio com o Brasil. O saldo positivo americano no comércio de bens com o país superou 144 bilhões de dólares (R$ 799,2 bilhões) nas últimas quatro décadas.
"Além de injustas, as novas tarifas são um erro estratégico: elas prejudicam a economia dos Estados Unidos e a parceria com o Brasil. Diversos segmentos industriais dos Estados Unidos dependem de insumos brasileiros. Alimentos, calçados, têxteis, móveis, autopeças e vários outros produtos chegarão mais caros ao consumidor norte-americano", afirmou.
Lula insta busca por novos mercados
Lula acrescentou que, no médio prazo, as tarifas tendem a desorganizar cadeias produtivas hoje fortemente integradas entre os dois países. Segundo ele, empresas brasileiras poderão substituir fornecedores americanos por parceiros de outros mercados.
"Outros países se apresentam como alternativas, oferecendo uma agenda positiva", escreveu.
Lula ainda criticou o que chamou de instrumentalização das tarifas para fins eleitorais. Por outro lado, afirmou que o governo brasileiro permanece disposto a manter um diálogo com os Estados Unidos.
gq (OTS)
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