Os dados da última rodada da pesquisa Genial/Quaest demonstram que os maiores colégios eleitorais do Brasil apresentam cenários diferentes quanto a quem vai ganhar a eleição para governador. Entre São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais, somente um deles parece ter liderança consolidada e possibilidade de vitória ainda no primeiro turno.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
O caso mais emblemático é de Minas Gerais, que era o líder das pesquisas foi vetado pelo próprio partido, o Republicanos, de concorrer ao cargo ontem. O nível de confiança da pesquisa é de 95% e margem de erro de dois a três pontos percentuais.
Como está o cenário de São Paulo
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera contra o ex-ministro Fernando Haddad (PT), tanto no primeiro quanto no segundo turno. Ele aparece com 41% das intenções de voto, seguido pelo candidato do PT, com 26%. Vera Lúcia, do PSTU, registrou 3% de menções, enquanto Carlos Machado (PCB) e Vivian Mendes (UP), 1% cada.
Para o cientista político Paulo Ramirez, professor do curso de Ciências Sociais e do Consumo da ESPM, Haddad foi escolhido numa perspetiva pouco favorável, já que Tarcísio tem um grau elevado de aprovação, mesmo antes do início do período eleitoral.
No entanto, a escolha dele --assim como de Marina Silva (REDE) e Simone Tebet (PSB) para o Senado, embora não sejam do PT-- tem um objetivo muito claro: tirar o maior número de votos de Tarcísio e da aliança com Flávio.
“Sul e Sudeste possuem um cenário muito desfavorável ao PT. São Paulo é o maior Estado em termos de eleitores, então, todo voto aqui conta bastante. E nessa perspectiva de uma derrota para o Tarcísio, essa derrota não sairá barata, mesmo porque o Haddad tem apoio do Lula, da Tebet, da Marina Silva, que atraem votos para o próprio Haddad e tiram votos de Flávio e Tarcísio ao mesmo tempo, mas principalmente de Tarcísio”, explica ao mencionar a tendência de voto casado para governador e para presidente.
Em Minas, cenário se desenha, mas parece incerto
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) estava na liderança dos cenários de primeiro e de segundo turno na corrida pelo governo estadual. Contra Alexandre Kalil, o político venceria por 44% a 29% dos votos. Em uma disputa contra Patrus Ananias, do PT, o senador do Republicanos vence por 46% a 31% dos votos. Já contra o governador Mateus Simões (PSD), Cleitinho tinha vantagem de 46% contra 15%.
Porém, o Republicanos e o próprio Cleitinho anunciaram na segunda-feira, 2, que ele não será mais candidato ao governo mineiro. A decisão frustra os planos do PL, que contava com o parlamentar para encabeçar o palanque de Flávio Bolsonaro. Historicamente, o candidato presidencial que vence em Minas Gerais, vence a eleição.
Após reunião em Brasília com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e o presidente estadual do partido em Minas Gerais, Euclydes Pettersen, o Cleitinho Azevedo confirmou que não será candidato por causa do momento de luto familiar que enfrenta.
Esse episódio de indefinição impacta não só o Flávio, mas também o próprio Republicanos, que pode perder capital político por abrir mão de quem liderava as pesquisas, segundo o cientista político, Rodrigo Prando, professor de Sociologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
“Simbolicamente é muito ruim, e o campo da direita, por sua vez, na possível ausência de Cleitinho, fica mais pulverizado. De repente, isso pode fortalecer e ajudar o PT a recuperar uma competitividade no Estado das Minas Gerais”, pondera.
Rio de Janeiro também parece ter um candidato definido
O ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), lidera as intenções de voto no primeiro e segundo turno para o governo do RJ, com 38% e 42%, respectivamente. Nas simulações do primeiro cenário, aparecem logo na sequência de Paes, Anthony Garotinho (Republicanos) e Douglas Ruas (Republicanos), ambos com 10%. Já na possível ausência de Garotinho, Douglas Ruas (PL) e William Siri (PSOL), surgem logo abaixo de Paes, com 11% e 2%, respectivamente.
Prando aponta que o ex-prefeito da capital fluminense é um nome ligado ao centro político, ou seja, não tem uma ligação direta, imediata com nenhum dos pólos, seja o bolsonarista ou o lulopetista.
“Não acredito que ele daria uma força automática a nenhum dos dois, nem a Lula e nem ao Flávio. Agora, uma vitória também do Eduardo Paes pode sim favorecer indiretamente o Lula, porque o Flávio está em empate técnico no reduto em que ele tem força. A família Bolsonaro tem muita força no Rio de Janeiro e há um empate técnico entre ele e Lula, o que é para a campanha bolsonarista um sinal de alerta”, explica.
Segundo o especialista, houve um distanciamento do eleitor bolsonarista muito grande, já que o movimento foi muito expressivo nas últimas eleições, o que não ocorre desta vez. “O Rio de Janeiro não tem sido a fortaleza que o bolsonarismo gostaria que fosse em relação a votos para eles, para aquele núcleo político”.
Empate técnico em Bahia
Na Bahia, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) e o atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), apresentam empate técnico na disputa pelo governo estadual, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Em um eventual segundo turno entre eles, ACM Neto registrou 43% de preferência, e Jerônimo, 39%, com 11% de indecisos e 7% de votos brancos e nulos. Os dados apontam para um cenário estável desde a rodada anterior da pesquisa, divulgada em abril.
Questionado se a vitória de ACM Neto ajudaria Ronaldo Caiado (PSD) na corrida presidencial e, consequentemente, atrapalharia Lula, Prando acredita que seja muito pouco provável, pois a força do lulopetismo é muito grande no Nordeste.
“Claro que uma vitória do ACM Neto em primeiro turno, de repente, ajudaria Caiado simbolicamente. Mas essa capilaridade no Nordeste é muito rara, muito difícil para a centro-direita. Ela é ocupada preponderantemente pelos progressistas, especialmente pela força simbólica que o lulismo tem”, argumenta.
No entanto, caso isso ocorra, pode demonstrar o enfraquecimento da narrativa de uma fortaleza nordestina, “como muitas vezes os analistas retratam, quase que uma barreira inexpugnável do PT na região nordeste”, afirma o especialista.