Deltan Dallagnol, eleito senador no Paraná e aliado de Flávio Bolsonaro (PL), afirma que a campanha de Lula (PT) "tentou dar um golpe", para deixar de fora da quebra de sigilos o Instituto Lula e "dados relativos ao Vorcaro". Ele afirma que, então, modificações foram feitas no acordo entre as campanhas e que foi acordado um levantamento simultâneo de sigilo total, com divulgação em endereço eletrônico de acesso público. A medida, proposta para ocorrer ainda nesta quinta-feira, 22, precisa de aval do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que é o responsável pelo caso na Corte.
"É direito do povo saber. E os nossos advogados perceberam o golpe e tiveram que fazer uma série de inscrições, vocês estão vendo inscrições à mão para esclarecer que a quebra do sigilo, levantamento de sigilo era total. E é claro que o Flávio Bolsonaro concordou com o levantamento total do sigilo", complementou Dallagnol.
Em paralelo, a campanha de Lula também faz críticas ao adversário. Camilo Santana e o presidente do PT, Edinho Silva, que atuam na coordenação da campanha, e de Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, defenderam a transparência dos candidatos, mas questionaram a exclusão da Alcazar Holdings das condições propostas pelo senador. O que a coordenação aponta é que a empresa está relacionada a Willer Tomaz, advogado investigado pela Polícia Federal em caso que envolve suspeitas de desvios de recursos de aposentados.
“Quem propôs o desafio de abrir o sigilo bancário foi o presidente Lula. O Flávio Bolsonaro demorou quatro dias para dizer que aceitava. Só que ele disse que aceitava, não colocou prazo e ainda colocou condicionantes”, afirmou Boulos. “É preciso que o sigilo e todas as autorizações sejam feitas hoje para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão e quem não é ladrão nesse país”, complementou Santana.
Entenda o caso
O desafio de que ambos abrissem seus sigilos foi proposto por Lula durante debate na TV Bandeirantes na noite do último domingo, 18. No fim, nesta quinta-feira, 22, as campanhas chegaram a um acordo que indica a autorização total e simultânea da abertura de sigilo de ambos, com divulgação em endereço eletrônico de acesso público.
"Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Nantes Bolsonaro candidatos à Presidência da República, já qualificados nos autos, vêm, conjuntamente, informar que aceitaram integralmente os termos recíprocos do desafio objeto destes autos e autorizam a abertura total dos respectivos sigilos", diz trecho do documento.
No acordo, eles indicam que as devidas liberações devem ser enviadas ao TSE até as 23h59 desta quinta-feira. Por parte de Mendonça, cobram agilidade do Judiciário e pedem para que ainda hoje ocorra a requisição de dados ao Banco Central do Brasil, às instituições financeiras, à Receita Federal e às operadoras de telefonia, e sua divulgação simultânea no DivulgaCandContas ou em outro site de acesso público.
"A abertura será imediata, total, nas condições integrais aceitas por ambos, e simultânea para os dois candidatos. Os dados relativos às autorizações já apresentadas, próprias, de familiares, e de empresas, serão abertos e divulgados hoje, 22.10.2026", detalha o texto.
O documento foi assinado por Lula e pela advogada de Flávio Bolsonaro, Maria Claudia Bucchianeri.