Em entrevista para Globo, Caiado compara Lula com Bolsonaro, evita perguntas comprometedoras e tenta se colocar como 3ª via

Candidato do PSD é segundo entrevistado da série de sabatinas promovidas após o Jornal Nacional com os presidenciáveis

25 ago 2026 - 21h17
(atualizado às 23h30)
Caiado diz que vai conceder anistia 'ampla e geral' a Jair Bolsonaro e presos do 8 de janeiro: 'Pacificar o Brasil'
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O candidato Ronaldo Caiado (PSD) foi o segundo a participar da série de sabatinas com os presidenciáveis promovidas pela TV Globo na noite desta terça-feira, 25, e evitou responder perguntas comprometedoras, detalhar planos econômicos, tentou se colocar como 3ª via e se comprometeu com um projeto de 'anistia ampla, geral e irrestrita' aos condenados pelo 8 de janeiro para pacificar o Brasil. Além disso, a entrevista foi marcada por cerca de 40 interrupções ou tentativas de interrupções de Renata Vasconcellos e César Tralli, que muitas vezes foram ignorados pelo ex-governador de Goiás.

  • Momento da Decisão vai colocar frente a frente os principais candidatos à Presidência no dia 14 de setembro, às 22h, em debate promovido pelo Terra e outros 10 veículos

Anistia e pacificação

O encontro começou com Tralli questionando Caiado sobre um possível projeto de anistia aos envolvidos na tentativa de golpe, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão em regime domiciliar.

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Sem responder diretamente, Caiado afirmou que tem a responsabilidade de anistiar e que sempre respeitou a democracia. 

“O traço do brasileiro não é de construir o ódio, de revanche eterno. Isso é histórico no Brasil. Desde o império você tem anistia [...] O que eu quero dizer nesse momento é que nós precisamos acabar com essa polarização, temos que pacificar o País. Ninguém aguenta mais essa situação. Esse clima está criando, como sempre, esse processo de um contra o outro”, disse.

Nisso, ele afirmou que irá encaminhar ao Congresso Nacional um projeto para que haja uma anistia geral e ampla. "Da mesma maneira, que, de uma forma especial, o STF [Supremo Tribunal Federal] concedeu ao presidente Lula", afirmou, comparando erroneamente Lula a Bolsonaro ---o petista teve a condenação da Lava Jato anulada após o entendimento do STF de que a 13ª Vara Federal de Curitiba, então sob comando do ex-juiz Sergio Moro, não era o foro adequado para julgar os processos contra Lula (casos do Tríplex do Guarujá, Sítio de Atibaia e doações ao Instituto Lula). A Corte, primeiro em uma decisão da Segunda Turma e depois confirmada pelo Plenário, declarou parcialidade de Moro no julgamento.

 Ronaldo Caiado (PSD) com Renata Vasconcellos e César Tralli nos Estúdios Globo.
Ronaldo Caiado (PSD) com Renata Vasconcellos e César Tralli nos Estúdios Globo.
Foto: Manoella Mello/Globo

Na sequência, usou como exemplo Juscelino Kubitschek, que concedeu anistia em 1956 neste mesmo propósito de pacificar o País. "Mas parte daqueles anistiados por Juscelino, oito anos depois, ajudaram a promover o golpe de 64", pontuou Renata, que foi ignorada por Caiado. O candidato reafirmou que seu papel é encaminhar o projeto de anistia ao Congresso, que irá deliberar sobre o assunto.

Os âncoras da Globo questionaram Caiado sobre os depoimentos em torno dos processos da trama golpista, como os que confirmavam a existência do plano Punhal Verde Amarelo --que tinha como foco o assassinato do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do Alexandre de Moraes-- e quais seriam os efeitos de uma anistia a partir disso. Ele se esquivou de responder. 

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Segurança Pública e soberania

Caiado ignora interrupções de Renata e diz que Brasil é 'Disneylândia do crime'
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Uma das propostas de Caiado é criar uma polícia na América do Sul, unificada, para combater o narcotráfico. Renata o questionou sobre como ele pretende convencer governos a criarem uma polícia conjunta em um ano com questões de soberania tão evidentes, com intervenções estrangeiras gerando instabilidade -- citando o caso da invasão do governo Trump à Venezuela no início do ano.

