A deputada federal reeleita Erika Hilton (PSOL-SP) classificou como "incoerentes" as mulheres conservadoras eleitas que se posicionam contra o feminismo e direitos conquistados historicamente pelas mulheres. Em entrevista à GloboNews após o resultado das urnas deste domingo, 4, a parlamentar afirmou que essas candidatas passam a ocupar cadeiras que só existem em razão das conquistas pelas quais movimentos de mulheres lutaram ao longo da história.
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"Eu acho bastante incoerente, porque são mulheres que são contra os direitos das mulheres e as conquistas das mulheres. São mulheres que são contra o feminismo, contra o voto das mulheres, mas acabam assumindo cadeiras que foram fruto dessas conquistas", afirmou.
Erika disse considerar esse movimento "muito perigoso" e afirmou que, embora essas parlamentares defendam posições contrárias ao feminismo, continuam usufruindo de direitos associados às lutas feminias.
A declaração ocorre em meio ao avanço de candidaturas conservadoras nas eleições deste domingo. Erika tem protagonizado embates com Eduarda Campopiano (PL-SP), que atacou a deputada diretamente. "Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo?", disse, em tom de deboche. Hilton recebeu 1.596.383 votos, enquanto Campopiano recebeu 1.956.238.
A deputada reeleita também afirmou que o resultado eleitoral revela um Brasil "muito polarizado".
"Eu entendi que nós temos um Brasil de fato muito polarizado e vamos precisar superar essa onda".
Na avaliação da deputada, a disputa política tem sido marcada por emoções, conflitos e pela espetacularização do debate público. Ela criticou especialmente o protagonismo que, segundo ela, ganharam pautas "anti-trans", "anti-LGBT" e "anti-mulheres".
"Precisamos voltar a debater propostas, voltar a debater projeto de país, sair um pouco desse lugar de emoções a partir desse caos e espetacularização". Para Erika, temas como segurança pública, educação, saúde e direitos das mulheres precisam voltar ao centro da discussão política.
Questionada sobre as críticas de que teria uma atuação concentrada em uma agenda identitária, ou seja, a favor de uma perspectiva específica, Erika rebateu:
"Se ser identitária é discutir o fim da escala 6x1, discutir mulheres na ciência, o futuro do meio ambiente, segurança pública, fortalecer pesquisas, eu sou identitária".
Falhas na comunicação
A deputada também avaliou que a esquerda precisa melhorar a maneira como comunica suas pautas e acontecimentos políticos ao eleitorado. Ela citou a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Caso Master como exemplos de episódios que, em sua avaliação, não foram suficientemente traduzidos para a população.
"A crise do STF, por exemplo recaiu muito sobre o presidente Lula e faltou uma comunicação em rede para conseguir traduzir ao eleitor o que estava acontecendo."
Erika afirmou ainda que faltou um "termômetro" para entender como esses assuntos eram percebidos por eleitores que não acompanham diariamente a política.
"Como é que nós traduzimos isso para as pessoas que estão lá fora, que não estão acompanhando o dia a dia da política, e que são completamente contaminados muitas vezes por fake news, por grupos de WhatsApp ou outras plataformas digitais?"