Colômbia acusa Equador de interferir em eleição presidencial

30 mai 2026 - 17h11

Presidente equatoriano Daniel Noboa anunciou fim de tarifas contra Bogotá ao lado de um candidato da ultradireita, apesar de medida ter sido exigida pela Comunidade Andina. Governo de Petro diz que gesto é "enganoso".O governo da Colômbia acusou neste sábado (30/05) o Equador de tentar interferir em suas eleições presidenciais após Quito apresentar a eliminação de tarifas aduaneiras contra produtos colombianos como um gesto voluntário.

Noboa apoia candidato de ultradireita, que disputa votos com indicado de Petro para pleito colombiano
Noboa apoia candidato de ultradireita, que disputa votos com indicado de Petro para pleito colombiano
Foto: DW / Deutsche Welle

O fim das tarifas havia sido, na verdade, uma exigência da Comunidade Andina das Nações (CAN). Ainda assim, o presidente equatoriano conservador, Daniel Noboa, anunciou a derrubada das medidas aduaneiras em uma videochamada ao lado do candidato colombiano de ultradireita, Abelardo de la Espriella.

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"A partir de primeiro de junho, a taxa de segurança estará suspensa e haverá zero por cento de taxa de segurança", afirmou ele na sexta-feira, a dois dias do pleito presidencial.

Para o governo colombiano, liderado por Gustavo Petro, a declaração foi "enganosa" ao ser apresentada como uma concessão voluntária e sugerir uma suposta vitória política de Espriella. Para Bogotá, trata-se de uma tentativa de interferir na disputa eleitoral.

"A Colômbia manifesta seu categórico repúdio à enganosa apresentação da decisão de revogar as tarifas como uma medida de boa vontade do governante equatoriano, quando ela responde às ordens da CAN", afirmou a Chancelaria em comunicado.

"Essa intromissão de um mandatário estrangeiro no curso democrático de outro Estado constitui uma flagrante violação do princípio de não intervenção nos assuntos internos, uma ameaça à soberania nacional e um atentado ao sistema democrático", continuou.

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Segundo a nota, Noboa "desfigura o fundamento jurídico e institucional" da derrubada de tarifas e pode gerar interpretações que afetam o desenvolvimento das relações entre os dois países.

Medida foi exigida pela CAN

Os colombianos vão às urnas neste domingo para escolher o novo presidente do país, depois de uma campanha eleitoral que se tornou a mais sangrenta do país em décadas. Petro apoia a candidatura do senador de esquerda Iván Cepeda, líder nas pesquisas e opositor de Espriella.

A ministra do Comércio da Colômbia, Diana Morales, respaldou a posição do governo e questionou o fato de uma decisão de política comercial de um Estado ter sido apresentada como resultado de uma conversa com "um ator que não exerce funções de governo".

Morales afirmou que a retirada das tarifas responde a um contexto mais amplo, marcado pelas decisões da CAN e por advertências de organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre os riscos econômicos e a incerteza que as restrições comerciais poderiam gerar.

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A ministra acrescentou que essas medidas afetaram por meses empresas, cadeias produtivas e comunidades fronteiriças de ambos os países e defendeu que o governo de Petro atuou por meio dos mecanismos previstos no ordenamento andino para proteger os setores afetados.

Disputa se agrava desde janeiro

Os dois países mantêm uma disputa comercial desde o início deste ano, quando o governo de Noboa impôs uma "taxa de segurança" aos produtos colombianos, ao considerar insuficientes as ações de Petro contra o narcotráfico e outras atividades criminosas na fronteira comum.

A medida, duramente criticada por empresários e comerciantes, começou em fevereiro com uma sobretaxa de 30%, foi posteriormente elevada para 50% e atingiu 100% a partir de 1º de maio.

Os dois presidentes trocam acusações desde então. Em março, Petro chegou a acusar o Equador de bombardear território colombiano e matar 27 pessoas.

A Secretaria-Geral da CAN, formada por Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, havia ordenado a ambos os países a retirada das tarifas impostas durante a disputa comercial e concedeu um prazo de dez dias úteis para desmontar as medidas, prazo que venceu em 21 de maio.

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gq (EFE, DW)

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