A líder da extrema direita Marine Le Pen pode muito bem vencer a eleição presidencial da França no próximo ano, apesar de um tribunal de apelação ter mantido, nesta semana, a condenação por desvio de fundos da União Europeia, segundo sugerem duas pesquisas de opinião.
Muita coisa pode acontecer até o primeiro turno das eleições, em 18 de abril do ano que vem, e as empresas de pesquisa enfatizam que não se trata de uma previsão, mas sim de um retrato das intenções de voto atuais.
No entanto, ambas as pesquisas — realizadas pela Ifop para a LCI e o Le Figaro, e pela Toluna Harris Interactive para a M6 e a RTL — mostram Le Pen liderando o primeiro turno e sendo eleita no segundo turno, em 2 de maio, assim como a maioria das pesquisas de opinião antes do veredicto.
As pesquisas foram realizadas depois que a veterana líder da extrema direita, de 57 anos, anunciou que concorreria às eleições, após a decisão do tribunal de apelação que a considerou culpada de ter desviado verbas da União Europeia para pagar funcionários do partido, mas reduziu a proibição de concorrer às eleições, permitindo que ela seja candidata.
Para o primeiro turno, o Ifop aponta a líder da Reunião Nacional — partido anti-imigração e eurocético — na liderança com 36%, superando os índices de 32% a 34% registrados em pesquisas anteriores realizadas pelo mesmo instituto nos últimos meses. Nenhum de seus adversários teria mais de 19%, na melhor das hipóteses. A outra pesquisa mostra resultados semelhantes.
No segundo turno, que opõe os dois candidatos mais votados do primeiro turno, ambos os institutos de pesquisa apontam Le Pen como vencedora. Trata-se de uma vitória mais apertada contra o ex-primeiro-ministro Edouard Philippe, candidato de centro-direita, com 49% na pesquisa da Harris Interactive, o que está dentro da margem de erro.
Ambos os institutos de pesquisa apontam Gabriel Attal, também ex-primeiro-ministro do presidente Emmanuel Macron, com 45%, enquanto que, se fosse Jean-Luc Mélenchon, da extrema esquerda, contra Le Pen, ele perderia por uma margem enorme, com apenas cerca de um terço dos votos.
Reagindo às pesquisas, o líder do Partido Socialista, Olivier Faure, disse que Le Pen é uma "candidata formidável". Os socialistas, assim como muitos outros partidos, afirmam que é vergonhoso que Le Pen concorra apesar de sua condenação. Ela recorreu da sentença, e a mais alta instância judicial, a Cour de Cassation, afirmou que pretende proferir um veredicto definitivo antes da eleição.
Le Pen foi recebida com aplausos e vaias ao lançar sua campanha presidencial na quarta-feira. Enquanto cumprimentava as pessoas no mercado de rua de La Flèche, no Vale do Loire, no oeste da França, alguns gritavam "Devolva o dinheiro!" e "Vá para a prisão!", enquanto outros entoavam "Marine, presidente!" — um sinal das tensões que podem surgir.
Outra pesquisa, divulgada pelo instituto de pesquisa Elabe para a BFM TV na quarta-feira, apontou alguns dos desafios que Le Pen enfrenta. Sete em cada dez eleitores não concordam com suas declarações de que é inocente. E, embora uma ampla maioria dos eleitores do RN apoie sua decisão de concorrer às eleições, ainda há 32% dos eleitores do RN que não a apoiam.