O programa de monitoramento Smart Sampa, usado como modelo pelo plano nacional de segurança de Flávio Bolsonaro, sofreu um vazamento de dados sensíveis, sendo investigado pela Prefeitura de São Paulo, que atribuiu a falha a um agente já afastado.
Citado por Flávio Bolsonaro (PL) como referência a ser seguida, o programa paulistano Smart Sampa virou alvo de investigação da Prefeitura de São Paulo, após um vazamento de dados, conforme noticiado nesta terça-feira, 20.
Implementado na capital paulista pela gestão de Ricardo Nunes (MDB), o programa consiste em um sistema de monitoramento por câmeras e reconhecimento facial. Uma reportagem do UOL afirma, porém, que houve uma falha no sistema de vigilância que levou a uma exposição de dados sigilosos na web.
O vazamento teria ficado disponível por cerca de 11 meses, dando o acesso indevido a imagens de mais de 58 mil câmeras instaladas em ruas, escolas, creches e hospitais do município.
Em nota ao Terra, a administração municipal negou que seja falha de segurança e acusou um agente de segurança de ter feito o vazamento ilegal de informações sigilosas. Ele já foi afastado do cargo.
Flávio Bolsonaro e o Smart Sampa
"Vamos implantar o 'Muralha Brasileira' -- um sistema nacional de reconhecimento facial integrado a bancos de dados criminais, inspirado no Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo, e no 'Muralha Paulista', do Governo do Estado", promete o plano de governo do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL).
"Além de localizar foragidos e prevenir crimes, vamos vigiar portos, aeroportos e áreas públicas com mais de 1 milhão de novas câmeras espalhadas por todo o país. Bandido não vai ter mais onde se esconder", complementa o documento.
O que é e como funciona o Smart Sampa
O Smart Sampa é um sistema de monitoramento da Prefeitura de São Paulo que usa inteligência artificial e reconhecimento facial para cruzar imagens com registros policiais.
O mecanismo conecta dispositivos em vias públicas e prédios a uma central de triagem para apoiar a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar no atendimento a ocorrências e na localização de foragidos da Justiça.
Segundo a administração municipal, o sistema analítico auxilia ainda na busca de cidadãos desaparecidos e na identificação de veículos com placas adulteradas em circulação pela capital paulista.
Como operam as câmeras e a análise de imagens?
Os equipamentos transmitem imagens em tempo real para servidores centrais, que aplicam modelos analíticos capazes de rastrear movimentações e confrontar traços biométricos com arquivos oficiais.
O protocolo estabelecido pelo município determina que apenas correspondências com 90% de paridade gerem avisos formais, exigindo conferência obrigatória por um operador humano antes de qualquer abordagem de rua.
Além das unidades próprias instaladas nos bairros e em motocicletas de patrulhamento, a infraestrutura integra sensores da iniciativa privada, incluindo redes de condomínios residenciais e estabelecimentos comerciais parceiros. Em convênios firmados pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana com fornecedores tecnológicos, o armazenamento inclui histórico de gravação de até 14 dias.
Dispositivos móveis terrestres também foram acoplados à rede, como o robô de quatro patas operado por controle remoto a até 300 metros de distância por agentes públicos em eventos de grande porte.
Quais controvérsias e decisões judiciais envolvem o projeto?
A formulação da iniciativa enfrentou questionamentos técnicos e jurídicos de entidades civis e órgãos de fiscalização desde o lançamento das primeiras licitações.
Especialistas apontaram preocupações relativas à proteção de dados individuais e ao perigo de identificações incorretas, o que levou a administração paulistana a revisar diretrizes contratuais e adicionar relatórios de impacto de privacidade.
No âmbito da expansão comercial, o conselheiro Roberto Braguim, do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, chegou a suspender o chamamento conduzido pela empresa pública Prodam para comercializar o formato a outras prefeituras brasileiras, apontando a necessidade de esclarecer regras de competitividade entre concorrentes privados.