Submissão e proximidade política: especialistas avaliam diferenças entre fotos de Trump com Flávio Bolsonaro e Lula

Presidente dos Estados Unidos se encontrou recentemente com os dois principais pré-candidatos ao Planalto

27 mai 2026 - 09h35
Flávio Bolsonaro divulga foto de encontro com Trump no Salão Oval da Casa Branca
Video Player

O presidente Donald Trump é peça importante no tabuleiro eleitoral do Brasil. No começo do mês, o Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou o mandatário norte-americano para discutir interesses de Brasil e Estados Unidos. Na tarde de terça-feira, 26, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato ao Planalto, também esteve na Casa Branca e posou ao lado do estadounidense. 

Porém, apesar de ambos os encontros terem acontecidos na Casa Branca, os registros foram diferentes e transmitem mensagens bem distintas. Na imagem divulgada por Flávio, ele aparece em pé no Salão Oval, enquanto Trump está sentado atrás da mesa presidencial.

Publicidade

No registro do encontro entre Lula e Trump, ambos aparecem em pé, apertando as mãos, formato mais comum em reuniões entre chefes de Estado. O presidente dos Estados Unidos, inclusive, apareceu recebendo o brasileiro e posaram sorridentes para fotos. 

As fotos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)  e do presidente Lula (PT) com o presidente dos EUA, Donald Trump
As fotos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do presidente Lula (PT) com o presidente dos EUA, Donald Trump
Foto: Reporodução/Instagram

De acordo com o cientista político Valdir Pucci, a foto de Flávio com Trump transmite uma relação menos horizontal, já que o presidente americano aparece sentado enquanto o senador está em pé, o que pode sugerir hierarquia ou submissão.

“A imagem parece mais o registro de uma visita rápida do que de uma negociação entre líderes e, por isso, teria menos força simbólica do que a foto entre Lula e Trump, marcada por aperto de mãos e posição de igualdade”, explicou. 

Após encontro com Trump, Flávio Bolsonaro posta foto de Lula com Maduro e diz: ‘Agora é só escolher’
Video Player

Para Deividi Lira, analista político e especialista em marketing político, a foto entre Flávio e Trump foi construída para sinalizar proximidade política, mas tem alcance limitado fora da base bolsonarista. “A imagem, com Trump sentado e expressão protocolar, difere do padrão adotado em encontros entre chefes de Estado.”

Publicidade

PCC e CV como terroristas

Flávio Bolsonaro tem ato falho e diz que convite à Casa Branca foi feito por Lula
Video Player

Para os analistas, a defesa de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode consolidar a segurança pública como uma das principais bandeiras de uma eventual campanha presidencial de Flávio em 2026.

Durante entrevista coletiva após o encontro, o senador afirmou ter pedido a Trump que avalie a possibilidade de enquadrar as facções brasileiras como grupos terroristas, medida que, segundo ele, fortaleceria a cooperação internacional no combate ao crime organizado.

Segundo Pucci, a proposta dialoga diretamente com a base bolsonarista e pode fortalecer a fidelização desse eleitorado. O desafio, porém, é ampliar o alcance da pauta para além dos apoiadores mais próximos. “O discurso reforça o eleitor que ele já possui. A dúvida é se isso consegue atingir outros segmentos da sociedade, principalmente os indecisos”.

Já Deividi Lira avalia que o encontro com Trump e a defesa da classificação das facções como terroristas ajudam Flávio a construir a imagem de um candidato associado ao endurecimento do combate ao crime. “A segurança pública pode ser um mote para a campanha eleitoral. Ele vai utilizar essa reunião com Trump para reforçar a narrativa de que é um candidato preocupado com o tema”.

Publicidade
Flávio Bolsonaro diz que ganhou ‘moeda de honra’ de Trump ao final de reunião: ‘Gesto raro, reservado a aliados’
Video Player

Para Lira, o assunto ganha relevância porque a segurança pública ainda é considerada um ponto vulnerável para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Apesar disso, ambos os especialistas avaliam que o discurso enfrenta limites. Além das dúvidas sobre efetividade, existe o risco de a aproximação com Trump ser interpretada por parte do eleitorado como alinhamento excessivo aos Estados Unidos, e não necessariamente como fortalecimento da soberania brasileira.

Na avaliação dos analistas, medidas mais rígidas contra o crime organizado tendem a permanecer no centro da narrativa bolsonarista, mas o impacto eleitoral dependerá da capacidade de transformar propostas simbólicas em soluções percebidas como concretas pelos eleitores.

Para Pucci, a segurança pública deve ocupar espaço central na estratégia eleitoral da direita nos próximos anos.

“Com certeza, a segurança pública será um dos grandes motes da oposição nesta eleição. Hoje, parte dos brasileiros aponta corrupção e outra parte aponta segurança pública como os principais problemas do país, e a direita já possui um discurso consolidado nessa área”, afirmou.

Publicidade

Pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira, 25, mostrou que corrupção, saúde pública e segurança pública (violência e criminalidade) são considerados, respectivamente, os principais problemas do Brasil.

Apesar de avaliarem que a direita leva vantagem no debate sobre segurança, os especialistas consideram que as conversas entre Vorcaro e Flávio podem prejudicar o senador em outro tema central: corrupção. Para eles, o caso Banco Master passou a ser associado a esse debate.

Fonte: Portal Terra
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se