Com frases de efeito, como "aqui é o resort do narcotráfico" e "o Brasil é a Disneylândia do narcotráfico", o candidato do PSD embalou suas falas, ignorando tentativas de interrupção de Renata e evitando olhar diretamente para os jornalistas. 

"Eu vou criar uma polícia, que essa polícia vai poder entrar, desde que seja tratando de assunto de contrabando de armas, lavagem de dinheiro, drogas. Você não precisa ter limite. Você vai passar para outros países e eles também terão toda a liberdade de adentrar o Brasil. Isso não compromete soberania", explicou. 

Caiado comparou sua ideia à Europol, a agência de aplicação da lei da União Europeia dedicada a coordenar o trabalho policial entre os 27 países integrantes do bloco europeu no combate ao crime transnacional. Tralli pontuou que a Europol não pode fazer prisões, e que seu poder é mais voltado ao compartilhamento de informações.

Ronaldo Caiado (PSD) com Renata Vasconcellos e César Tralli nos Estúdios Globo.
Foto: Manoella Mello/Globo

Fuga sobre salário mínimo e Previdência

A dívida pública, tema urgente no Brasil, foi elencada. Porém, Caiado, mais uma vez, usou a polarização entre Lula e o bolsonarismo para evitar a resposta sobre ajuste fiscal. "Eles não fazem nada, tipo de homem que não serve para governar e só faz populismo". Ao longo da entrevista, ele fugiu de detalhamentos em torno da questão econômica e de apontar onde fará cortes. "Farei gestão", argumentou.

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Em junho deste ano, a Dívida Bruta do Governo Geral avançou para 81,9% do PIB (Produto Interno Bruto), alcançando R$ 10,4 trilhões no mês. Esse é o maior valor desde abril de 2021, quando a dívida estava em 82,62% do PIB. Esse montante engloba dívidas do governo federal, da Previdência Social (INSS), e dos governos estaduais e municipais. Como já mostrado pelo Terra, especialistas citam que a questão fica cada vez mais difícil de ser resolvida conforme a dívida cresce.

Sobre o salário mínimo, Caiado fugiu do tema: "O pobre coitado que tá ganhando um salário mínimo, vivendo de aposentadoria, deixa eles em paz, vamos mexer com eles não". Quando Previdência Social foi pautada, Caiado também declinou de detalhar seus planos.

"Eu já não defini o macro? Então estou dizendo como vou fazer. Agora, essas situações todas... Vou priorizar o que? Combate à corrupção, salários extorsivos, desvios de verbas de emendas, trabalhar com relação à reforma administrativa", disse, com Tralli reforçando o questionamento sobre o tema em três oportunidades. 

Minuto final

Caiado pede ao STF quebra de sigilos dos casos Master e INSS durante sabatina na Globo
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Nas considerações finais, Caiado pediu para o STF "abrir o sigilo" do INSS, do caso Master e da operação Carbono Oculto. "Para que nós não fôssemos enganados por pessoas envolvidas em graves crimes que amanhã pudessem ser eleitas", argumentou, sem citar nomes.

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Quando os outros candidatos serão entrevistados?

Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), candidatos à Presidência da República
Foto: Wilton Junior/Tiago Queiroz/Cauê Del Valle/Divulgação MBL/Taba Benedicto / Estadão

As entrevistas tiveram início na segunda-feira, 24, com Romeu Zema (Novo). O candidato defendeu anistia a Bolsonaro, disse ser contra a obrigatoriedade de vacina, e sofreu mais de 10 interrupções de Renata e Tralli. 

Agora, após Ronaldo Caiado (PSD), a cronologia das entrevistas segue a seguinte ordem sorteada:

  • 26/8 (quarta-feira) - Renan Santos (Missão)
  • 27/8 (quinta-feira) - Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • 28/8 (sexta-feira) - Flávio Bolsonaro (PL)
  • 29/8 (sábado) - Augusto Cury (Avante)

Cada entrevista tem 40 minutos de duração, com dois blocos, e um minuto para considerações finais no encerramento. Foram convidados os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest de intenções de voto, divulgada em 14 de agosto.

Fonte: Portal Terra
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