Ataque da França entra no debate sobre melhor linha ofensiva da história das Copas

Com Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé e Michael ​Olise somando, juntos, 11 gols e nove assistências em quatro ​partidas

1 jul 2026 - 15h17
(atualizado às 15h25)
Mbappé brilhou pela França
Mbappé brilhou pela França
Foto: WILLIAM VOLCOV/AGÊNCIA O DIA / Estadão

A campanha da França na Copa do ‌Mundo tem se baseado em um ataque tão implacável que as comparações com algumas das melhores linhas ofensivas da história do futebol já não parecem mais prematuras.

Com Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé e Michael Olise somando, juntos, 11 gols e nove assistências em quatro partidas, e Bradley Barcola contribuindo com dois gols e uma assistência, apesar de não ter a vaga de titular garantida, o técnico Didier Deschamps montou um ⁠ataque capaz de atingir os adversários em ondas sucessivas.

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A França marcou 13 gols em quatro partidas, sendo ‌12 deles de Mbappé, Dembélé, Olise e Barcola.

É um nível de concentração de produção ofensiva raramente visto em uma Copa do Mundo. O último trio a marcar mais gols em um único torneio ‌foi o célebre trio de ataque do Brasil de 2002, formado ‌por Ronaldo (oito), Rivaldo (cinco) e Ronaldinho (dois), cujos 15 gols combinados levaram o Brasil ao seu quinto ⁠título mundial.

Ainda não se sabe se a França conseguirá igualar essa conquista máxima, mas a seleção francesa está começando a entrar com força em uma discussão normalmente reservada para times como o Brasil campeão de 1970 e a deslumbrante seleção húngara de 1954.

"Quando você analisa o potencial ofensivo que temos, mesmo na história do futebol, isso é muito raro", disse o meio-campista Aurélien Tchouameni após a vitória da França ‌por 3 x 0 sobre a Suécia pela fase de 16 avos de final do torneio.

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Os números contam ‌apenas parte da história.

A velocidade de ⁠Mbappé aterroriza as defesas, ⁠a imprevisibilidade de Dembélé as leva ao limite e Olise se tornou o eixo criativo, com sua visão de ⁠jogo e toque suave conectando tudo. A sintonia entre os ‌três parece se aprofundar a cada ‌partida.

Olise deu cinco assistências, ficando a apenas uma de igualar o recorde de Pelé na Copa do Mundo, de seis em 1970, e ele e Mbappé já somam seis gols na Copa do Mundo, mais do que qualquer dupla de ataque na história do torneio.

Deschamps acredita que ⁠Olise faz parte da elite do futebol.

"Ele está nessa categoria. Kylian já está lá há muito tempo, mas, pelo que Michael vem fazendo com o Bayern de Munique e pelo que ele é capaz de produzir para nós, sim, ele também pertence a essa categoria, assim como Ousmane", disse o técnico da França.

"A sintonia entre nossos jogadores de ataque é ‌excelente. Não se trata apenas de eles se darem bem como pessoas. Eles falam a mesma língua do futebol e, a partir daí, tudo flui na direção certa."

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No entanto, a riqueza de talentos ⁠ofensivos da França vai muito além do time titular.

Barcola marcou duas vezes, apesar de dividir os minutos com Désiré Doué na ala esquerda, e Rayan Cherki oferece outra opção capaz de mudar o jogo vindo do banco. Jean-Philippe Mateta, que marcou 12 gols na Premier League nesta temporada, mal entrou em campo, e a lesão de Marcus Thuram — após uma campanha de 13 gols na Série A — passou despercebida.

Talvez o mais impressionante de tudo seja que Deschamps tenha convencido um grupo de atacantes de elite a se esforçar tanto sem a bola quanto com ela.

"O coletivo vem antes de tudo, e Kylian, como capitão, é o melhor exemplo disso", disse ele.

"Entendo que alguns jogadores possam ficar decepcionados por não estarem jogando o suficiente ou por não estarem jogando de forma alguma. Há frustração. Mas existe o espírito de equipe. Isso por si só não ganha partidas, mas sei muito bem que a falta dele pode fazer com que você as perca."

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