Hospital Moinhos de Vento debate desempenho e saúde dos atletas em tempos de Copa do Mundo

Evento teve a presença do ex-goleiro Danrlei Hinterholz e do ex-presidente do Internacional Fernando Carvalho para abordar saúde, alta performance e os desafios do futebol moderno

1 jul 2026 - 18h05

O desmaio do meia dinamarquês Christian Eriksen durante uma partida da Eurocopa, em 2021, marcou o futebol mundial e mudou a forma como atletas, clubes e profissionais da saúde passaram a encarar a prevenção de eventos cardíacos no esporte. A história do jogador foi o ponto de partida da edição do Grand Round "Medicina do Esporte em Tempos de Copa do Mundo", promovida pelo Hospital Moinhos de Vento nesta terça-feira (30), no auditório da instituição. O encontro reuniu especialistas e personalidades do futebol para debater como os avanços da ciência e da tecnologia vêm ampliando a segurança e o desempenho no esporte de alto rendimento.

Foto: Leonardo Lenskij / Porto Alegre 24 horas

Na abertura do evento, o superintendente médico do Hospital Moinhos de Vento, Luiz Antonio Nasi, apresentou os convidados: o coordenador científico de Saúde e Performance do Grêmio, Felipe Marques; o ex-presidente do Internacional, Fernando Carvalho; e o ex-goleiro do Grêmio, Danrlei Hinterholz. Ele destacou que o esporte de alto rendimento demanda uma integração cada vez maior entre assistência, pesquisa e inovação.

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"A medicina do esporte evolui na mesma velocidade do futebol. Reunir especialistas de diferentes áreas e profissionais que vivenciam o esporte diariamente é uma forma de ampliar o conhecimento e fortalecer uma cultura de prevenção baseada em evidências científicas", afirmou Nasi.

Na palestra "Avaliação de Risco Cardiovascular", o cardiologista e coordenador médico da Medicina do Esporte do Hospital Moinhos de Vento, Anderson Donelli, mostrou como a evolução do futebol profissional tem ampliado a exigência física dos atletas e reforçado a necessidade de uma investigação cardiovascular cada vez mais precisa. Segundo ele, na Europa, o futebol é a modalidade com maior incidência de morte súbita relacionada ao esporte.

Ele explicou que jogadores de elite permanecem, em média, com 85% da frequência cardíaca máxima durante uma partida, utilizam mais de 70% do consumo máximo de oxigênio e podem atingir velocidades entre 36 e 37 km/h nos sprints. E ressaltou a importância de uma avaliação que reúna histórico clínico, exame físico, eletrocardiograma e testes cardiopulmonares. "O futebol moderno exige cada vez mais dos atletas. Por isso, a avaliação de risco deixou de ser apenas um exame de rotina para se tornar uma ferramenta essencial na prevenção da morte súbita e na segurança dos atletas", destacou.

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Na sequência, o coordenador científico de Saúde e Performance do Grêmio, Felipe Marques, abordou os desafios da preparação para a Copa do Mundo de 2026, considerando fatores como o aumento das temperaturas, a umidade, a sobrecarga do calendário e a saúde mental. Ele também destacou o papel da tecnologia no acompanhamento dos atletas, com o uso de GPS para monitorar respostas fisiológicas, individualizar treinamentos e reduzir riscos. "Hoje, o desempenho vai muito além da preparação física. Monitoramos carga de treino, temperatura, umidade, hidratação e até aspectos emocionais para que cada atleta tenha as melhores condições de competir com segurança", explicou.

O ex-presidente do Internacional, Fernando Carvalho, trouxe a perspectiva da gestão esportiva e ressaltou que a evolução física e científica transformou a preparação das equipes para competir em alto nível. "O futebol de alto rendimento mudou. Hoje, força física, intensidade e preparação multidisciplinar fazem parte da construção de equipes competitivas, sem substituir o talento, mas potencializando o desempenho."

Já o ex-goleiro Danrlei Hinterholz compartilhou experiências da carreira e falou sobre os desafios enfrentados desde as categorias de base até o profissional. Para ele, o desenvolvimento esportivo depende de um ambiente que permita aprender com os erros e respeite o tempo de formação de cada atleta. "O erro faz parte da carreira de qualquer atleta. O importante é criar um ambiente que permita aprender com ele, sem transformar um único lance na definição de toda uma trajetória", disse.

No encerramento, Nasi reforçou que iniciativas como o Grand Round aproximam diferentes áreas do conhecimento e fortalecem a medicina do esporte como ferramenta de prevenção, cuidado e promoção da saúde dos atletas. "Prevenção, avaliação individualizada e atuação multidisciplinar são hoje os pilares para proteger a saúde dos atletas e permitir que eles alcancem o máximo desempenho com segurança", concluiu.

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