Erika Hilton chama mulheres conservadoras eleitas de 'incoerentes' e critica discurso contra direitos femininos

Deputada federal reeleita pelo PSOL-SP afirmou que parlamentares que se posicionam contra o feminismo e direitos das mulheres ocupam espaços

6 out 2026 - 16h35
(atualizado às 16h42)
Erika Hilton recebeu quase 1,6 milhões de votos
Erika Hilton recebeu quase 1,6 milhões de votos
Foto: Reprodução/Instagram

A deputada federal reeleita Erika Hilton (PSOL-SP) classificou como "incoerentes" as mulheres conservadoras eleitas que se posicionam contra o feminismo e direitos conquistados historicamente pelas mulheres. Em entrevista à GloboNews após o resultado das urnas deste domingo, 4, a parlamentar afirmou que essas candidatas passam a ocupar cadeiras que só existem em razão das conquistas pelas quais movimentos de mulheres lutaram ao longo da história.

"Eu acho bastante incoerente, porque são mulheres que são contra os direitos das mulheres e as conquistas das mulheres. São mulheres que são contra o feminismo, contra o voto das mulheres, mas acabam assumindo cadeiras que foram fruto dessas conquistas", afirmou.

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Erika disse considerar esse movimento "muito perigoso" e afirmou que, embora essas parlamentares defendam posições contrárias ao feminismo, continuam usufruindo de direitos associados às lutas feminias.

A declaração ocorre em meio ao avanço de candidaturas conservadoras nas eleições deste domingo. Erika tem protagonizado embates com Eduarda Campopiano (PL-SP), que atacou a deputada diretamente. "Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo?", disse, em tom de deboche. Hilton recebeu 1.596.383 votos, enquanto Campopiano recebeu 1.956.238.

A deputada reeleita também afirmou que o resultado eleitoral revela um Brasil "muito polarizado".

"Eu entendi que nós temos um Brasil de fato muito polarizado e vamos precisar superar essa onda".

Na avaliação da deputada, a disputa política tem sido marcada por emoções, conflitos e pela espetacularização do debate público. Ela criticou especialmente o protagonismo que, segundo ela, ganharam pautas "anti-trans", "anti-LGBT" e "anti-mulheres".

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"Precisamos voltar a debater propostas, voltar a debater projeto de país, sair um pouco desse lugar de emoções a partir desse caos e espetacularização". Para Erika, temas como segurança pública, educação, saúde e direitos das mulheres precisam voltar ao centro da discussão política.

Questionada sobre as críticas de que teria uma atuação concentrada em uma agenda identitária, ou seja, a favor de uma perspectiva específica, Erika rebateu:

"Se ser identitária é discutir o fim da escala 6x1, discutir mulheres na ciência, o futuro do meio ambiente, segurança pública, fortalecer pesquisas, eu sou identitária".

Falhas na comunicação

A deputada também avaliou que a esquerda precisa melhorar a maneira como comunica suas pautas e acontecimentos políticos ao eleitorado. Ela citou a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Caso Master como exemplos de episódios que, em sua avaliação, não foram suficientemente traduzidos para a população.

"A crise do STF, por exemplo recaiu muito sobre o presidente Lula e faltou uma comunicação em rede para conseguir traduzir ao eleitor o que estava acontecendo."

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Erika afirmou ainda que faltou um "termômetro" para entender como esses assuntos eram percebidos por eleitores que não acompanham diariamente a política.

"Como é que nós traduzimos isso para as pessoas que estão lá fora, que não estão acompanhando o dia a dia da política, e que são completamente contaminados muitas vezes por fake news, por grupos de WhatsApp ou outras plataformas digitais?"

Fonte: Portal Terra
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